sábado, 14 de julho de 2018

Novela



Morais Moreira
Penacho de Penas
Morro do Sol
Oi inesperado de longe
Cabelos Compridos Dançantes
Maracatu
Segura na mão
Celular
Sms
Pedagogia
Pracinha Setor I
Acaso
Beijo surpresa
Noite na Praia do Meio
Tapioca de Caranguejo
Limonada Mor
Beira Mar
Her
Calcinha Florida
Risos Bobos
Cartas Post its
Barquinhos de Papel
Contos e Poesias
Danças Doidas na Sala
Desencontros Estranhos
Sol na Praia do Meio
Despedida
...
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Saudades Locas
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Encontro Anual
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Praia do Meio de Cabelos Curtinhos
Inevitáveis
Parque das Dunas
Pracinha Setor V
Origami Carta
Vontades Locas
4x Amor
Fofurinhas
Delícias
Armaria
...
Traição
...
Imbecil
Idiota
Babaca
Estúpido
...
...
...
...
...
Drogas Noturnas
Sms
Pracinha Goiabão
Pancada
Ribeira
Carta
...
...
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Dr. Estranho
Matilde Campilho
Colchão no chão
Esquema
Despacito
Nego do Borel
Marília Mendonça
Pelamor
Medo
Coragem
26 de junho
Academia da Berlinda
Lulu
Pipa
Teatro
Anne with an E
Chocolates
Poesia
Melhor posição
Cáctus
Comidinhas
Genipabu
Não espera o carnaval
Inevitável
Respira Inspira Transpira
Libido
Pium
Questões
Abstinências
Quebras
Bochechas
Choros
Dores
Diferentes Planos
Chapada Diamantina
Cidade da Criança
Carnaval
Academia da Berlinda
Inevitável
Tão bom
...
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...
...
...
...

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Farol


Kalma, respira. Está chegando. Aquele trecho da trilha era íngreme, escarpado, mas proporcionava algumas visões deslumbrantes do universo. Dali podia-se observar a constelação do Bailar dos Barcos, contemplar o pulsar do centro da Galáxia Leoa e tinha-se a impressão de que o Sol e a Lua piscavam uma para a outra, quando fechava-se o olho direito e o esquerdo lacrimejava.

A medida que se subia aquela interestelar montanha, os corpos se tornavam mais leves, pois os corações eram incitados a inflar um tanto, pelo esforço, e tamanha já era a distância do centro do Ego, que a gravidade balançava e afrouxava um bocadim.

Ela ia na frente e muitas vezes desaparecia da vista nas curvas da relva, da floresta ou das ondas rochosas. Mas a confiança garantia que Ela estava logo ali. Ele aproveitou para contemplar seus passos, estudar seus sinais, apanhando alguns de seus fios de cabelo encaracolando-se pelo caminho, resgatando sua fragância captada pelas flores próximas. Levava consigo seu Xequerer, instrumento musical reinventado, com o qual dançava em sua caminhada, conduzindo sua respiração.

Aonde Ela for, eu vou, pensou, de qualquer jeito. Posso até me perder, mas o Beija-Flor que observa lá de cima e nos observa, sempre me deixa pistas. E o maravilhamento da vida de tantas formas me sopra que caminho Ela tomou. E não importa o que aconteça, seguir caminhando, descobrindo todos os detalhes dessa estrada, enlevando-se até a beira do voo, é uma aventura. Uma jornada cheia de encontros, com todos os seres mágicos que nos guiam por este caminho. 

No início do caminho, na planície ao pé da montanha, o Coiote travesso riu-se de seus tropeços e brincou "quando a gente ri, ficamos mais leves. Não esquece de libertar sua graça, emanar tua paz contente". E então ele riu-se de todas as suas feridas, gargalhando ao ponto de lágrimas brotarem em seus olhos, fazendo-o correr de alegria, até ouvir o rugir da água que caia dos céus rochosos. O Pavão decorava os caminhos até a cachoeira resplandecente e ao vê-lo, demorou-se examinando-o. Então lançou um canto profundo, advertindo-o da urgência de guardar e propagar a beleza da vida e do coração. Atravessando a passagem molhada das águas em queda, tomou-lhe uma profunda sensação de perdão, por tudo que errou, por tudo que sofreu. Aquelas águas eram como um bálsamo para os pesos que carregamos, sem precisar. Atrás abria-se uma caverna , início da trilha que subia a montanha. Um grande Urso guardava a entrada. Recitou-lhe os versos

“Tendo procurado no mais profundo
das montanhas longínquas
achei o meu lar.
Meu lar, onde tinha sempre vivido.”

*

E indicou-lhe que seguisse, pois era digno de sua confiança. A escuridão mostrava-o por onde ir, olhos fechados, mãos tateando seu interior, memórias e desejos mais impregnados, pistas de como chegar ao lado de lá, ao lado dEla. A luz se manifestou tão logo se entregou inteiro e chegou na passarela sutil que ladeava a montanha do universo, diante de um precipício cósmico, perante o infinito. Podia ouvir os passos dEla um pouco mais a frente. Estás comigo, eu sei, e estou contigo, até o fim. Por isso eu vim, por isso estou aqui e por isso sigo.

Então um chiado e um susto que fizeram-no agarrar-se à parede mineral. Uma Serpente eriçava-se, atenta a sua presença. Sua língua percebia no ar cada molécula de meus sentimentos e anseios. "Viajante, cuidado em cada passo. Percebe-te, donde te feres e a quem feres, para transformar teus venenos em outra forma de ser e cuidar. Que o amargo possa adoçar e o azedo chegue então a apimentar, aquecendo e intensificando o estar". E abriu-lhe caminho.

Ao fim, no pico, deparou-se com um surpreendente Farol, construção brilhante, cuja luz guiava cometas e amantes. Torre espiral que brotava das costas de um imenso Caracol.  Lá em cima ele A via. O Caracol olhou-lhe bem dentro e murmurou "O que é para ser, nada impedirá. Quem quer chegar, todo caminho levará. O amor inteiro torna tudo Uma", concluiu "Vá até Ela...".   

* O poema é um haicai de Dogen Zenji, mestre zen japonês.

Ao som de Bailar dos Barcos - Wado

domingo, 22 de abril de 2018

Sobre rochas


A vida não tem sentido
Logo dou o sentido que posso
Que convém
Que sangro

Carregando a existência como um barco
Às vezes flutuando, às vezes afundando
Encalho
Supero
Há dia de sol e céu
Há noite de vendaval
Há que suportar o que vier
E desfrutar o mais que der
Transmutar
Da carne para a planta
para o mineral
Retornar ao continente 
no final
Amontanhar-separa chegar
ao inverso de dentro 
e por pra fora

Praia do Meio
06h07

Poesia à Deriva


Como um mais um é três
Sei que a vida vale a insana
Mesmo que o pão engorde
E que prana não seja grana

A gente tá à deriva na vida

Mais perdida que partida de amor
Tem dias que passam vazios
Mas tem instantes que justificam

Como nascer o dia
nos arrecifes do coração
quebrando ondas 
sentindo conchas 
com as plantas dos pés
e com gratidão

Como brincar de música 
com sopro de acordeão
Ouvir pianos à beira-mar
Estar onde se pode estar
e bastar

A vida vaga cada dia
Ora sonhada, ora desiludida
Tudo que podemos fazer
fizemos
O que mais houver,
É gosto
Sentir prazer, morrer aos poucos
Não esquecer,
mas pensar pouco

Porque estamos aqui
para brincar
Cada uma do jeito que lhe aprouver
Se por ventura mais alguém vier
A vida vai saber amar

Em última instância
Tudo é sagrado, afinal
Não existe bem nem mal
Mas a dança da alternância

Praia do Meio,
6h13

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Arroio




Pequenos detalhes
Em todas partes habitam
Unidos numa torrente
De lamas e pepitas
Lentamente
Com as pernas molhadas
Ela balança a peneira
De pensamentos
Transformando montanhas
Em poemetos
Numa singela ânsia
De criar afetos
Dos mais discretos
Cascalhos-jeitos
Descrevendo dimensões
Narrando vazios
Debulhando cacos
De sentimentos
Cavucando beleza
Nos veios do peito

Casa Arco-Íris

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Hortelãs




Ela sabia que não havia motivos para lágrimas. Afinal, os passarinhos continuavam a visitar sua varanda. As flores desabrochavam sempre que o sol saia e havia mais dias de sol do que de chuva. As hortelãs eram um exemplo de perseverança. Murchavam e renasciam, com novos brotinhos de esperança no meio dos galhinhos secos. O pé de aroeira do outro lado da rua vez por outra lhe presenteava com pimentas rosas que tornavam seu suco verde mais especial. E não se pode negar que suas inspirações para cozinha haviam retornado junto com aquelas reações que amava “nossa, que comida mágica!”. Diante do horizonte inalcançável da vida, podia escolher plantar flores a cada passo ou sair caminhando pelas trilhas de cascalho, descalço. Doía, às vezes, como não poderia deixar de ser. Mas uma boa parte do tempo era aberta às bonitas possibilidades. Criar, inventar, experimentar tudo que houvesse para experimentar. Bastava abrir bem as velas para que o vento pudesse leva-la mais longe. E que a escuridão da noite não a encobrisse com pesos, mas a envolvesse com calmarias. Naquela tarde seria acalentada por um abraço quentinho, seus cabelos acarinhados pelos dedos de carinho, compartilhariam um chocolate entre beijos derretidos, deitadas olhando para as luzes piscantes na parede, as fotografias, as fumacinhas dançantes dos incensos e das velas, cantarolando canções uma para a outra, inspiradas pelas personagens descobertas nas nuvens. A vida era um dia inteiro por vez, repleta de sabores, sensações e sonhos. Que cabe a nós criarmos.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Vou te amar até tudo que há

 
Um amigo escreveu na minha parede, bem no alto daquele mural tão significativo de partilhas, num lugar que só ele, do alto de seu corpo longínquo, poderia escrever facilmente: Vou te amar até não poder mais. Nesse mês meio oco, de quase morte, que a raiz mais profunda do meu coração se agitou, indo embora, em que a conexão mais profunda que já vivi de repente, não mais que de repente, soltou minha mão e me acenou adeus, nesse mês em que não consigo, não posso aceitar que isso fosse acontecer, te perder pela terceira vez... me recordei desta frase.

Porque grita nos abismos do meu ser todos os seres e quereres em mim que você é a pessoa mais sagrada que já tive o milagre de encontrar - a energia, a gravidade, a epifania, a euforia mais doida e extasiante e profunda que eu já provei, mergulhei, cultivei, amei... 

Porque jorra de dentro de cada partícula do meu inconsciente, subconsciente, consciente, pós-consciente, de que não tem cabimento isso, de que a gente tem tudo para se fazer feliz e se apoiar nos momentos tristes e cuidar e cultivar e fazer da vida uma da outra a poesia mais encantada de que já se teve notícia.

Porque os seus planos são graciosos para mim, conhecer o universo contigo, provar o precioso, confortar o espírito no maior carinho do mundo e meu plano é poder cuidar de ti, é cuidar do mundo para você poder viver melhor nele, é multiplicar beleza para podermos adoçar nossos olhos brilhantes e úmidos.

Porque nada faz sentido, nada vale a pena, se não puder compartilhar com a pessoa que mais amo na vida, no cosmo, na minha insignificância...

Porque eu não consigo, não quero, não posso desistir de você...

A praia - Cícero - ela fez melhorar tudo que há...

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

GravIdade

Todo Amor vale a sina, ocorreu-lhe, olhando pro vento que balançava os galhos mais altos daquela Árvore da Vida. Deitada numa trança de cordas élficas amarradas como se trabalho de uma aranha enorme, ela sentia o balanço dos troncos movidos como mastros em um navio do tamanho da Terra. Navegando a cento e sete mil quilômetros por hora ao redor do Sol, ela buscava a cada ciclo longínquo  a conexão entre o brilho de seu núcleo quente e pulsante e aquele gigante ser compassivo, luminoso e explosivo que as estrelas mais sábias afirmam se chamar Amor. Percorrendo cada partícula invisível do Universo, está o que não se pode ver. Apenas de olhos fechados se pode sentir. A atração cósmica que move tudo. Tudo no Cosmos está em movimento. A energia mais enigmática e inexplicável que existe. Energia que se molda, se transforma, cresce conforme maior for o coração do Astro e é engolida quando seu coração se parte e se torna um buraco negro. Não importa o fim, se a infinita Vida que proporciona todas as experiências que merecem ser vividas, ou o inevitável fim de tudo que existe para abrir as portas do que está por vir... Tudo que É existe para este propósito, entregar-se ao Amor, ao Movimento que Une todas as moléculas, transformando-as, fazendo-as mais, além daquilo que imaginavam poder, transportando-as para novos mundos, tornando todos os mundos mais e mais belos, independente do tempo e do espaço, onde quer que esteja, a todo instante. O Amor criou Tudo, está em tudo e move tudo. Assim, se você procura, é porque já encontrou.

Hourglass I - Rauelsson - o som que vibra dentro de mim...

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Aceita, Entrega, Confia e Agradece


Fluxos infinitos em universo infinitos. Tantas possibilidades, cada instante uma escolha. Cada escolha um mundo novo, todos os mundos se realizando. Diante do cosmos, do absurdo, do além, recebe tudo que vem, aceita a Vida que tem, caminha no ritmo que te convém. O que acontecer, tudo bem. Oportunidades únicas do ser e estar no mundo. Todas as escolhas dignas, manifestações do possível. Aproveita, desfruta, dança, corre. Aceita.

Sendo parte do caminho, nada podemos reter. Sendo finitas consciências na vastidão, tudo que nos perpassa, se desmancha. Deixa. Solta. Todo peso é excesso. Descalce e sente suas pegadas lentamente varridas pelo vento. Dá tudo, lança ao mar, ao rio, à fonte. Não se iluda com o eterno, pois a memória se refaz e cria e desfia. Compartilha, se atira, respira para esvaziar-se em seguida, desnuda, ama tudo e dá-se inteira. Entrega.

Tudo que vem vai, tudo que é, não é, tudo que existe, acaba, renova, restabelece, volta, numa espiral mágica de todas as partículas, conectadas pela energia plena que vaga, integra, atrai, afasta. Não importa o que aconteça, é o que poderia acontecer e eventualmente aconteceu. Todas as escolhas feitas foram as escolhas sentidas, o fluxo da Vida, o Rio Universal que une o princípio ao fim, o Tudo ao Nada. O que tiver que ser, será. O que acontecer, será melhor, porque será o que é. Confia.

Quanta beleza tudo é, tudo carrega, tudo inspira e expira. Quanta beleza dentro e fora, acima e abaixo, por todos os lados. Toda flor, fruta, árvore, ser, cada movimento, fenômeno, chuva, nascer e pôr do sol, cada correnteza, cachoeira, rocha, gema, pureza e mistério. Tudo que está aqui simplesmente para existir e que por um milagre podemos também conviver e compartilhar. Faz parte, cuida, ama, aceita, entrega, confia, Agradece!

Bjork - Aurora