sexta-feira, 3 de julho de 2009

Num piscar de olhos...

O céu está lilás...
E tão perto de mim...
E ao longe nada vê
Prefere que seja assim...

quarta-feira, 1 de julho de 2009

No escuro dos olhos fechados

E chove exaustão e fico encharcado
E todo o meu corpo sibila de cansaço
Sinto-o gemendo as dores do sono
Meu corpo não responde quando eu chamo...

Estar acordado é algo fatal...
Despencam as forças na curva final...
A vida pra todos é algo banal...
E por isso só eu me sinto tão mal...

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Olhando para cima...

Balões de Emoção

Por que estou assim, ansioso?
Por que tudo agora consiste em esperar?...
.
Por que, se há tanto tempo eu já encontrei
A menina que eu sonhava...
.
Sinto-me assim partido... algo em mim partiu... foi embora...
Ai, não sei... ou chegou... ou está... ou não está?
.
Sinto-me novamente naquele caminho no fim da tarde
com árvores feito torres elevando-se ao céu
e uma pressa enorme em chegar em um lugar
que eu só conheço na intuição
.
E também me invade uma imensa vontade
De parar tudo e estar
Estar...
Estar...
.
Ah, estou imerso em um vício de emoções
Em minhas veias uma explosão de sensações me excitam
Inquietando cada bater de meu coração
.
Sempre que olho para o amanhã, menos conheço de mim mesmo
Mais o que sinto vence meus conceitos
Mais as forças se rendem diante das imagens
Mais, mais, mais... tão mais...
.
Tanto eu flutuo que estou perdendo o rumo
Vagando em uma correnteza inebriante
Cada vez que solto o ar eu afundo
Sou um balão solto no vento...

Folhas molhadas

De noite, amada, amarra teu coração ao meu
e que eles no sonho derrotem
as trevas como um duplo tambor
combatendo no bosque
contra o espesso muro das folhas molhadas.
Noturna travessia, brasa negra do sonho.
Interceptando o fio das uvas terrestres
com pontualidade de um trem descabelado
que sombra e pedras frias sem cessar arrastasse.
Por isso, amor, amarra-me ao movimento puro,
à tenacidade que em teu peito bate.
.
Com as asas de um cisne submergido,
para que as perguntas estreladas do céu
responda nosso sonho com uma só chave,
com uma só porta fechada pela sombra.

Pablo Neruda
cadê você, que não aqui, perto de mim?...

Meu alimento


Se eu sou uma bagunça
A bagunça faz parte de mim
Se as idéias se confundem
Sou totalmente uma confusão de tudo que o amor conhece
Desordenadamente norteado pelo início do fim
Finalmente iniciado na caminhada da vida
Indiferente aos buracos e aos suores que pingam
Inconsequente quanto às mazelas que se autoprocriam
Vou cambeleando na ginga do cigano
Que outrora eu posso já ter conhecido
É saudável ignorar as inconstâncias do destino?...
É seguro dar sentido ao insignificante milésimo de segundo?...
Por que as minhas lembranças não passam na parede
Como o filme mais incrível que eu jamais verei novamente?
Que insânia recriar a criação dos nossos desejos em momentos inteiramente
novos
No final, o início se repete inteiramente novo
E serei seduzido como um menino que acabou de nascer
E viu pela primeira vez a beleza de viver.


Pontos finais estão em extinção, restará somente o último deles...

Escrevo poemas para o céu...


Qual a sensação de a tudo sentir?
Cada molécula do corpo que pulsa nas extremidades e nos interiores...
Cada sibilar de vidas multicores incomuns e espontâneas
Depois de certa super sensibilização dos sentimentos
Estou assim, extremamente sensível...
.
.
.
.
.
E minha respiração me dá um novo fôlego
Para respirar as lembranças dos últimos dias
Transbordantes de saudades e emoções sutis e delíciosas
Ai, como eu queria estar contigo agora
Bebendo da mágica da tua vida
Deixando derramar-se no meu corpo a beleza que és
Queria, sim, estar em um mundo
Onde a relva e o orvalho e a seda e as mãos unidas fossem as únicas existências
Só por um instante eterno...
.
.
.
.
.
Que relance por minha janela
Paralelamente ao universo
Voando um passarinho negro
Que leva consigo meus olhos inteiros...
.
.
.
.
.
Hoje meu sono será em lugar diferente
Deitado sob o vento ante a canção do poente
Ontem me deitei na candura da tarde
Amanhã o sol irá brilhar na beira de minha saudade
.
.
.
.
.
Queria caminhar velozmente até as portas de tua mente
E encontrar-lhe lá dentro como uma princesa de lilás
Onde eu estaria, na minha alma de sonho?...
Ou nos meus olhos brilhando como a água sob a luz?
.
.
.
.
.
Meus cabelos se arredondam nos caminhos que para ti conduzem
Não existem versos para encontrar a verdade deste momento
Mas estou aqui na madrugada a esperar sua chegada
Em um para sempre que sempre será.

domingo, 28 de junho de 2009

Essa saudade que eu sinto...


...de tudo que eu ainda não vi...

E de tudo que amo... e de tudo que é belo... tudo que habita em mim...

Saudade da vida... saudade do abraço... saudade do beijo... que ainda será dado...

Saudade do olhar... saudade do sabor e do cheiro e do gesto e da sensação...

Saudade de estar... saudade de ser... saudade do futuro que me espera no meu sonho...
.
Saudade da companhia que não está comigo agora... saudade de tanto, de tudo, saudade....

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Desabafos tardios fora de hora


Explosões

Para nossas explosões
Não nos explodirem
- Ou que seja, que importa? -
Precisamos
Escrever nossa dinamite
E acender o pavio
Com nossas trevas

Porque a garganta não possui
A potência de uma bomba de estilhaços
Ou a carnificina de metralhadoras de cansaços
Nem as unhas e as dores bastam
Quando o que dói não é o corpo, mas a vaga espera
Da alma...

Que desabe tudo, pedras melancólicas
E abafem do sol a brisa bucólica
Porque o calor se foi com a chuva
E os pingos do céu são cópias fajutas
Do que há muitos séculos em mim já choveu

O vazio esquelético que me mata de fome
Essa voz inaudita que grita meu nome
Adaga de névoa que me rasga e consome
Abriu o meu peito e deixou escapar

A singela esperança de pertencer a este mundo
A opaca vontade de conhecer todo mundo
Quando a bruta verdade é que estão todos surdos
E dormindo na vida porque ninguém quer ver
O que às vezes eu sinto que só eu enxergo
O que às vezes parece que só a mim dói
Essa morte que reina, que apaga e corrói
E joga a mortalha no meu coração.

--//--

Esse poema foi escrito, mas não foi sentido no momento da escrita. Ele reflete um sentimento que ocasionalmente me acomete e me afunda, como uma onda pesada que nos bofeteia os sentidos em momentos distantes. Assim é o sentimento da solidão e assim ela se combate - Escrevendo.

Espero que diga algo para alguém.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Na natureza


Coelhos e Lobos

Nessa caminhada exaustiva, debaixo do sol a pino
Em todos os passos noturnos, ouvindo o canto das corujas
Pelas trilhas costeiras, com o mar castigando nossas pernas
Através das ruas escuras dos nossos sentimentos submundos

Eu sigo... e erro e dano e amo e vamos... seguindo... sem saber
qual será a próxima queda e quem sairá machuado ou machucada...

E passam as horas como se fossem dias e os anos como se fossem décadas
Porque a intensidade da vida é uma avalanche de sentimentos
que não nos cabem no peito, que nos soterra nas ondas, nas eras...
.
Ah.
Cada respirar é um início
Que pode se tornar um amor
Que pode se tornar algo
Que não sabemos para onde vai...

Ah.
Porque nosso coração se parte em pedaços
Tão impossível é conter o mundo inteiro
E toda a dor e amor de tudo
E tudo de amor que em dor se torna...

Ah.
Os quadros não se contentam com as molduras
Os olhos querem mais que apenas ver
E eu acho que já não me basta apenas ser
Queria ser cada parte de mim algo inteiro...

Oh, que por tudo me perdoe...
E você tenha o que sonhou
Eu me contento em ver passar
Aquilo que encontrei de flor

...
E cada palavra minha me compromete
E cada palavra minha me engole mais
E cada palavra minha diz o que eu sinto
O que eu não devia dizer jamais...

Amar é algo inexplicável...
Indivisível e infinito...
Sim, sim... basta?
Acho que não.

E eu continuo pensando na vida... e vivendo sem pensar...
Desculpe Lilla

domingo, 21 de junho de 2009

Cantique d'amour

Amo pela alegria infinita de amar:
pela promessa de felicidade
que há de sempre florir no teu sorriso, que há de
eternamente arder no teu olhar...

Amo pela alegria
luminosa do amor: do amor que é como um sol
para o qual eu me volto todo, cada dia,
hipnotizado como um girassol...

Amo ― e este amor
é toda a esplêndida, a única alegria
da minha vida...

E se algum dia
tu me vires chorando, partido de dor,
como uma pobre coisa desgraçada,
como uma triste flor esmigalhada
entre os teus dedos, meu amor,
não enxugues meu pranto! Ri! Ri teu sorriso
de ouro! Sacode tua vida como um guizo
sobre a minha!

E, depois, deixa-me só, pensando
que é de alegria que eu estou chorando!

Guilherme de Almeida

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Estou aqui.


O que faço de minha vida? O que faço de meu coração?
Quem disse que sobre ele tenho uma firme mão?
E que ela segue para os caminhos que trilho?

Sim, sim, faço o possível!
Edifico planos, crio trajetórias
Para que meus sonhos
Ergam-se como torres...
E não vaguem desvairados
como aves migratórias

Mas algo falta, algo que não consigo ver...
Não sei, não sei, não sei o meu futuro...
Mas nada nessa vida é seguro,
Só o que resta é pagar pra ver
Arriscar, não ter medo de sofrer
Ou de amar profundamente aquela
De ser eterno enquanto for.
Amor.
--//--
Meu coração tem altos e...
Difíceis de entender...

Se eu fosse jovem, eu fugiria da cidade, eu enterraria meus sonhos nas profundezas...


Coelhos e Cupidos


Deixe-me ser apaixonado
Mesmo que só por um instante vago
Pelo brilho de uma sombra escura
O triste e belo canto dos campos de uva
Embebido no sonambulismo dos teus olhos
Enfeitiçado pelos fios que de teu corpo emanam
No limite sensual de vidas separadas
O abismo de amores que explodem e se calam
O derramar de veias que nos corações se enganam
Numa vã tentativa de luz dispersa
No infinito do alto mar de violetas
Onde eu queria me afogar... céu de estrelas...

Deixe-me, deixe-me... não me respondas mais...
Que neste lugar onde tudo esquecido jaz
Ninguém nunca me fará as perguntas
Que eu gostaria que não me fossem feitas
Mas que desesperadamente responderia
Em busca de algo no fim do dia
A névoa fria da madrugada negra
O peso perdido do sonambulismo

Deixe-me ser apaixonado
Por essas molduras negras de tua alma
Por este sorriso que eu desconheço
Tudo isso por que eu sinto saudade
Sem nem mesmo saber do que eu falo
Deixe-me, deixe-me...

Porque no meu destino não há qualquer agrado
Pois o mundo se esconde, se encolhe de lado
Por qualquer caminho por onde eu passo
N´um sentimento de fuga e medo e fado
Pelas vidas e as mortes de todo o mundo
Que eu vejo perderem-se enquanto aqui eu calo
E enquanto minhas forças não destroem o fraco
Que se abriga na minha alma fugitiva...

Porque todos que eu conheço passam
Mas não a sensação de que eu ficarei sem nada
Que as conversas e as pessoas de granizo
Caem do céu e derretem meu sorriso
E somem na penumbra no fim da ocasião
São todos conhecidos, não há nenhum irmão
E ninguém me conhece por inteiro
Mesmo que eu quisesse ser um tagarela
Envergonham-me as palavras para o vento
Que parecem não fazer sentido
Não funciona nada do que eu tento
Para deixar de ser-me apenas uma espera...

Ah, deixe-me ser um apaixonado
A última droga a curar o meu estado
O torpor de emoções que só querem mil beijos sagrados
E de mim não espere mais que estar ao seu lado
Sendo o que sou, sendo o que há
Contigo, seja como for...
Ser, ser... ser amor.

--//--

Transloucado em palavras, desvairado, soterrado por sentimentos, eu sou.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Soninho...

Preciso dormir mais...
Deitar-me no sonho de um abraço
De baixo de lençóis e beijos seus
Para recuperar as vidas que se esgotaram
Na exaustão de uma noite mal-dormida...

As letras que se embaralham na minha vista
Embaçam enquanto eu sonambulizo
Queria deitar no teu ombro macio
E lá ficar o resto da minha vida...

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Verde que te quero verde

Laranjas penduradas na janela
Relvas cores muitas nas paredes
Púrpura loucura de cerejas
N´um pote de morangos e cidreiras

Uma brisa de hortelã tardia
Na tarde que não finda nesta vida
Batendo as idéias com a chuva
Para nascer o paraíso de brilho e uva

Queria, sei lá, qual salada de fruta
Estou sentindo um frio gostoso de serra
O orvalho descansa nos meus ombros
Também podes sentir o cheiro de terra?



//
Sonhos...
poesia pela poesia...
N´um dia de grama...
No bosque da casa
Na árvore do sol
Brisa de fruta
Tronco de açúcar
Maçãs, melancias e nuvens
...
...

quinta-feira, 4 de junho de 2009

até a ponta do mundo...

Latitudes

Por línguas que mal-conheço

Quero viajar
Encontrar palavras invisíveis
Inventar flautas em praças verdes
Criar imagens inalcancáveis
Sem preocupação de mundo ou tudo

Passear pelo povo de sangue amigo
Por ruas que nunca vi
Pela primeira vez passar
Descobrindo esquinas de frutas
Sabores e novidades
Amigos, amigos
De um instante só
Mas que nunca
serão esquecidos.

Conhecer.
Vagar.
Andar.
Perambular.
Andar´ilha
a gigante ilha
o meu Continente
América
Latina
Cisplatina
Andina
Sulina
Nordestina
ou
simplesmente,
Latina.

Essa menina,
Essa mulher,
Essa Terra
de sangue e luz
de mil azuis
céus e mares
e de vermelhos acres
dores milhares
e uma sede imensa
de justiça intensa
verdadeira e plena.

Andar!
Reconhecer
os irmãos de todas as eras
em abraços, em esperas
as irmãs austrais,
caribenhas, centrais
que sorriem culturas
ancestrais.

Quero ir até a ponta do mundo,
Até o sul do horizonte,
Além dos picos gelados,
Através dos litorias pacíficos
Margendo os limites atlânticos
Por dentro dos portais amazônicos
Até as esferas tropicais.

Porque em meu sangue já existe
Tudo isso.
Das minhas veias precisa voltar
Para o universo que habita
Dentro e fora,
parte
e inteiro
do continente
latin´americano.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Montanhas russas reunidas em círculos


Profecias...
Montanhas russas reunidas em círculos


Montanhas russas reunidas em círculos
Rodopiando em discussões extensas
Um cotidiano nada rotineiro
Aprisiona e liberta em horários e exaustões...

E o estar presente quase incomoda
O sentimento de dever borbulha nos ouvidos
As ações são impulsionadas por princípios
Que não cansam nem esmorecem
Ainda que o corpo deseje a inércia...

Claro, óbvio e inegável é
Que tal desejo absurdo
É meramente provisório, tempos de açúcar
Quando os encontros sobrepõem-se aos pensamentos
E as tempestades nos pegam sem varandas ou tetos.

Suspiro, retomando o ar deixado na última sala,
O fôlego ansioso por um balanço tranquilo.
Acontece que lá fora não parece haver trégua
Pois são máquinas as forças contrárias e malévolas...

Não suam, não dormem e não se intimidam
Ante o infinito amor que temos.
E esse amor, mesmo infinito,
Não sendo como eles, violento,
Não pode simplesmente detê-los,
precisa apaixoná-los...

Mas quem?
Que paixões? Rumo à que corações?
Quem pode dizer... quem pode ser...
São tantos, são invisíveis e constantes... são inimigos e futuros de esperança...
Porque se nossa força é o amor
E a força contrária o oposto (mas não totalmente, espero)
Não podemos ser como eles, pois perderemos...
Queremos (eu e quem mais?) que eles
Se apaixonem
E não que morram (só em momentos de ira).

Sim, sim, que enigma metálico enferrujado
Que incrustado de conchas em portos abandonados
Que eras trepadeiras em muros desmoronando...
Que irrespostas desconexas e sem nexo...

Acontece que por maior que seja a loucura do mundo
E a nossa, diante de tudo
Só não podemos parar.
Mas a natureza não diz que não podemos cansar.
Ao contrário, como cansa.

E nisso, do alto da montanha russa
Aquele frio estomacal tremula
E irrompe poros afora...
Suamos, frio.

Há calor também. Muito. É o próprio amor.
Uma total dicotomia paradoxal de estrelas que se chocam.
Sem uma lógica matemática exata e concisa...
Apenas a continuação interminável de utopias delirantes
Que perseguimos convictos da vitória da vida!

Numa militância que atravessa as madrugadas
Na ânsia milimétrica de invernos e primaveras
Tornados esfumaçados, tosses e desgastes
Visões em preto e branco de plástico
E odores bons e ruins...


Enfim.

É isso.

Então.

E ai?

O que resta é descansar na agitação

Agitar o cansaço

E seguir em frente, aberto para o abraço

Beijando todo o espaço

Tudo que há e é.

Carregando o amor não como um fardo

Nem a esperança como uma pedra entalada na garganta

Mas como asas, únicas formas de salvar-nos

Do abismo que se despedaça sob nossos pés

E nossas mãos

E nossas vidas


Para sermos verdadeiramente

E profundamente

De maneira completa

Plena

E apaixonada.


Explodiremos, é fato.

A explosão será indescritível, indiscriminada

Levará a todos.

Todos se perderão, mas já estavam perdidos.

Mas nos encontraremos, mais ainda

Todos serão finalmente apaixonados

Depois da explosão.

Depois que as paredes todas forem derrubadas

E as portas da alma arrombadas

Permitindo a união inimaginável

A Comunhão da Vida em uma só.


Fim. Início. Infinito. Círculo. Comum...(ismo).


Não será através da força.

Mas do amor.

A revolta será espiritual

E as chamas arderão nas almas

Os gritos brotarão do espírito

E as mãos andarão dadas

Pés juntos, passos largos.


Desmoronarão de suas torres

De seus altos edifícios

Dos terraços rarefeitos

Das alturas da tolice

Do topo dos egoísmos

Do alto das ganâncias

Até o fundo do poço

De onde poderão ressurgir iguais

Horizontais

Humanos, reais

Sem autoridades

Sem banalidades

Sem formalidades

Sem burocracias

Sem hipertrofias

Sem infantarias

E sem ódio.


Quando o “mundo” cair,

Quem ainda houver

Terá a nova chance

De nascer.


Quando o “civilizado” ruir

Quem ainda houver

Terá a nova chance

De pensar.


Quando o “sistema” se destruir

Os que ainda houver

Terão a nova chance

De se unirem.


Quando o “muro” for derrubado

Os que ainda houver

Terão finalmente a chance

De se amarem.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Quando acordo eu te amo.


Manhã de chuva

O vento como um piano
Sua respiração
no meu ouvido cantando

Uma canção constante, suave
Acariciando nosso tempo

Na penumbra do silêncio
Repleto de paz e carinho
Notas musicais em nossos gestos
Palavras de amor em nossos olhos
Sonhos unidos no escuro
Onde ninguém pode nos separar

Se chuvisca ou zune ventania
Se a tarde se arrasta em nosso sono
Se o meu sonho se enrosca no teu
Estamos juntos naquela harmonia
Que no mundo só você me deu

E as mínimas carícias
Para sempre dançarão em nossas peles
Estremecidas pela profusão de sentimentos
Amores transpirando pelos poros

Irmã das praias cinzas de minha alma
És a luz nublada que eu amo
A meiga nuvem que sorri e brinca
Flor do campo que à tudo perfuma
Macia e cândida onde eu durmo e sonho

A menina que eu amo...

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Sua pedrinha de praia, minha flor de hibisco


De tarde no Litoral...


Mesmo contra a ausência
Da inspiração que me fugiu da vida

Ainda que o tempo me aprisione no cansaço
E a mente esteja girando em redemoinhos
.
Quando minhas parcas forças já ocupadas
Sentem-se exauridas e o descanso nunca chega

Continuo, em qualquer lugar de mim
Naquele canto perdido da saudade,
A sonhar e amar e sentir e voar
E precisando - seja lá qual o motivo -
Dessa expressão inconsciente que nos versos
...transborda...

E aqui, olhando para o mar da minha janela de olhos
Para a imensidão interior que vai e vem
Eu penso sempre no amor que ela me tem
E no mundo que só eu e ela amamos
O nosso de todos os instantes,
com nossas dores e traumas
E alegrias infinitamente brilhantes...
E sorrisos que são de nossas almas...

Eu sei, sim, que os passos que nós damos
E nossas mãos tão dadas
Estão em constante tensão
De expectativas e sentimentos
Dúvidas, felicidades e angústias
.
Mas no final, no início e nos meios
Por sermos nós tão feitos um do outro
Vencemos, imprecisos, os receios
Porque perto dela nada é distante
E longe dela estou longe do nada...

E porque nos olhos dela eu vejo
O que em nenhum outro olhar existe
Porque a flor qu´é´la, reina em meu beijo
E é toda a paz que meu ser precisa...

...
Tudo bem que nosso tempo não nos satisfaça
Nenhum tempo o fará
Estar perto é assim tão prazeroso
Que tempo sempre irá faltar...
.
O importante é estar a cada instante
Pensando nos momentos que teremos
Multiplicá-los e tão intensamente vivê-los
Que nossa vida será florilhões de estrelas
Nos nossos olhos entre-olhando-se...

Além de tudo, tenho que dizer-lhe,
E cada vez com o prazer de nascimento,
Que eu te amo, eu te amo, preciso dizer-lhe...
Que nossas vidas, unidas intrinsecamente,
São a maior verdade, real felicidade...

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Amore


Ainda Bem
Vanessa da Mata
Composição: Liminha/Vanessa da Mata

Ainda bem
Que você vive comigo
Porque senão
Como seria esta vida?
Sei lá, sei lá
Nos dias frios em que nós estamos juntos
Nos abraçamos sob o nosso conforto
De amar, de amar

Se há dores tudo fica mais fácil
Seu rosto silencia e faz parar
As flores que me manda são fato
Do nosso cuidado e entrega
Meus beijos sem os seus não dariam
Os dias chegariam sem paixão
Meu corpo sem o seu uma parte
Seria o acaso e não sorte

Ainda bem
Que você vive comigo
Porque senão
Como seria esta vida?
Sei lá, sei lá
Se há dores tudo fica mais fácil
Seu rosto silencia e faz parar
As flores que me manda são fato
Do nosso cuidado e entrega
Meus beijos sem os seus não dariam
Os dias chegariam sem paixão
Meu corpo sem o seu uma parte
Seria o acaso e não sorte

Nesse mundo de tantos anos
Entre tantos outros
Que sorte a nossa hein?
Entre tantas paixões
Esse encontro
Nós dois, esse amor.

Entre tantos outros
Entre tantos anos
Que sorte a nossa hein?
Entre tantas paixões
Esse encontro
Nós dois, esse amor

Entre tantas paixões
Esse encontro
Nós dois, esse amor.