Cuida de Si
Dá-se tempo
Põe tudo no lugar
de novo
Cria teu altar
Celebra tua Vida
Cada instante
Cada lida
Valoriza, pois fez parte
da tua jornada
da tua obra de arte
De si, em tudo que estás
És importante
Para Tudo
Cuida de Si
Faz teu lugar sagrado
Põe nos gestos significados
Simboliza cada ato, cada acontecimento
Atenta, vai mais longe
Aprofunda, respira longamente
Descansa, não precisa se mexer agora
Deixa ir tudo que já não dava mais
Segura no coração tudo que importa
Aquieta, aguarda, toda ferida cicatrizará
Cuida de Si
Cultiva-se, cultiva teu próprio jardim
Alimenta tudo que te alimenta
Acolhe tudo que se abrir diante de ti
Acarinha sua criança interior
Brinca de ser livre e senhora
de si, de cada escolha e decisão
Dança e saboreia o prazer de existir
Ouve as melodias que te curam
Inspira a beleza do céu e da noite
Cuida de Si
Cuidando de quem está perto
De toda gente que te precisar
Ampara, esteja pronta para apoiar
Perdoa tudo que pesar
Enleva a alma e se permite voar
Viaja mesmo sem sair do lugar
Aceita tudo que não puder mudar
E muda tudo que precisar
E ama
A si
A ela
Tudo
domingo, 12 de novembro de 2017
Desaba-far
Cava, cava, cava, joga fora o entulho, os pedregulhos, os grandes pedaços de cinzas endurecidas que haviam se acumulado nas bordas desta imensa caverna cardíaca. Abalo. Detonação. Explodiu e ruiu um pouco mais meu coração. Ficou maior? Não, apenas mais vazio. Mais rarefeita ficou a atmosfera daqui. Para asfixiar toda forma intrometida de vida, toda desobediente tentativa de nascimento do que quer que engane, que cause ainda mais partidas e rupturas. Contenção. Conservação. Não dá para criar nem cultivar nada aqui. Está seco. Mais seco. Drenar ainda mais qualquer umidade insolente que ouse permanecer. Não quero ver nada crescer. É preciso morrer. Já quebrou demais, inundou demais, não aguenta mais. Abandoná-lo para que ninguém mais possa abandoná-lo. Fechá-lo, para que ninguém mais possa rejeitá-lo. Mais um ciclo recluso, frio, glacial. Que a distância entre qualquer outra superfície seja maior que o Atlântico, que a profundeza deste frio seja maior que o Pacífico, que a tristeza aqui reinante cauterize e preserve, bloqueie todas as aberturas, as janelas, nenhuma brisa mais, não dá mais. Que este buraco negro se absorva agora, acumule-se, permita adensar-se, aumentar-se em sua gravidade para dentro de si. Basta. Não dá mais. Todo caminho para fora é vão. Canalizar seu interior para fortalecer, endurecer, para suportar as lidas, suas tarefas aforas, vamos olhar para fora, encerrada a visitação, nenhuma mais acomodação, agora apenas uma câmera de pulsos e impulsos necessários para realizar suas missões maiores que si. O eu se desfez, desmanchou, pisado e desprezado. Agora resta apenas Tudo. E Nada.
Recomeçar
Ele amava ela pra valer. Foram vários anos de magias e percalços. Um tombos feios. Uns desejos loucos. Umas crateras barra. Uns magnetismos insanos, boreais. Um bocado de sorvete, de deleite, de quentes. Foram um bocado de anos bonitos. Todas as presenças cheias de afeto, todos os olhares se esforçando para enxergar mais um pouco além do que qualquer outra pessoa já tinha visto uma na outra. Uma vontade verdadeira e intensa de estar junto até onde pudessem chegar, mãos seguras e firmes, partilhas dedicadas e sensíveis, brincadeiras e trocas bonitas. Foram muitas horas de conversas, carícias, alegrias e uns bons litros de lágrimas lavadas almas. Foi tudo isso e mais um pouco. Foram viagens sonhadas e realizadas, imagens contatas e vividas, sabores provados e deitados. Na praia, elas sorriram muito, ofuscando o sol como duas nuvens carregadas. Na noite elas dançaram cores, perfumando os gestos com seus afetos ritmados. Fotografias relatam que o amor foi maior do que coube no enquadramento e o brilho dos corações estourou a luz da cena. Quem já ouviu falar na história delas não entende, discorda, dá conselhos errados, afirma !não avisei?", ou talvez já desistiu de se surpreender com as reviravoltas mais absurdas que nenhuma roteirista jamais poderia imaginar. O mundo dá voltas, sim, como corpos entrelaçados numa cama. A Vida ensina sim a gente a cuidar do que importa, de quem importa mais do que nem podemos imaginar. E a Vida ensina também quando é hora de deixar estar... quando deu, quando o que vale agora é ser feliz por tudo que foi, pelas histórias felizes que temos para contar para nós mesmas... Porque o que foi bom não deve ser lamentado.
Recomeçar - Tim Bernades - O que começa terá seu final...
sábado, 11 de novembro de 2017
Pequenas Grandes Dores da Vida¹
Seu rosto virando, me evitando, quando ia te beijar,
Seu corpo me repelindo, não me querendo, a me afastar
Seu olhar triste e frio por me machucar
Seu conforto frágil que só quer esperar
Seu calor passado que só posso lembrar
Seu ardor perdido que não posso mais alcançar
Seu tesão infinito que afinal acabou
Seu sorriso lindo que não mais sentirei
Seus olhos doces que não mais olharei
Seu cheiro amado que não ama mais o meu
Seu sentir delicioso que não me sente mais
Seu gemido mágico que nem quero lembrar
Cada lembrança bonita que não sei onde boto
Sua presença bonita que agora é ausência
Por todo amor que me dói
Mas só dói porque era amor
Era bonito, foi mais
Valeu cada agulha no peito
Te queria e quero, mas
Assim é, assim foi, assim faz
Eu me demito, por fim... Faz - Phill Veras
Seu corpo me repelindo, não me querendo, a me afastar
Seu olhar triste e frio por me machucar
Seu conforto frágil que só quer esperar
Seu calor passado que só posso lembrar
Seu ardor perdido que não posso mais alcançar
Seu tesão infinito que afinal acabou
Seu sorriso lindo que não mais sentirei
Seus olhos doces que não mais olharei
Seu cheiro amado que não ama mais o meu
Seu sentir delicioso que não me sente mais
Seu gemido mágico que nem quero lembrar
Cada lembrança bonita que não sei onde boto
Sua presença bonita que agora é ausência
Por todo amor que me dói
Mas só dói porque era amor
Era bonito, foi mais
Valeu cada agulha no peito
Te queria e quero, mas
Assim é, assim foi, assim faz
Eu me demito, por fim... Faz - Phill Veras
terça-feira, 26 de setembro de 2017
Só agrado
Sagrada é a Vida, oceano de possibilidades
Nas ondas das quais nos avistamos no horizonte
e com bravura e astrolábios, velas cheias de vontade
alcançamos nossas praias e nela fincamos bandeiras
Marcas de nossas escolhas, frutos da urgência cardíaca
Que troveja e relampeja ante nossos olhos cruzados
Nossas mãos amarradas e corações içados
Abertos para o universo tão bonito desse querer
Sagrado é o instante, ímpeto da atenção
Presente, tesouro, ilha paradisíaca de sensação
Cada segundo, cada gesto, cada olhar dourado
Nesta montanha de riquezas que é estar ao teu lado
Cultivar tuas magias, desvendar teus segredos
Com dedicação e desejo, desbravando teus seios
Amar-te mais que o sol, queimar-me em teu calor
Deitar-me nos teus sonhos, borrando teu batom
Sagrada és tu, somos nós, é estar e cuidar
É sentirmos confiança, fortaleza e ternura
Quando os ventos derrubam podermos nos apoiar
E na manhã seguinte voltarmos à aventura
Nas ondas das quais nos avistamos no horizonte
e com bravura e astrolábios, velas cheias de vontade
alcançamos nossas praias e nela fincamos bandeiras
Marcas de nossas escolhas, frutos da urgência cardíaca
Que troveja e relampeja ante nossos olhos cruzados
Nossas mãos amarradas e corações içados
Abertos para o universo tão bonito desse querer
Sagrado é o instante, ímpeto da atenção
Presente, tesouro, ilha paradisíaca de sensação
Cada segundo, cada gesto, cada olhar dourado
Nesta montanha de riquezas que é estar ao teu lado
Cultivar tuas magias, desvendar teus segredos
Com dedicação e desejo, desbravando teus seios
Amar-te mais que o sol, queimar-me em teu calor
Deitar-me nos teus sonhos, borrando teu batom
Sagrada és tu, somos nós, é estar e cuidar
É sentirmos confiança, fortaleza e ternura
Quando os ventos derrubam podermos nos apoiar
E na manhã seguinte voltarmos à aventura
sábado, 23 de setembro de 2017
Pequenos Grandes Prazeres da Vida [5]
Acordar cedo, disposta, com a música batendo no peito, o corpo exercitando energia, renovando células e sentidos;
Poder parar, cuidar de mim, arrumar a cozinha, fazer um festim diabístico de comidas maravilindeusísticas!
Criar, sonhar, viajar para outros mundos, estar aqui e agora, respirar, pisar no chão
Tomar banho de lagoa depois de um trampo intenso e restaurar a vida
Cuidar das pessoas e cuidar da Terra
Fortalecer-me cada dia mais para ir além, realizando meus fazeres e seres no mundo, dedicando-me a tudo e todas que me cercam, abrindo horizontes, ampliando portais, criando universos espectrais
Poetizar-lhe a vida, encantar-lhe os sentidos, dedicar-lhe carícias, sanar-lhe o apetite, acarinhar-lhe o sono, consolar-te as lágrimas, deflorar-te ardores, sonhar-te perto
Dançar, dançar, o que pode alguém em êxtase ou curando-se senão dançar?
Sorvete preferido de todos os tempos com a pessoa preferida de todos os tempos (ou só mesmo, já é lindo)
Esquecer-me um pouco em fantasias outras de telas ou cartas ou páginas ou peles
Inspirar-me, aprender mais e mais formas de ser e estar em autonomia, corresponsabilidade, companheirismo, transformação da realidade
Ir além com os pés no chão, mãos na terra, coração no infinito
Conectar-me com a divina dentro de mim e em tudo, sentir-me no coração da Mãe Terra, integrar-me com o cosmo e contribuir com a conexão de outras pessoas irmãs
Tua boca, teu sorriso, teus olhinhos brilhantes
Abraços demorados sinceros de cuidado e amor
Dizer e ouvir eu te amo de todas as pessoas irmãs que eu amo
Ouvir me dizerem meu nome próprio
Ouvir me tratarem pela minha identidade de gênero
Sentir-me reconhecida, valorizada, respeitada, apoiada, ouvida, aquecida
Sentir-me profundamente comigo, firme, confiante, forte, capaz, potente, criativa, amorosa, cuidadosa...
terça-feira, 29 de agosto de 2017
Mágica
A urgência engole o fino e leve tempo
Faltam palavras neste vendaval sereno
Aquela que amei me faz tanto e pequeno
Acolhido amor em teu sacro seio ameno
Vem comer na mão dos vastos versos
De teu cerne cervo altivo das planícies
Correndo com´as folhas aladas nas montanhas
De gotas de orvalho que pingam das carícias
Ensinas o sonho que brinca ao bem nascer
Guias as flores ternas e destemidas
Rumo à utópicas florestas de mágico saber
Sabores de seivas e doçuras desmedidas
Enlaça dedos e danças bailarinas
Clamando cores e cantos cintilantes
Amor, mereces o céu e o mar de fartas delícias
Viver mais do que tudo, viver mais do que antes
Bem-vinda, maga mística dos sentidos
Acolho-te e dou-me toda ao teu ardor
Faz de mim brinquedo e bússola dos perdidos
Para dissolver-me e ser-te e ir-me junto e só
Unida divina forma de perfume suor
Querida comigo queimas aonde for
Emiliana Torrini - Birds - para flutuar
EnKaroLar
O azul dedilha linhas macias na janela
Cálida curva desenhas junto a mim
Quem fui chora cântaros de deleite
Por que hoje posso contigo estar, feliz
Miríades d´emoções n´algures além mais
Sentindo paz e voraz querer-te já
Grata canto quentes caracóis
Caminhando arrepios nos teus miles´sóis
Casta vá, dia e noite
Pura, despida, comigo coite
Bebo ardo teus cenários
Tontamente derreto e m´espalho
Ao nascer pra ti de novo, nova
Decidida cura de todos os idos
Ritos, Mitos
Gritos, queridos
Misto
De tudo e de ti comigo
Risos
Salgados doces e pervertidos
Preciosa sensação
No meu coração.
Hold Heart - Emiliana Torrini - para derreter
sexta-feira, 30 de junho de 2017
Enteógena
Estalam os limites
Sentidos delirados
beijand´os céus dos
seios desejos mais
profundos descendo
pelas pernas
dos meus dos seus
saturnos
Caindo pelas beiras
das danças dos
segundos
Bates
Minhas portas
Da pele dos satoris
Os dentes queimam despes
as asas velejantes
as casas amarradas
nas costas de vermelhos
Vem sou ti mais quero
Ver desde sendo seta
A luz ser nação
Em teu corpo continente
Moro manto mar
que cresce e beija e queima
E me desperta tudo
e deita
no meu mais
longo amar
Para K
No Ninho de Leelas
Da Casa Caracol
Alto da Torre
das Brumas
quinta-feira, 29 de junho de 2017
Em-mim´moras
Desenho teus olhos com traços elétricos
Que incandeiam meus nervos da memória
Percorro seu pescoço em endorfinas
Liberadas pela sugestão da sua presença
Arrepio meus pelos na sensação que os teus
Me causaram e aqui permaneceram
Deito em teu colo acarinhado
Nos recantos das lembranças cultivadas
Suspiro teu cheiro unicamente teu
Que nenhum perfume se compara
E em meus sentidos resolveu fazer morada.
Seguro tua mão imaginária
E durmo bem, quente e inspirada.
Para K
Levantada no meio da noite pelo estalo elétrico da inspiração do suspiro da saudade da vontade dela que despertou em mim...
Chapada do Araripe/CE
26/05/17
Poesia meio chinês meio libras
Lar deito sinto-te respirar
Laços braços pernas tece nós
Lento tempo quero tanto traz
Vem fica linda quanto mais
Quer sente calma chega dorme
Sonha segura flor afeto enorme
Pasmo balanço danço contemplar
Volta delícia sentido ao se chegar
Canto lembro vamos ser de novo
Gestos brotos nascem gozo gosto
Para K
26/05/17 no alto da Chapada do Araripe/CE com insônia de saudade
sexta-feira, 16 de junho de 2017
Amar-ra-te
Não conta pra ninguém,
Que está além
d´alheia compreensão
É um tesão
no coração
nas mãos
nos olhos fechados
Um carinho
no cantinho
do ser desejado
Uma loucura
Sem cura
Que faz um bem
danado
Ouvir-te aqui
dentro de mim
Cultivando ares
e mares de prazer
Em compartilhar
Aquecer
participar
de ti
Em mim
Assim
Bailante
e
Sensual
Uau
Quero mais
Ardor
Ofegante
E cuidado
pra que não faça mal
Faça amor...
Dançando Amárrame - Mon Laferte
terça-feira, 30 de maio de 2017
Próximos Espirais
Porta de vai-e-vem
Ciclos de evapora-e-chove
Cai-e-sobe, dói-e-cura
Ama-e-acalma
Começa-e-acaba
Acaba-e-tenta-de-novo
O verde na janela, salpicado de flores rosas tropicais
Com gatos passando por pontes suspensas
Entre cajueiros labirínticos e telhados engenbrados
A fraca luz de fim de tarde, quinze-horas-e-vinte-dois,
vidros coloridos e lâmpada sem graça
e pilhas de livros e garrafinha d´água
O riscado violoncelo entre sons mais agudos atormentados
Cavando uma beleza triste e preenchedora de vazios
As unhas azuis carcomidas e o amuleto verde florido no pulso fino
Cenários componentes desses estados de vida meio dormentes
Uma saudade revigorada, saída de uma caverna esquecida
Pouco mais de uma semana desde o fim do degelo
desse sentimento crônico que nos aproxima
Essa serpente caótica e sedutora que nos envenena
E cura e alucina e jura
que nunca mais e logo em seguida
Estamos nós, aqui, recaídos
Possuídos por nós
É bonito, é doce, uns toques azedos, outros doloridos
Mas é gostoso, vale muito, ainda valoriza e cresce
Agradece e pede cada noite outra vez que perdoe e cesse
as mágoas chovidas, absorva a terra para nova vida
E reflete, balança, calma: não se deixe excessiva
Cuide para que seja digno, saudável, colorido
Na medida, atenta e sensitiva
a todo indício e todo aviso, para que continuem
os ciclos, as espirais, nunca repetidas, mas
acrescidas, inspiradas, sensuais
Prazerosas e curiosas e seguras
e aventurosas e doçuras
Para nós
Film Credits - Oláfur Arnalds
sexta-feira, 21 de abril de 2017
7 memórias e 1 ficsonho
7 - Cuidado com o que você deseja, pode acontecer. Um dia sonhei/pedi/desejei viajar muito, muito. Resultado, passei quatro anos viajando quase todo mês, conheci quase todos os estados do Brasil e um país da América Latina mais de uma vez, a maioria delas sem gastar quase nada, muitas motivadas por trabalhos inspiradores, outras em busca de amores, outras atrás de sonhos.
3 - Minha última crise existencial (braba. as de leves rolam ao menos uma vez por mês) foi em 2015, prostrada na cama, sem querer me mexer para ir fazer o que "devia", mas já não acreditava. Naquele período decidi encerrar a vida que vivera até ali, o projeto de vida que tinha escolhido e buscado, fechar esse ciclo e começar tudo de novo.
4 - Passei 1 semana (que durou um mês) numa casa construída com materiais naturais e de baixo impacto ambiental (barro, bambu, madeira das proximidades, reciclagem de entulho, cerâmica quebrada reaproveitada, janelas de vidro de caminhão, garrafas de vidro, etc), em que toda a água cinza (de cozinha, pia de banheiro, xixi) era tratada de forma ecológica, todos os resíduos orgânicos (restos de cozinha, coco) eram tratados de forma ecológica, muita comida era produzida em horta e agrofloresta, tinha teto verde, tinha painel solar, tinha fogão a lenha, tinha tapioca deliciosa, tinha amor, tinha uma nova geração sendo cultivada, tinha livros inspiradores, tinha tudo que eu descobri que era o que eu queria pra minha vida (e ainda tem, tá lá em Minas, cada dia mais lindo!). Depois daquela viagem minha vida deu uma cambalhota e mudou de rumo.
2 - Vivi duas vezes a experiência mais intensa de conexão da família humana, de cooperação para o bem-viver de todas as seres, liberdade dos corpos nus seja no rio, na lagoa, no chuveiro, na vida, alimentos deliciosos e frutos do cuidado com a terra, descoberta de si, laços de partilha e gratidão entre todas. A família Arco-Íris (aquela dedicada a transformar o mundo e fazê-lo um lugar bonito e livre para todas) existe e se encontra.
5 - Ajudei a construir duas casas de barro. Levantamos as paredes delas em duas semanas, enquanto aprendíamos tanto sobre a vida, as coisas essenciais para viver com alegria e harmonia.
3 - Já me permiti expandir as portas da percepção, da consciência, do autoconhecimento, da conexão com o universo, com o movimento da vida, experimentando o que a Mágica de Tudo pode nos proporcionar, às vezes de forma tão simples, às vezes por caminhos mais dedicados e perseverantes.
6 - Já cai da cadeira pelo absurdo prazer de uma comida preparada com amor e carinho e já dancei até perder as forças e me jogar na água e lá ficar por horas
8 – Vivo numa comunidade utópica liberta da propriedade privada, das relações de poder e exploração entre gêneros, raças, espécies, em que o cuidado do Planeta, das pessoas e a partilha de tudo são os princípios que regem; e a criatividade, a transformação, o afeto, a incompletude do ser, a curiosidade e o tesão movem nossas vidas.
1 – Já morri de amor. E renasci várias vezes.
K
Afetos são, por ventura, como plantas pioneiras
Não há quem lhes arranquem do chão
Elas teimam em retornar, se espalhar, reflorescer
cada cantinho que for deixado de lado
será lentamente brotado
pelas primeiras jardineiras
que transformam a terra do ser
em trópicas intrépidas florestas
É´limentar
As cigarras recitam poesias
Cachorras bailam pelo alpendre
Cresce em mim uma simples alegria
Sabor de castanhas batidas maçãs e ameixas
Hoje acordei para alimentar a Vida
Uma singela missão que me faz sentir
Que há bons caminhos para plantar
e carinhos de sol para ouvir
Enquanto a escuridão nos dá conselhos
e a lagoa lava nossas margens
observo o movimento incessante
das possibilidades manifestas magicamente
mesmo que lugares em nós ardam
e lembranças e sonhos se espalhem
terça-feira, 28 de março de 2017
Temamor
Nos temos amor
numa particular forma
que envolve cultivar
saudade com um pouco de óleo
sobre chama azul e esperar
estourar uma vontade de conversar
e conviver temperados
com curry ou orégano ou até mesmo
tomilho ou mostarda os minutos
partilhados em horas de filmes marinhos
lagoas dançadas poesias em peles
sonos caminhados esperas abraçadas
shows sobre a grama motos gargalhadas
e carteiros e cartas
Tenho-lhe amor
numa particular medida
que implica absorver-lhe os dedos dos pés
e os pelos da nuca numa forma de arte só
minha de contemplação da beleza das formas
diminutas das alegrias que me causam tua
presença ainda que medida no ponto
suficiente para a receita dos afetos e gostos
não transbordar a forma que lhe cabe
e queimar no fundo escuro de cinzas
do coração usado achado na feira de usados
da avenida 8 desta cidade que habita em meus
matos molhados pelas épocas de chuva
00h49
28/03/17
Insônias campilhadas
Poeiras
O empoeirado abajur vermelho
das noites vermelhas de
inferninhos e suor e gozo
já não serve mais para nada
A caixinha vermelha carcomida com desbotados cinzas
vazia de camisinhas com teias de cabelos caídos
e recortes de frases a ocupar-lhe o espaço vazio
já não serve mais para nada
O sentimento de aperto no peito e taquicardia
e ansiedade e desejo e ânimo
de escutar todas as ladainhas
do dia dela e cozinhar-lhe doçuras e
fazer-lhe dormir com carícias entre as
sobrancelhas
já não serve mais para nada
As histórias vividas para ter o que contar
a ela nos intervalos dos gestos da cachoeira
gelada no raiar do dia e da caverna onde
cabe um prédio de sete andares e dos nasceres do sol
madrugados da insônia causada pelas loucuras
do peito
já não servem mais para nada
Até mesmo toda a decoração das paredes
escolhida para expor como enfeites fragmentos
e retalhos puídos dos detalhes da minha idiossincrasia
cozida em banho maria com raspas de chocolate de cobertura
amarga com traços de leite e manteiga de cacau
já não serve mais para nada
Porque ela já não liga não responde
visualiza demonstra interesse busca por conta própria
convida para uma peça de atriz ou companhia que marcou-lhe
a vida não sente nada ante qualquer referência ao vivido que lhe
passa a vista nem mesmo demonstra ter vivido aquelas infinitudes
com este que já não serve mais para nada
00h25
28/03/17
Inspirado nos poemas de Matilde Campilho lidos com um falsete sotaque mais lindo que ela tem
Com-pós-estar
A dor é tomada por fungos
E infinitos outros microorganismos
Que dissolvem cada partícula sofrida
Em menores partes de matéria viva
Que aos poucos se desmancha em terra
E transforma os fins em começos
Faz dos restos o melhor berço
Para sementes brotarem um novo
O pesar e sofrer regeneram
Um ciclo natural de mudanças
O perdão reúne nutrientes
Que entre a tristeza dançam
Ao deitar nesse chão há abraços
Que despertam o nascer d´outros laços
As flores sempre dão nesse campo
Pois há vontade demais de fazer
Das sementes belezas de encontro
E do passado outras formas de ser
21 de fevereiro, 23h22
E infinitos outros microorganismos
Que dissolvem cada partícula sofrida
Em menores partes de matéria viva
Que aos poucos se desmancha em terra
E transforma os fins em começos
Faz dos restos o melhor berço
Para sementes brotarem um novo
O pesar e sofrer regeneram
Um ciclo natural de mudanças
O perdão reúne nutrientes
Que entre a tristeza dançam
Ao deitar nesse chão há abraços
Que despertam o nascer d´outros laços
As flores sempre dão nesse campo
Pois há vontade demais de fazer
Das sementes belezas de encontro
E do passado outras formas de ser
21 de fevereiro, 23h22
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