quinta-feira, 15 de março de 2012

As terríveis angústias da burguesia... (0)

Sinto como se hoje fosse meu primeiro dia de vida...
Putz, quantas vezes é possível nascer em apenas uma vida?
2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011, 2012...
8 vezes, até agora! Talvez mais!
Sendo assim, acho que eu completo aniversário toda semana!
Que merda! Deve ser por isso que me sinto tão velho...
E ao mesmo tempo tão novo...
Completando ano toda semana
Morrendo e nascendo a cada estação...
Estações maiores,
Estações menores...
Trens indo e voltando...
Por que não tem trens para ir a todos os lugares nesta cidade?
Lembro daquela blusa vermelho vivo decotado naquele trem do sul...
Daquele olhar dentro de mim, bem dentro de mim...
Sul...
É preciso migrar...
Mas agora a perspectiva é ficar mais um pouco...
Algo como testar a fortaleça de nossas convicções
Construir uma fundação mais firme
Só para ver se será possível destruí-la
E partir.

Ontem encontrei com um velho amigo
Que nunca chegou a ser um amigo...
Ele está de saída... está aprendendo a levantar circos, a arrumar o mastro ou seja lá como se chama, de forma adequada, para que ninguém morra, em especial ele...
Ser itinerante, nômade, todo mês em uma cidade diferente...
Será difícil viver assim? Será impossível?...
Será que terei a oportunidade de conversar mais demoradamente com ele?...
Ele também faz cara de quem me conhece,
Mas não conhece...

Depois da religião do sagrado domingo de milk-shake,
É preciso aderir à religião da torta de chocolate-com-menta...
E um bom copo de água gelada, para tirar o gosto enjoado...

Hoje passei o dia fazendo o que há de melhor...
Reunir todos os frutos de esforço, entrevistas, conversas, pesquisas, fotos
Gravações, textos, memórias, intuições...
E deixá-los loucamente se organizarem de forma anárquica no papel eletrônico
E de algum modo organizar de modo ainda mais anárquico, ou seja,
Suave, agradável, criativo, sarcástico ou sei lá o quê...
(todos os adjetivos que damos às coisas, são aqueles que justamente sabemos estarem errados)
Ou não...

Enfim! Um dia estranho, extático, emocionante e... estranho.
É como se eu estivesse aprendendo a andar novamente...
Como é passar uma quarta-feira de chuva em casa fazendo aquilo que você realmente gostaria de fazer?
Passei 21 anos sem saber. Apenas sonhando, inventando, divagando, raivosamente me culpando por não estar fazendo...
Logo, me soa terrivelmente estranho de fato estar vivendo isso...
O dia de amanhã não é mais previsível... apesar da agenda estar cheia...
O dia de amanhã não é mais o mesmo, não é "como era antigamente"...
O dia de amanhã tem sempre cara nova, uma possibilidade verdadeira
Ao invés daqueles mesmos problemas sempre diversos, interessantes, mas desgraçados...
Ainda estou me acostumando...
Preciso me acostumar a não estar acostumado...
Me habituar a estar com as pessoas plenamente, conhecê-las,
Ao invés de simplesmente fazer "meu trabalho", enquanto tenho relances de cada pessoa...
A existência quase plena de um recém-liberto em um mundo de escravos...
...
"E que seja eterno enquanto dure"...

sexta-feira, 2 de março de 2012

Medo


Ah, o medo...
O medo é tudo.
É o fundamento, é a fundação,
É o que há de mais resistente
E o que sustenta o que há de pior...
O medo, a caverna mais profunda
Das paredes mais sólidas
Mais espessas, mais escuras...
Do mundo é a essência...
A mais profunda fragância
Do mundo como ele é...
Respira-se medo para refrescar
Bebe-se medo para alegrar
Deita-se com medo para não sonhar
Vive-se no medo para assim ficar...

É preciso fazer algo mais
Para que o mundo permaneça como está?!
É preciso fazer algo mais
Para que quem está em cima, fique lá
E quem está em baixo, deixe estar?

Sim, o medo... por trás de cada ideia
Cada pensamento, por trás do sabor
E do desejo, de cada gesto e cada beijo
Há medo, medo, medo...

De perder, de esquecer, de soltar, de viver
De mudar, de escutar, de falar, de morrer...
De amar, encontrar, transformar, de ser...

O hoje e o amanhã é só uma questão de coragem
E de (des)medo...

Uma música - Shattered - The Cranberries

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Depoimento sobre a Intolerância (1)...

A intolerância oprime o ar e o respirar...
Intolerância é não reconhecer as possibilidade de existência do outro...
Intolerância é não conseguir olhar para si, verdadeiramente... olhar superficialmente
E querer extender esse conceito superficial e vazio (falso) de si aos outros, ou, pelo menos
Àqueles a quem se acha no "direito" (do mais forte), no poder, na autoridade, de fazê-lo...

Quanto mais poder se tem, maior é a intolerância, pois a diversidade (de pensamentos, de mundos, de possibilidades) é antagônica à ambição autoritária de extender à humanidade, ao universo (ou à parcela de humanidade e universo que o cerca)
Sua própria visão de mundo e de existência...
Especialmente porque é desta visão de mundo intolerante que o intolerante precisa...
É esta visão de mundo que sustenta seu poder, sua autoridade...
Pois fora disso, seu poder e autoridade simplesmente não existem... não são nada...

E quem tem uma visão superficial de si e reconhece/identifica sua identidade e estrutura psíquica nessa visão intolerante, se despedaçaria sem ela... Sem ela, o que seria? O que restaria?
Se tornaria nada ele mesmo, ao menos segundo sua própria concepção destruída de mundo...

Sem esta visão de mundo, como poderia ser ele intolerante? O que vem primeiro, a intolerância ou a visão de mundo intolerante?...

Ou a lógica maniqueísta nunca fez sentindo e na verdade o que veio primeiro foram os dois... simultaneamente?! Ou pior, nenhum dois dois, mas terceiros e quartos e quintos escondidos sob o véu do maniqueísmo e da própria intolerância... (pois a intolerância não é nata, não é intrínseca a nenhum ser, ela é fruto de uma imersão em um mundo e visão de mundo intolerante...)

Nessa concepção maniqueísta o primeiro é o "culpado" e o último o "inocente", alguém é responsabilizado e alguém é eximido... Mas ambos são culpados e inocentes... Culpados porque perpetuam e inocentes porque não sabem disso...

Ou se sabem, não acreditam, ou se acreditam, ignoram, ou se não ignoram, se enganam, ou se não se enganam, mentem... e assim sucessivamente, infinitos são os mecanismos da mentira...

A intolerância é isto, simplesmente... um ímpeto de destruir, calar, oprimir, aprisionar, conformar ou reduzir à obediência tudo aquilo que é diferente de si, ou seja, não é igualmente intolerante...

Ou que compete em intolerância... pois a intolerância precisa ser a mais intolerante em seu universo, em seu mundo particular... não aceita intolerâncias diferentes... só podem existir suas próprias intolerâncias... ou as intolerâncias semelhantes...


Uma música sobre tolerância ou intolerância...
Maps - Yeah Yeah Yeahs

Cada detalhe...


Fotografias:

Olhos fechados, cabelos esvoaçantes, pernas dobradas, voltadas para trás, pequenos e delicados pés à luz da janela, a coluna delicadamente curvada em lua, deitada de bruços, braços e ombros macios ante o meu tocar, as mãos agarradas ao lençol, nuca faiscando pelos e nervos ante beijos, lábios enriçados pelo contato das peles... blusinha levemente caída no ombro, tecido suave e fininho, recobrindo o perfumado corpo nevado...

Cada centímetro desses olhares são imortais imagens na minha memória... que lentes nenhuma, senão a retina, poderiam flagrar... Nenhuma outra forma de recordar senão na lembrança, nenhuma outra descrição possível senão a amplitudade dos mínimos detalhes... Imagens preto e branco, luz e escuridão, vento de ventilador e brisa, borboletas de retalhos e apanhador de sonhos, almofadas vermelhas e tapete mágico, estante azul e espelhos deleitosos, fonte de águas respingantes, sapinho de resina escondido nos arbustinhos de plástico, chão gelado e água gelada, ao alcance da mão e das bocas sedentas, olhos que vêem além do ver, pele que sente mais do que si mesma, palavras de amor mais que amor mais que palavras...

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A Morte Absoluta

Morrer.
Morrer de corpo e de alma.
Completamente.

Morrer sem deixar o triste despojo da carne,
A exangue máscara de cera,
Cercada de flores,
Que apodrecerão - felizes! - num dia,
Banhada de lágrimas
Nascidas menos da saudade do que do espanto da morte.

Morrer sem deixar porventura uma alma errante...
A caminho do céu?
Mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu?

Morrer sem deixar um sulco, um risco, uma sombra,
A lembrança de uma sombra
Em nenhum coração, em nenhum pensamento,
Em nenhuma epiderme.

Morrer tão completamente
Que um dia ao lerem o teu nome num papel
Perguntem: "Quem foi?..."

Morrer mais completamente ainda,
- Sem deixar sequer esse nome.


Manuel Bandeira

Para quem não considera a Vida uma bola de ferro e não tem a vaidade da eternidade...

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Esqueletos...


Um assassino cruel. Sem piedade, sem parcimônia. Não poupa nenhuma vítima, quer todas cinzas, todas passadas...

Matou os primeiros 24 demoradamente, com prazer, pois tudo era novo, eram só possibilidades, descobertas! 1440 dilacerou com gana, gula, emoção, rapidamente, com uma metralhadora! 86.400 já deu mais trabalho... Mas ainda jovem, perseguia-os, não escapava um. Depois de matar 2.592.000 vinte e uma vezes, pelo Diabo, está exausto. Quer férias! Gastou tudo que tinha, cada munição, cada dente, cada fôlego. Mas não! Não pode! Algo não o deixa, que será? Que merda! É preciso parar! Milhões, milhões! É uma calamidade! Não a morte, mas o cansaço! O tédio, a arrastar, a demora... Mas não, é preciso mais! 31 milhões e 104 mil vítimas indiferentes... em um período que parece longo, mas que a cada geração torna-se menor... É uma chacina enorme, é verdade, quanto trabalho! Sinte-se explorado por esses malditos que têm que matar...

E até hoje, desesperadamente sem aguentar mais tarefa tão insípida, tão sem graça, tão desagradavelmente insossa, pois os sentidos já não reagem a essa desmedida, é forçado a admitir que matou, sem paz, sem trégua, 653 milhões e 184 mil...

segundos...

canalhas...

desnudos...

e contando...

Milhões de segundos, minutos e horas... anos e décadas... mortos, no inferno! E intermináveis! Tempocidas, todos nós, pois tudo que fazemos é matar O TEMPO.

Distração


Sou um tipo insatisfeito? Melancólico? Triste?... A vida parece pálida e flácida?... Um tipo bêbado desde nascença? Que ri e conta piada como quem tá na lombra? Um tipo alucinógeno? Uma criança de 7 anos no corpo de jovem com espírito de 57 e um pé na cova?

Bem, descobri outro dia (eu e todo mundo) uma boa explicação para as coisas. Somos hoje uma sociedade fliperama, ou, como dizia Debord, Espetacular. Um mundo de pessoas superocupadas. Assassinamos o tempo para aprisionar a liberdade, contudo nos achamos cheios de escolhas e no melhor dos mundos livres. Isso porque o Sistema que reina hoje, o aprimoramento de doze milênios de dominação e poder, é supereficaz em nos manter ocupados, com os olhos ofuscados de luzes, os ouvidos surdos de plins plins e músicas pop, os sentidos perturbados com tantas e tantas sensações cópias e múltiplas, a mente ultraexalrida de spams, a invenção do século: lixo mental, masturbação mental, a indústria do entretenimento espetacular... programas de auditório e hollywood, celebridades e feriados, video-games e video-vidas, compras, compras e compras! Competir! Estudar! Concursar! Corrida pela sobrevivência, cavalos em busca do ponto de chegada! Ultrapotente-antidepressivos! Incessante rotina de trabalhos e compromissos! Filas, multidões, engarrafamentos! Megas, Gigas e Teras de informação inútil! Superinformação para nos entupir e afogar, enquanto as máquinas nos mantém artificialmente vivos, pois, em "condições normais", morreriamos com tanta tolice, superficialidade e banalidades enlatadas que somos obrigados a engolir.

Sim, é isso. A sociedade hoje é uma supermáquina de produzir drogas para nos matar e nos manter vivos ao mesmo tempo. Zumbis que perambulam pelos corredores dos shoppings aos sábados e voltam sossegados ao trabalho às segundas... vive-se para trabalhar e morrer! Que sina! Que explicação para o sofrimento e a miséria! Trabalhar e morrer! Máquinas-humanos, zumbis-TVs, Cartões-de-crédito-biológicos!

Supervaloriza-se a vida! Encobrem-na d'uma áura sagrada, põem-na em uma declaração de direitos, como uma bola de chumbo e corrente amarrada ao pé, um direito que teremos que carregar toda a existência, durante todos os momentos de tédio, ódio e frustração... Por quê?! Para que não nos matemos!... Diante de toda a insânia, estúpida existência, caótica e cruenta jornada (de trabalho) da vida... ainda querem que nos prolonguemos, sejamos longivos... 60, 70, 80 anos de trabalhos forçados...

Se as revoluções não mudaram este mundo, se as guerras não o destruíram, nem ao menos pode-se destruir a si, pois é pecado, é crime, é inaceitável! Moral! Princípios! Códigos! Regras! Cercados de todos os lados, material e simbólico, ideológico e subconsciente, somos bestas na roda de moer do sistema de geração de riqueza! Riqueza de poucos! Que a cada milênio aumenta e se concentra cada vez mais! Cada vez mais!!!

E o resultado é: A Loucura! A Violência! O Caos!

Uma sociedade profundamente doente, segregada, psicopata! Torturadamente rica, luxuriantemente miserável.
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Quando vês, realmente muito poucas coisas importam... de todas as distrações, entretenimentos, passa-mata-tempos. Tudo parece sem sabor porque a maior parte realmente não tem sabor... e o que tem? Onde está? O que tem sentido? Tão pouco... é preciso tão pouco para viver. A vida constitui-se, no fim, de tão poucos e essenciais sentimentos, ações, valores, símbolos, partes... Simples. Simples. Por que não ser simples? Uma sociedade prepotentemente dita "complexa"... para o bem de quem?

O que realmente nos distingue enquanto seres humanos é a criatividade e não a razão. A razão, o racional, prova-se todos os dias, é o dom da máquina, multiplicar, ampliar, velozmente fazer... mecânico, elétrico, morto, máquina. Nós, seres humanos, nos justificamos pela capacidade e possibilidade de criar - algo bom, algo novo, a vida e o mundo... Não criar monstruosos amontoados de concreto, mas sim o simples, o ínfimo, o pequeno, momento, expressão, forma de humanidade...

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Desfeito

E se o mundo acabasse?... Teria novamente aquela praia para caminhar?... único no mundo, uma alma de azul...O fim sempre parece eminente... já passou por nós tantas vezes... já acabou tantas vezes... Penso sempre que acabará novamente. Terei forças para ser? O que fazer no escuro? Por que persistir?... Minhas questões existenciais se extinguiram... hoje resta apenas um único beco sem saída. Muros altos demais para escalar... penso: e se olhar para trás? O que há?... sombras e sons esquecidos?... Mundos dissolvidos? Lembranças?... É preciso encontrar algo para ocupar o tempo diante deste muro... Uma colher para raspar-lhe um túnel... Fazer uma saída... Pixar uma canção... contar os tijolos que separam o ontem do amanhã... Enfim... não sei.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Doce e suculento


Um romance...
um amor de sorriso fácil...
um mergulhar na gargalhada
por prestar atenção
no barulho que faz
uma mordida de maçã

Uma cura para todo mal
Um chocolate mais gostoso que o normal
Meio amargo, com avelã e beijo
Um soninho cheio de edredon e bocejo
O estar mais surreal
O compartir sagrado
A vastidão da praia
de pele branquinha
e constelações carnais...

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Pra quê?

É incrível como é fácil empurrar a vida pra frente... viver sem pensar nela, sem querê-la, sem fazê-la... simplesmente deixá-la flutuando no tempo, até que murche e morra. Talvez esse seja o derradeiro suicídio, o mais profundo crime contra a humanidade... e quando digo isso, não me refiro ao aglomerado de carcaças humanas que lotam o mundo, mas a essência do que deveria ser esta criatura um tanto afoita e potente, diferente dos outros bichos...

Podemos fazer tanto, mas fazemos tão pouco. É incrível como ficamos prostrados diante de uma existência interamente indiferente, tanto faz como tanto fez, que não faz falta, que se sumisse, era até melhor. Como vivemos a vida inteira seguindo um impulso vil de sobrevivência... a pura sobrevivência é um crime, diante do potencial que é viver.

Lembro daqueles dois meninos molhados, sentados na amurada de pedra diante da maré cheia e volumosa, indo e vindo, chocando-se contra o paredão, explodindo em mil gotas e espumas, cuspindo sal deliciosamente refrescante naqueles dois moleques livres e soltos... Vai e vem - plash!! E sorrisos e olhos fechados e medo e alegria. E vai e vem - plash!!! Sensações fervilhando nas pontas dos nervos, na ponta do espírito... desgarrados do mundo, sem que alguém puxe-os para "um lugar seguro"... valendo a pena o segundo vivido e o ar respirado...

Penso que deveriam haver apenas duas opções: ou viver plenamente, tão furiosamente quanto o sol, explodindo seu potencial em ininterrupta luminosidade criativa e criadora ou... igualmente explodir em revolta, contra qualquer tentativa de impedir ou enclausurar o corpo e o espírito humanos, fogos incontroláveis...

Quando nos tornamos animais domésticos? Digo, animais de fazenda... que vivem para o trabalho simplesmente pelo prato que come, por um feno mais saboroso, por um estábulo mais confortável, por um sonho de ser o cavalo vencedor da corrida? Os animais domésticos são as celebridades, criaturas meramente decorativas, que existem para a distração e dispersão dos demais... e que vivem às custas dos demais... soberanos e escravos mutuamente...

Uma música - Tempo Perdido - Legião Urbana

Outra música - I can't spleep in silence - Skins

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Navegar


"Existirmos, a que será que se destina?"... Eis uma pergunta crucial e cruciante. Qual o fim que essa pergunta leva? Você é capaz de chegar lá?... Vez por outra pergunto à alguém "qual o sentido da vida?" e parece uma piada. É uma piada? Qual a sua resposta? Você já se fez essa pergunta? E se não, como viver dia após dia? E se sim, como viver dia após dia?... É difícil encontrar uma resposta consistente... em geral, pego-os na surpresa. Talvez se o IBGE incluisse esse item no censo, quem sabe que resultados não teríamos. Certamente a boa e velha resposta cristã da família, do emprego, dos filhos, sirvam para solucionar nossos problemas diante de uma pergunta inesperada e despropositada. Quanta insolência! Perguntar de uma mulher a idade, quero dizer, perguntar à uma pessoa o sentido.

Eduardo Galeano ante a pergunta: Para que servem as utopias? A resposta: "Servem para caminhar". Como um horizonte, que a cada passo que se aproxima, se distancia, como uma delícia amarrada em uma vara e presa às costas, que quanto mais buscamos, sempre se afasta, e assim seguimos puxando a carroça, a vida, feita em esperanças, no por-vir, no potencial amanhã, justifica-se a si mesma. E assim, fugimos a perguntas mais difíceis. Fernando Pessoa disse "Navegar é preciso, viver não é preciso". Paradoxal em aparência, substancial, na inconsciência. Não tendo razão para viver, vagamos. Seja pelas terras ou pelos canais, pela rua ou pela vitrine, pela aventura ou pela moda, vagamos... Sem razão, sem rumo, sem propósito. Encontramos algo para o qual nos inclinamos e nos deixamos cair ladeira abaixo e chamamos realização... Qual o propósito?
Veja bem... viver não é preciso, pois nem sequer faz sentido. Veja bem, tomamos uma bebida cheia de químicos, enquanto comemos conservantes vitaminados, olhando para um tubo brilhante, conectados por cabos luminosos, máquinas, máquinas, máquinas... que servem para? Nada. Serve, em grande medida, para elevar-nos, para dar-nos a sensação de superioridade e tal sensação, assim, justifica a vida... É isso? Vive-se para viver uns sobre os outros? Mais bonito, mais rico, mais inteligente do que o outro? Ou então, trabalha-se arduamente para obter conforto... hm. Faz sentido, o desconforto justificado pelo conforto, horas a mais de trabalho, horas livres dedicadas, estresse e saúde esgotadas, muitos trabalhando para poucos, por um sofá, uma poltrona de couro, um queijo de cento e cinquenta dinheiros o quilo, um vestido de três mil dinheiros, uma tv de quator mil dinheiros e um carro de trezentos mil dinheiros? Hm, uma boa razão para viver. Ou então vive-se para expressar. Expressar a razão de viver, ou a desrazão de viver, ou a psicodelia alcólica, lisérgica, fumegante... ou qualquer elemento... simplesmente, justificando... n'um círculo, um cão mordendo a cauda... A vida... Assim, sem sentido, seguindo... "Viver não é preciso"... navegar à deriva...

Uma música - Cajuína - versão Cibelle

Uma música - Ausência praia - Antonio Pinto

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Vô não!

Tem dia que eu me entrincheiro e digo - vô durmi não! (foda-se (o) amanhã)

Uma música - T'es Beau - Pauline Croze

Solte...


Não, você não nasceu plantado, fixo, alojado, enjaulado... não, você não nasceu assim... lá, muito muito tempo antes de você saber-se nascido, tu eras um grãozinho velejando no vento... era um pardal afoito, uma vela escura tremulando na maresia, um toco de madeira n'um mar incerto, um par de pés saltitantes e sempre em frente... ah, sim, era você que a todo canto ia... e nada te prendia, nada te fazia ficar, parar, deixar o caminho. Você não tem essa cara de hoje, esse olhar de pedra, esses pés de lodo, você era um cavalo selvagem, um lobo da floresta, um esquilo furtivo, a raposa astuta, a coruja e a noite, a mariposa e a folha caída, levando a vida a outros e outros... O movimento, o catavento, o sopro, o relento... era você e todos nós...

Uma valsa cigana - Malinkovec Valzer - Maxmaber Orkestar

Muitas caras na mesma canção - 500 pessoas em 100 segundos

Tic-Tac-Tic-Tac


Maldita bolsa pesada! Ai, como odiava. Mas também não poderia sair na rua sem ela. Como as pessoas conseguem passar sem agenda, caderno, textos, marca página, câmera, livros, escova de dentes, tudo ao alcance da mão? Impossível. E ainda dizem que o impossível não acontece... Pois é. Estava na rua, mas nunca sozinho (lembra da bolsa?), indo para qualquer lugar. Resolver algo. Difícil é não ter nada para fazer. Fosse cobrir alguma matéria, uma reunião, consertar alguma maldita coisa quebrada, sempre em movimento... Dá nos nervos, sabe? Não parar quieto. E quando pára, faz qualquer coisa que o tempo passa tão rápido que parece que não parou... Quando foi a última vez que o tempo passou devagar?... Hmmm... olhando p'rum lado e pr'outro, puxando da memória. Lembro de uma vez que alguém riu porque disse "a última vez que tive tempo livre foi em 2007". O apocalipse bem que poderia chegar logo... aí sim o tempo nasceria novamente, todo o tempo do mundo. O mundo tem muito tempo, ele sim. Inveja... qualquer coisa pra ele e milhões de anos passaram... Ele não... fugir é quase impossível... seria preciso fingir um suicídio para se livrar de tudo e poder, enfim, andar pela praia como se nada esperasse para ser feito... simplesmente livre. A liberdade é irmã do ócio e filha da angústia, sobrinha da ansiedade. Puta ansiedade quando está ociosamente livre, puta angústia quando não se tem tempo para nada. O Zen nos ensina como encontrar o equilíbrio, passar por todas essas bobagens da vida como se estivesse no alto de uma montanha onde reina a paz. É, é lindo de se imaginar... O último presente que ganhei, e diga-se de passagem, um dos mais úteis, e requisitado por mim, foi um relógio despertador. De preferência, e foi o caso, daqueles com dois sininhos no alto que tocam desembestados quando desperta! Barulho infernal! Para ver se acorda cedo da insônia e meter-se na correria de fazer algo de útil. Mas não se lembrou que com ele vinha de brinde aquele barulhinho de relógio, tic-tac-tic-tac infinito. Lembra a infância, aquele imenso relógio de madeira na casa da avó que badalava fantasmagórico à meia noite doze badaladas metálicas e fazia o mesmo tic-tac-tic-tac. Me parece também o relógio do apocalipse, como se o tempo do mundo naquela ampulheta gigante estivesse cada vez mais próximo... me lembra ainda um vídeo do greenpeace que não deixa de ser apocalíptico, mostrando como as florestas tropicais estão sendo motoserradas enquanto a insônica come nossos nervos e como os oceanos estão sendo pescados predatoriamente e o mundo se tornando uma imensa bomba nuclear. 2012 está aí, viva! Enfim, de um lado para o outro, tentando encontrar sentidos e significados para as coisas, ele segue postergando aquela data. Oh, data esquisita, que não sabe se um dia chega ou se de uma hora pra outra, sem ninguém esperar, vai lá e boom! É, aquela data de ir-se, só não sabe se desse mundo ou dessa cidade, país, etc... Sequestrá-las durante a noite, fazer umas malas bem rápidas, e mandar brasa n'uma arrumação estranha de cigano pós-contemporâneo. E talvez viajar um pouco no tempo. Encontrar aquelas partes da terra que estão séculos na frente e aquelas que estão séculos atrás... e vice-versa... investigar. Interessante deve ser viver cada dia tendo que descobrir como descolar o dia seguinte. A liberdade é inimiga da estabilidade. Estabilidade pede muitos sacrifícios e o primeiro é a liberdade... atualmente, a religião da burguesia é a estabilidade... se tornaram socialistas sem saber, todos loucos pelo sonho do emprego pleno, estável, vitalício. O que é mais parecido com mais-do-mesmo o resto da vida? Minhocas e 7 palmos de chão. Putz, melhor morrer, né? E é isso que eles querem... como? O mundo é uma trilha enorme a se percorrer... porque a humanidade não peregrina até descobrir a razão e a emoção da existência? Era uma boa... foda seria o trânsito, com 6 bi de nômades... acho que o mundo parava de rodar, com tanta gente rodando... MAS, logo logo essa gente toda diminuia de quantidade... andando por aí, ter filhos demais não seria uma boa política, acho... É... o calendário zen tá ali na janela. Um dia ele se abre e eu me jogo.

Uma Música - I don't wanna fall in love - She Wants Revenge

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Terra

A imensa árvore não escapa do cupim.
A vida não escapa de si.

Contos vindos do nada (I) - parte II


Aquele cheiro a levou subtamente para sua infância, quando, em sua primeira casa, sua mãe fazia pães caseiros aos domingos, quentinhos, fofinhos, dourados, com fina camada de grãos de açúcar... Essa visão aqueceu o corpo como uma lareira n´uma noite de inverno, em algum lugar onde de fato tenha inverno (frio). Ela parou, concentrando-se na sensação.
- Venha, não chegamos ainda. É mais pra frente. - Disse o rapaz, aproveitando a oportunidade para segurar-lhe a mão.
- Ah, está bem. Estou indo.
Percorreram a pequena rua, estreita demais para passar um carro. Ali brincavam, seguras, crianças de bolinha de gude, pular corda e amarelinha. Uniformes escolares secavam em varais estendidos na rua, pois as casas eram pequenas demais e a rua era uma extensão das casas de todos. Dobraram a esquerda em outro beco, cruzaram com uma bicicleta azul com cestinha e fitas, sobre a qual uma menina pedalava, trazendo as compras da semana. Saíram n´uma clareira urbana, um campinho de futebol rodeado por casas e três árvores diferentes.
- É por ali. - Disse o rapaz.
Ainda de mãos dadas, ele a conduzia para qualquer lugar. Para ela, era uma descoberta dos detalhes daquela cidade... bairro... comunidade... pessoas... Ladeando o campo, onde acontecia a final de um campeonato de meninos de rua, entraram em outra rua e percorreram rapidamente um ligeiro labirinto de ruelas, chegando finalmente à outra pracinha onde quatro árvores enormes garantiam uma sombra fresca, uma abóbada natural. A praça era no limite da terra, de onde descia uma colina. Podia-se ver ao longe, a cidade lá em baixo, a serra no horizonte. N´um dos galhos das árvores majestosas, havia um balanço improvisado, de cordas e tábua de madeira. N´um outro canto tinha uma cigarreira.
- Estás com sede? Adoro tomar o suco de maçã com tangerina que tem ali. Vamos? Eu pago.
Sem dizer nada, ela o seguiu. Ainda olhava a vista, as árvores, as coisas.
- Olá mocinho. Nunca mais tinha lhe visto. Pensei que estivesse esquecido de mim - Disse a senhora que cuidava da cigarreira. - O de sempre?
- Com certeza! Dois, por favor. Caprichados.
A senhora sorriu, aquele sorriso mais que um simples sorriso, como uma insinuação, uma troça, achando graça do casal imaginário que via.
- Ah, e me vê aquele pastel de presunto e gorgonzola especial também. - E virando-se pra garota - Você vai amar o pastel da Dona Amélia. É fodástico...
A menina esboçou um sorriso tímido, mas permanecia calada. Quando a senhora entregou os sucos e o pastel, foram sentar-se n´um banquinho.
- Então, o que achas? - Ele perguntou.
- É realmente muito gostoso. - Disse ela, ainda mastigando.
- Não, estou perguntando daqui da praça.
- Ah, muito lindo. Obrigado por me trazer aqui. Eu nunca encontraria sozinha, depois daquelas curvas e ruazinhas. Na verdade, acho que nem sei voltar.
- Não se preocupe, eu te levo de volta. Mas não agora... né? Você já quer ir embora?
- De jeito nenhum... está ótimo aqui...
Fez-se um momento de silêncio... Um silêncio quase natural, transpassado apenas pela ansiedade do menino. Ele sentia algo estranho na boca do estômago, como se uma emoção estivesse prestes a pular de dentro dele... Era à tardinha e o sol ia se pondo, entre as nuvens cheias, pintadas de mel e calda caseira de morango...
- Eu lembro que um dos muitos lugares em que já morei era uma cidadezinha na serra e um dia, andando pela cidade ao léu, encontrei um lugar bem esquecido, mas que tinha uma vista maravilhosa das colinas, do horizonte, do além do longe... e eu gostava de passar tardes inteiras ali, sozinha, olhando... observando a brisa, a luz, as gotinhas de chuva que hora caíam, os passarinhos...
Enquanto ela falava, ele observava sua boca com tanta atenção que estava quase a tocando com o olhar... Quando percebia sua atitude, desviava o olhar, dava uma mordida no pastel disfarçadamente, mas ela nem notava, tão absorvida na paisagem e na imagem que tinha na mente daqueles tempos idos...
- Muitos lugares em que já morou? Como assim?
- Ah, é porque eu vivo me mudando. Quero dizer, meus pais... e eu vou no meio... Nunca passamos mais que um ano n'um lugar... - disse as últimas palavras de maneira quase inaudível, como se uma pequena bolinha de tristeza tivesse apertado os sons finais...
- Um ano?! Mas, faz quanto tempo que você chegou?
- Poucas semanas... Três, na verdade... e veja só! Já conheci esse lugar maravilhoso! Graças a você!! - disse isso de maneira entusiástica, dando-o um abraço ao redor do pescoço que quase o asfixiou... não porque ela o tenha machucado, mas porque o ar lhe fugiu de tamanha surpresa e emoção. Seu rosto corou e ele ficou envergonhado com o gesto de afeto tão espontâneo, mas não esboçou nem uma mínima resistência... Rapidamente ela desenlaçou-o e pegou novamente o pastel que tinha pousado no colo. Deu antes o primeiro gole de suco, disse pra ele que estava muito gostoso e depois fez silêncio... mordiscando o pastel, para demorar o máximo possível para acabar... Ela estava sentindo uma sensação tão inesperadamente gostosa em estar ali que quase sem perceber queria prolongar ao máximo o pôr-do-sol, o suco, o sabor de queijo e a presença praticamente desconhecida... não conseguiu dizer mais nada... e ele não queria tocar no silêncio... ficaram apenas observando... contemplando a serena jornada do sol até seu fenecimento diário... Quando acordaram do sonho, viram que era melhor irem embora, pois por ali à noite podia não ser tão acolhedor quanto de dia... perceberam que os sucos e pastéis estavam quase intocados e tiveram que engoli-los rapidamente, aproveitando apressadamente do sabor... e foram correndo de volta para a pracinha... Ele segurava na mão dela que se deixava levar... até estarem novamente em frente ao banquinho.
- Eu moro ali.
- Eu sei.
- Quer subir?
- Não, obrigado. É melhor ir para casa... Gostei muito do passeio, do lugar pra onde você me levou. Foi muito especial - Dizendo isso, ela rapidamente se aproximou, ficou nas pontas dos pés e deu-lhe um beijo na bochecha, quase encostando na boca.

(Parte I aqui)

Há muito


Concentre-se na música. Instrumental. Como a vida. Sem palavras, para não haver desentendimentos. O ritmo contínuo, renovando-se ininterruptamente todas as horas, o inspirar e expirar... Tente dormir e manter-se lúcido. Nevegue nos pensamentos expontâneos... Feche os olhos, ponha um lençol sobre eles... não mexa o corpo... abandone-o por um momento... Relaxe... Sinta o vento calmo do ventilador... Desconstrua-se. O que é sonhar? Qual o seu sonho? O vazio, o vácuo... o não... o fora...



Escrito no dia 01 do 12 de 2010...

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Manifesto Quebrapernalista Panexistencial


Quebra da Arte. A Arte da quebra.

Derrube tudo. Dar uma rasteira é a maior obra. Não deixe nada de pé!

Nada é real... desmanche a farsa! A verdade é uma mentira... Desminta!

Proponho uma Arte que não aceite. Nada!

A única certeza é que não há certeza sobre nada. Antes de falar, já não é... Antes de pensar, já não é... Antes de ser, já não é...

O que somos não é o que somos... O refugo de mitos institucionais, as ficções vomitadas que nos dizem o mundo, a bosta da civilização (sua essência): quebre!

Jogue das prateleiras da história e do pensamento todos os ícones, conceitos, coisas, instituições, formas, espaços, explicações... O que sobrar, atire pela janela do vazio!

Como uma criança, não deixe nada de pé, inteiro, incólume. Pedra sobre pedra.

Uma Arte da transformação, da mudança, da insurreição...

Instável. Desestabilize as bases, rache-as, trinque-as, sabote-as... um terremoto de imprecisões e impercepções. É preciso parar de acreditar: destroçar o que sustenta o espírito, a individualidade, o coletivo, o preciso. É preciso destruir a ordem que mantém o sistema.

Quebre as pernas! Fique sem chão, teto, três dimensões... pule no vazio.

Respire e sorva vazio. A solidez derreteu... a verdade ruiu... o castelo foi tomado pelos bárbaros. O império caiu. Caia! E leve tudo com você... Pedra, sobre pedra...

A existência dará lugar a não-existência: não há diferença entre vida e morte. Tudo é fluxo. Nunca para. Destrua o medo que segura a multidão (e você)... Destrua a perda que amarra as forças... Sem o medo da perda, o opressão não se sustenta.

Uma Arte para que ninguém aceite.

Faça, ao invés de aceitar o que fizeram para você...

Construa, ao invés de comprar pronto...

Não-Seja, antes que lhe digam o ser...

Lhe disseram que o mundo é este. Porra nenhuma... o mundo não existe ainda, espera pela quebra das macro ilusões, das intro ilusões, das pan ilusões...

Não acredite no ilusionista. Faça seus próprios truques... crie sua própria mágica, sua própria fantasia... sua própria essência ficcional...

Destrua a mentira que conecta: destrua a instituição “verdade”

Toda verdade é uma forma de dominação.

Puxe os fios, morda as amarras, dinamite as fundações... Só o que restará é o talo da planta, a seiva, a polpa...

Da humanidade, não deixe pedra sobre pedra...

O que chamamos de Humanidade é uma abstração hedionda baseada no esmagamento de nossos crânios por uma parcela minúscula da megapopulação de humanos.

Não existe Humanidade. Existe os que mandam e os que obedecem... DESOBEDEÇA.

Desobedeça a ordem e a autoridade dentro de você.

O autoritarismo e a desigualdade há dentro de você, nas concepções e conceitos que você tem de si e da existência. Quebre o abstrato substrato da defecação da qual nasceu. A hierarquia é um trono de mentira que espera ser queimado.

Balance as cadeiras sobre as quais repousam os mandatários: a partir de hoje, não falam mais nada. Não se fala mais nisso.

Por uma Arte que quebre...

Do pó, nasce a panexistência.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Te


Uma praça vazia...
Um caminhar sem chão...

O calor e o frio
Seguro tua mão
branca de pluma
Sai voando
o meu coração...
.
Uma folha de papel
rabiscada e azul
E burburinho tristonho
Do cálido
mar
O som do piano
marinho e salgado

Uma voz cantando
baixinho e molhado

Uma saudade de carinho
Uns desejos, bem-amar

O pé e a areia arrastando

as gotas de chuva e prazer

O vento gelado e feliz
A calma, a paz, a dor

A luz, a chama, o amor
...
.
Algo assim, sensações...
Mil cores de emoções
Uma canção em dois mundos

Dois tão bom e tão juntos...

.
Duas músicas - Te valorizo e Te mereço
- Tiê

terça-feira, 14 de junho de 2011

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Ah, palavrões... as palavras mais importantes da língua. No mundo social, consciente e revolucionário considera-se da maior importância defender as minorias perseguidas... nas línguas, os palavrões são as minorias perseguidas! E precisamos defendê-los! Não faz o menor sentido eles serem relegados aos guetos da linguagem, aos momentos de ira, aos sujeitos considerados baixos e vis... A língua culta é uma língua de cu se não considera que o verbo mais importante é fuder, porque tudo é foda, e assim sucessivamente. Outro dia vibrei quando estava lendo um livro infantil que comprei para meu irmão e lá, no meio daquele livro infantil, bonito, inspirador, cherokee, o vovó vai e fala "aquele filho-da-puta!"... Caralho, eu vibrei! Vibrei com a visão de um livro infantil que não tem pudor nem moralismos idiotas e manda um belo palavrão no lugar certo na hora certa! E ri MUITO imaginando o momento em que o pai e o filho estiverem lendo e se depararem com a pérola, a obra prima de todas as linguagens, aquele palavrão um tanto machista, mas, enfim, necessário! Já tentei substituir por filho-de-um-caralho, mas não pegou... talvez um dia pegue... vamos ver... Enfim, em todas as línguas, o que mais importa aprender são os palavrões... fuck, sheise, cabron, carajo, a porra toda... É assim que descobrimos realmente como nos expressar, como ir ao âmago da existência, como traduzir para o mundo o que se passa em todos os planos de nossas vidas...