quarta-feira, 31 de julho de 2013
Servido/a?
Ah, gente louca... a loucura é o estado mais lúcido do ser... porque não aceita nada que esta doentia gente chama de normal... nem aceita nem pratica, porque adora preferir morrer à se submeter... e prefere mais a própria loucura de ser quem é do que ficar mal com a sanidade alheia olhando-lhe torto... Ah, gente louca pra conversar sobre a eterna liberdade eufórica de desbravar o inimaginável... de realizar o impossível... de viver o perigo que atemoriza a maioria, tolinhos... Vamos, tá marcado qualquer hora na esquina de baixo de uma neblina num dia qualquer em que os comuns estejam em seus empregos martirizantes e nós, loucos, estejamos caminhando com música fluindo de nossas mentes e ideias pingando dos dentes... Se você faltar, não tem problema, esbarramos com becos imaginativos que inspiram artes e assim nos alegramos com a louca solidão dos que estão em tudo...
Uma música - Mi Vida Eres Tu - Vanguart
segunda-feira, 29 de julho de 2013
perdido
"Nada se perde, tudo se transforma"... essa frase não é de ninguém, porque ela antecede qualquer autoria... não é uma ideia, um ponto de vista ou opinião... simplesmente é... tudo se transforma... nada está parado, fixo... nem a memória... a lembrança... o passado... o que passou, segue passando, segue existindo, reexistindo, sendo reexistido em nosso espírito/mente/fluxo que vê e revê tudo de uma forma diferente da última vez...
Como folhas caídas de outono ou de velhice ou de gravidade, olhamos pro mundo e ele insiste em nos remeter a outros tempos existidos noutros mundos que pra nós já foi... E aí escrevemos com imagens invisíveis e sons inaudíveis e palavras ininteligíveis histórias, contos, curtas e longas mágicosinúteis, quadros desimpressionistas, sonetos inexistencialistas...
Somos matéria prima argila fresca de universo inteiro: Tudo que foi será tudo que é mudou ontem chega logo amanhã esqueci de mim... O silêncio conversa comigo sobre quem me nega a voz. O ânimo esquenta na chaleira com hortelã e erva doce e açúcar demerara, que é bom para dormir. Dormir é bom para acordar, caminhar naquele caminho que intuitivamente está diante de nós... Existindo a expressão de nós... expressando a existência de si/tu...
Não precisa ter sentido pra ser bonito... mas ao soltar a direção deixamos a vida escolher...
Uma música - O menino - Pélico
E para contradizer proparadoxalmente - Não vou te deixar - Pélico - outra música
domingo, 28 de julho de 2013
O caminho se faz...
Caminhar... não para chegar a algum lugar, mas simplesmente por caminhar... pelo prazer do caminho, do passo, de cada surpresa que nos espera na próxima esquina e quarteirão... desvendar na rua o que temos de obscuro por dentro...
Degustar o tempo, o espaço, o momento, o sentimento que brota da própria pele, dela só, de si mesmo, cercado de tudo, livre em nada... Sem pensamentos alheios, apenas o estar ali naquele instante aproveitando o que é, que está sendo... Sem sentir falta de alguém ao lado, de uma voz outra, sem falta... pleno porque a vida preenche tudo...
Caminhando com calma, canções precisas iluminando o espírito, encontrando tesouros nos mapas do desconhecido, celebrando praças, encantando torres e escadas, festejando paredes pintadas de arte cores expressões, cultuando o ar respirado transformado em ser...
É bom sentir que estar consigo é bom... não duvidar disso, nem sequer pensar nisso, apenas sentir que é... preencher qualquer falta com vida, pura, concentrada... querer-se, ser-se, ver-se melhor e com calma...
Morrerão - Vanguart - uma música
domingo, 14 de julho de 2013
Mariposas
Alcinha branca caída pelo ombro. Ela não se dá conta de quem se é movimento. Tão sem ela que charme de sem ninguém. Naqueles olhos de céu noturno a lua cheia brilha por trás de nuvens carregadas. Enquanto segura um copo de cerveja gelada pincela palavras na esquina do bar. Parece-lhe que dela escapam os gestos, que tudo que diz simplesmente respinga no chão. Cabisbaixa, observa os detalhes do piso escuro e manchado. Está frio, é madrugada alta. O sereno invade a pele. Aproximam-se as pessoas do círculo de afins como que cercando uma fogueira. O único calor disponível é o que emana deles. Um enlaça o pescoço dela como que preocupado em aquecer. Não importa muito. Escuta tudo o que ele diz sem atenção, como uma voz ambiente que norteia o espírito, que harmoniza os interiores. Ela quer se acalmar. Sentir-se lá. E esquecendo-se de si, com lágrimas de garoa neblina descendo pelo rosto, ela envolve também a cintura dele, escolhendo deixar.
A Patinha da Garça - Vanguart - uma música
sábado, 6 de julho de 2013
companhia (II)
Olhe pra mim... não vês nada... me escute... nada ouves... Porque o que sou não transpareço, talvez... o que expresso, fica mudo... Talvez porque nenhuma linguagem possa de fato dizer... E só aqui grito, numa tela branca de papel ou eletricidade ou imaginação ou ilusão... O mais próximo de mim que posso ser... que ninguém pode ser... E ainda assim, não sou eu... eu não caibo aqui... eu não caibo em mim... nada cabe... nada pode caber... Imagina se fôssemos de um tamanho que se pode medir? Não, não dá...
Mas tudo bem... independente do fato de sermos corpos, sermos eus, sermos sós, podemos fazer companhia de estrelas na noite... brilhando um luz fraquinha, mínima, mas que aquece, não importa onde esteja... chega...
E nessa companhia, vamos fazendo a melodia do mundo... do humano... das peles saem as músicas que aninham... dos espíritos em transa escapam os brilhos fugazes que transparecem o que importa sentir...
Ma Mémoire Sale - Canção de Alex Beaupain, interpretada por Louis Garrel - do filme Les Chansons D´amour
Vivendo o que posso viver...
Não, não aconteceu da melhor forma... (e esta foi a melhor forma, o possível, o que é vivido)...
fomos ou somos demasiado fechados... fizemos deste lugar duas ilhas... eu queria praia para alcançar o arquipélago... mas não há afinidade entre a montanha e o mar... Eu queria um universo coletivo de bem-estar de cada indivíduo... mas o que foi possível contigo foram microcosmos individuais de aridez coletiva... E eu não sei o que vem/veio primeiro, mas eu que já era/sou/continuo sendo este desfiladeiro de rochas sem céu, caminhei ainda mais para o fundo do oceano sem luz sem sorriso sem gesto sem mim...
Acontece... aconteceu... está acontecendo... não há nada de errado nem ruim nisso... estamos sendo o que podemos ser nesse caminho de existências cegas para o instante seguinte... E seguiremos transformando... o que é não será por muito tempo... Há de mudar, para o que quer que seja... Não pergunto como serão os domingos nesse amanhã, nem como ficarão minhas economias, minha falsa sensação de segurança e de eu... Aceito tudo, a vida e a morte... que é hojeamanhãeontem... ao mesmo tempo... sempre...
Só o que importa é que estou vivendo exatamente o que arrisquei viver... correndo todos os riscos... sem ponderar a altura da queda...
Get Lucky - Daft Punk - uma música
"Para todos tudo"...
Entre o tudo e o nada... nem tanto nem tampouco... o mínimo máximo equilíbrio dos seres do universo...
O caminho segue por corda bamba de equilibrista perante o abismo dos sentimentos sentidos... tudo que se quer é a pura e a livre possibilidade do ser... sem medos, sem pensamentos doídos, sem impedir-se de imaginar e estar e cuidar e expressar... sem dúvidas que interrompam o instante... inteiramente caminhando a cada passo superando vivendo nossas dores e feridas e sofrimentos...
Ter nada, querer nada, estar nada, ser nada... Quando percebemos que não temos/somos nada, abrem-se as portas do existir em tudo... em nada nos agarramos, prendemos, enganamos... abrimos os olhos pra tudo os sentidos as almas os mundos...
Nescafé - Apanhador Só - uma música
Ouvindo...
As-tu dejá aimé? - Canção de Alex Beaupain - do filme Les Chansons d´amour
Você já amouPela beleza do gesto?
Você já mordeu
A maçã com todos os dentes?
Pelo sabor do fruto,
A sua doçura e seu gesto
Já se perdeu algumas vezes?
Sim, eu já amei
Pela beleza do gesto.
Mas a maçã era dura,
E quebrei os dentes.
Essas paixões imaturas,
Esses amores indigestos
Deixaram-me mal disposto algumas vezes.
Mas os amores que duram
Tornam os amantes exaustos
E o beijo deles demasiado maduro,
Apodrece-nos a língua.
Os amores passageiros,
Têm febres fúteis
E o beijo demasiado verde
Esfola-nos os lábios
Porque ao querer amar
Pela beleza do gesto,
O verme da maçã
Escorrega-nos entre os dentes
Ele roe-nos o coração,
O cérebro e o resto.
Esvazia-nos lentamente.
Mas quando ousamos amar
Pela beleza do gesto,
Esse verme na maçã
Que nos escorrega entre os dentes
Toca-nos o coração,
O cérebro e deixa-nos
O seu perfume lá dentro
Os amores passageiros,
Fazem esforços inúteis.
As suas carícias efêmeras,
Cansa-nos o corpo.
Os amores que duram
Tornam os amantes menos belos.
As suas carícias usadas
Dão cabo de nós.
"Boa parte de mim vai embora"...
Deixar que me mates... e vou te matando... Deixar morrer... olhar em frente e nascer...
Tudo que é erro, tudo que é humano, tudo que é fraco, tudo que é dano, é também o que é belo, mas que é tão feio, porque tudo que é bom, ao mesmo tempo é tão fim...
E nos arrancando... cada dia mais... nos arrancamos de nós... e percebemos que não há nada... além do que há para viver... que a vida é o que se vive, nada mais...
Nessa Cidade - Vanguart
terça-feira, 2 de julho de 2013
Sem mais...
Corre, fech´as portas, tira das tomadas todas as formas de chegar. Não o vê mais, não lhe fala mais. Some, levando com ela montanhas e nuvens de lençóis, sabores e lembranças. Esconde-se do ar, desespera-se com a paisagem, teme o minuto, chora o mundo. Faz um silêncio salpicado de farpas. Se outrora fora afeições de perfumes e gestos, resolveu evaporar presença e esquecer-se... Sacrificar... deixar morrer...
Quantos desperdícios de presenças e cuidados e crescimentos e aprendizados e riquezas e cores e humanidades não se perdem... se perdem... porque não conseguimos deixar o outro ser, o outro sentir, o outro ir... quanto perdemos por medo de perder... quanto deixamos passar diante de nós, sem abraçar, sem desfrutar, simplesmente porque tudo passa... Diante do movimento, enrigesse. Diante do amor que flui, congela. E o mundo fica um pouco mais cinza sempre que se faz da alegria de estar em relação com tudo um motivo para se fazer muros...
Música - Darcy's Letter - Orgulho e Preconceito
Onirizando...
Escrevo com ideias... pincelo com gestos... partilho universos de dentro e de fora... coleciono mundos inteiros e brinco de imaginar que acordei exatamente no mundo ideal. Não depois, não outro dia. Viver acordado, realizando com mãos de matéria e espírito aquilo que quero viver, no mundo que quero viver, nas relações que quero viver. Viver, independente de possível ou impossível. Não dá para ser de outra maneira, não dá para des´existir por covardia, a única forma de viver é mergulhando cada segundo no mundo feito por nós! Por que sofrer o mundo? Por que temê-lo? Fazê-lo, criá-lo, pintá-lo com as cores e os traços de nossos sonhos vivos no cotidiano, no âmago do ser, debaixo da pele e saltando dos olhos...
A liberdade é real, é concreta, posso tocá-la. A igualdade é visível, posso abraçá-la delicadamente. A cooperação é bela, seguro em suas mãos com força. A expressividade de cada ser, em criatividade, em exuberância, em abundância de ideia, sonho, sentimento, afeto, tudo posso sentir, respirar, partilhar com todos. Não há porque deixar para depois...
Uma música - Le Gang - BB Brunes
domingo, 23 de junho de 2013
quieto...
A cidade parece vazia. Todas as lâmpadas apagadas. Todos os espíritos reclusos em seus quartos seguros, em solidões ou aconchegos inatingíveis. Os corpos estão nus ou agasalhados, com frio invencível ou um calor humano acolhedor. A escuridão tão silenciosa que não se consegue falar nem pensar nem mesmo piscar. A única melodia possível é a dos batimentos cardíacos descompassados entre todos os seres existentes. Um início de noite de céu nublado e negro e arroxeado e vazio... E tudo que existe parece um adiamento do que está para chegar, ao amanhecer... Uma família acende uma fogueira na rua para inundar os pulmões de fumaça fantasmagórica. Duas mulheres molham-se n´uma ducha a luz de velas azuladas de lanternas chinesas balançantes na parede. Uma criança olha impassível para uma tela iluminada que distrai-se eternamente. Um jovem sentado a beira da praia escura e ruidosa de ondas que nunca se cansam de valsear escuta o tempo e vê o invisível. Aquela menina deitada na rede de olhos fechados sente a imaginação que lhe conta histórias de porvir. A noite envolve tudo como um espírito do mundo.
sábado, 22 de junho de 2013
Rave´olução
Dormia enquanto sonhava, sonhava enquanto acordado, tu todos os cabelos gingando em rodopios de festa delírio / eu prazer em te devorar com´olhos e ser atraído gravidade astral e no meio daquela multidão de cem mil sem ninguém por perto além de nós e corpos cercando sem a gente nem notar era dia era noite era enfim momento de mudar - a partir de hoje o mundo acabou : a partir de hoje vivemos na Harmonia - lugar de solidariedade extática, de pão em ciranda, de comum´idade de todos que aprendiam e desaprendiam e se reinventavam porque os olhos choravam de tanta euforia daquele mar de gente ali pra fazer acontecer a história da humanidade em guinada destruindo os trilhos porque esse trem agora é livre pra voar. Poh, que dormia que nada porque era impossível dormir naquele lugar ocupado porque resolvemos que o mundo é nosso, não é propriedade de ninguém, porra de particular, privado nada mais, tudo é uma festa e nessa festa não existem donos, apenas convidados para o banquete do universo... Tu brincando batucando com os olhos fechados concentrados na batida e todo mundo ao redor na mesma vibração loucos cantando "insurreição"! Neste instante derrubamos todas as pátrias, todos os poderes, morreram os juízes, os clérigos, os milicos, de seus corpos nasceram borboletas nesse jardim tão impossível que é exatamente assim que é porque acabou a paciência pra ser escravo da demência de trocar 11 por 1, férias é sobra de vida, deixamos os sal(ários) exclusivamente pra temperar a comida, o resto a gente tempera com sorriso de fazer exatamente o que dá na vontade de viver irresistivelmente aquilo que nascemos e morremos pra viver...
Uma música - Ratatat - Mirando
Ah!
Atravessa a porta do aeroparque de saudades de vais-e-voltas pisando cada emoção latente urgente que emerge dos dentes e dos invernos de dentro do cárdio. Lança o olhar longe como avião de papel de infância inocente mordendo os lábios pra que pouse exatamente nela. Encontra os olhos de faróis noturnos guia de navios esquecidos pela morte piscando lentamente como uma brisa morna do mar do norte. Por um instante a poeira que paira no ar congela de tensão-louca de vontade insana de explosão de querer. E quebra-se o ar que separa os incalmos corpos que correm projéteis balísticos amorosíssimos. Encontram-se no meio do tempo no meio do imenso lugar de encontros. Os poros se adentram os pelos se enroscam os cabelos se esvoaçam os beijos se derretem os peitos se engolem com´uma estrela que se choca co´outra. Acabou-se o mundo. Fez-se novo...
Uma música - J'ecoute les cramps - BB Brunes
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Orgi
Correm respingando poças pratodolado com música debaixo dos passos e dança nos cabelos embebidos de alegria louca de chuva de 10mil quilômetros de altura em quedalivre adrenalina pura! As escadarias da praia roda gigante subindo e descendo brincando de girar agarrados nas mãos um´d´outro parqueando diversões ali sem mais nada que peles molhadas e roupas suadas e corpos excitados e vozes roucas e saias soltas e pés descalços e tirando a roupa ali mesmo semsimportar com nada que nada pode impedir a vida que nasce a cada dia... E resolveram nascer voltando às origens orgiacas do hoje nus noite nervos!
Uma música - Brune BB - BB Brunes
Manifesto do Egoísmo
Antes de tu, ninguém...
Porque sem tu, ninguém...
É por meio de ti, que tu és
Ninguém pode ser por você...
O que és? O que podes ser? O que estás sendo?...
Como uma corredeira, uma enxurrada, uma torrente, cresces, cresces a cada dia...
Ou te comprimes pelas margens demasiadas estreitas?
Inunde! Destrua, fertilize!
: o mistério é ser quem se está sendo num processo constantemente metamorfóseo em que não se sabe quem se é nunca porque já fomos e partimos e deixamos de ser e querer e aguentar o que quer que tenha sido antes agora queremos mais ainda e parte-se dentro como um equilibrista malabarista garçom de pizzas com mil pratos cambaleantes nas cinco mãos trêmulas da ressaca da noite mal dormida tendo que segurar a onda que quebra na nossa cabeça levando-nos ao chão areia sal olhos ardendo medo riso gosto de mar na boca seca que beija o céu de teus galhos castanhos de frutas doces como a magia do ser desapar-e-ser na cama que se levanta pra limpar a bagunça que deixamos tomar de conta de tudo que existe dentro fora lado cima baixo esquina canto beira quase nada sobra #porra aí você percebe que assim não dá que o balão precisa de direção nem que seja por brincadeira você quer saber pra onde o vento sopra você quer medir o algodão das nuvens mastigar o cosmos comprimir não não é isso /
Não. Veja só, só. Eis o dilema universal do existente. Existirmos por resistência ou por efervescência? Como se nossa pele do existir fosforescesse ao contato com o agora!
Se cada um pensasse inteiramente em si, profundamente, como quem limpa a própria casa, cada cômodo, cada pedacinho empoeirento cheio de aranhas de pernas finas, descobrindo as coisas perdidas em baixo da loucura, resolvendo os perrengues an/in-teriores para que assim possa ser mais leve e livre, como quem sabe que aquela casa vazia não serve pra nada, que o espaço existe para se preencher de vida, de verde, de versos, se pensasse derradeiramente em si, percebendo a si como esse infinito potencial que se realiza aqui e agora, não "só", mas com tudo, em tudo, junto com tudo, nunca >só<, inevitavelmente com o/a/s outro/a/s/, se assim fosse/for, de fato egoístas, portanto, realizadores de si mesmos, cada um n´um processo esplendidorosoisticamentefoda realizando-se a si em comunhão com tudo, se assim fosse/for, cada um e tudo que existe seria/m/são/estão sendo uma floresta exuberantemente tropical de mil espécies de invenções transformadoras criativas lindas gostosas de bem querer e cuidar e expressar arte em tudo que existe cada gesto assim na pele na pedra no minério que quisermos fazer... Assim, declaro manifestando em mim o que tenho e estou sendo e deixo ir e largo abrindo espaço para ser de novo mais um pouco muito, declaro que sejamos egoisticamente felizes - e felicidade só é felicidade se compartilhada - um processo abraçadamente coletivo, e em nossos egoísmos nos inundemos de tudo e todos crescendo como o ar quente que sobe e funde-se na atmosfera infinitaluz...
Uma música - Ratatat - Loud Pipes
sábado, 15 de junho de 2013
Desancorou...
Sentiu uma falta... uma necessidade de carinho... como quem mergulha lá no fundo e quer voltar para respirar (ainda que não precise)... como uma memória do corpo que se lembra bem de como é bom estar junto... Uma contradição dele, que ao mesmo tempo que tão só, tão sem, tão difícil de chegar ou de encontrar, ao mesmo tempo sempre por milagre encontrou, pôde compartilhar o afeto que transborda em nós e que não podemos guardar, que nos escapa... como a fruta madura que a árvore deixa cair do galho por não poder mais segurar, doa... Acontece que ela não estava ali, não queria estar ali... afastava-se e afastava-se, como a ilha desaparecendo no horizonte quando o navio alcança o alto mar... ela não quisera navegar... doía-lhe sentir o sabor do mar, da amplidão tão grande deste mar, no qual o moço se encontrava... por mais que ela entendesse, soubesse, que quando entramos na água, nos banhamos em todos os oceanos da terra e isso é tudo, isso é tanto, estamos livres, podemos nadar... ela agora prefere o seco, a terra aparentemente firme, aparentemente sólida, aparentemente estável... a água é imprevisível demais, fluída demais, líquida demais... E assim, eles se separaram, aos poucos, como o horizonte... hora podem se ver, mas uma hora não poderão mais... E essa distância de léguas de mar até a terra também doeu... nele. E ele quis voltar... tentar trazer... estendeu a mão, chamou, chamou - vem, vem comigo... simplesmente estar, sem nada mais, sem garantia... flutuar, sem medo de se afogar, pois somos a água... E não veio. Entendeu, ela não vem... não adianta esperar... não se pode esperar... a correnteza nos leva pelo caminho e o fundo do mar é profundo demais para tentar alcançar a âncora... nem mesmo havia âncora naquele navio... um navio feito para navegar, não para esperar... Aprendeu. Dois caminhos então, que não se cruzam mais, não agora... se é isso que quer, apenas aceitar o movimento e seguir com ele pode... aprendeu... a não se pesar, não se apertar... a não sentir falta... (muitas faltas ainda precisará sentir), mas, ao contrário, ser feliz por que tudo é, está sendo e segue sendo... aprendeu muito e segue aprendendo... e no mar agora vive, um mar tão grande e tão vivo que com tudo nos relacionamos... um mar que nunca para, sempre em ondas, que sobem, descem, que a todas as praias banha, molha, descobre... que em toda parte chove, evapora, troveja... um mar de encontros... de azul de céu e de profundeza abissal...
Unravel - Björk - para aprofundar...
Call it fate, call it karma - The Strokes - para flutuar...
quinta-feira, 13 de junho de 2013
companhia...
Precisamos... ou preciso... de presença... cambaleio rua deserta afora sob chuva e guarda-chuva... minha pele estremece... só... Como um choque térmico entre o interior e o exterior, sinto dentro de mim um calor sincero de afetos e bem-querer, sentimento, energias afins, puras... e sinto fora o deserto, frio demais a noite, quente demais de dia... pois para além da pele só existe a própria pele, que não se basta... Ah, que impulso vital que rasga os sentidos... que natureza do corpo que subjuga o espírito... Que força que une os seres, que os magnetiza, que os aproxima... como dizer que não somos todos e cada um um só fluxo, se tão poderosamente nos atraímos...
Mas não por todos... só alguns seres se atraem, enquanto outros se repelem... Mas assim também somos cada um, intimamente, no âmago do ser, partes de nós atraídas entre si e partes arranhando-se, estranhando-se, afastando-se... nossa decisão e fraqueza, nosso cuidado próprio e autodestruição, nossa alegria e tristeza... conflitos que a cada instante se travam... e transbordam... e a pele arde, e o peito afunda, e a vontade só quer se acarinhar... sentir-se companhia...
La valse des monstres - Yann Tiersen
Mas não por todos... só alguns seres se atraem, enquanto outros se repelem... Mas assim também somos cada um, intimamente, no âmago do ser, partes de nós atraídas entre si e partes arranhando-se, estranhando-se, afastando-se... nossa decisão e fraqueza, nosso cuidado próprio e autodestruição, nossa alegria e tristeza... conflitos que a cada instante se travam... e transbordam... e a pele arde, e o peito afunda, e a vontade só quer se acarinhar... sentir-se companhia...
La valse des monstres - Yann Tiersen
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Manifesto da Saudade
Tudo que somos é uma integração desintegrada de todas as partes
Aglomerados de infinitos luminosos e desinfinitos obscuros
Temos medo de nós mesmos, pois nos sentimos desconhecidos
Temos medo do outro, pois nos parece semelhante
Nos identificamos em tudo, mas não estamos em nada
Nos perdemos em tudo, mas vamos encontrando A Alma
Nos desesperamos com o mundo, sem perder a calma...
A cada segundo decifro-me - agora: uma tênue linha de invisível estar com quem comigo é perto de mim ainda que indo ou longe... há pouco: descendo ladeira abaixo porque o fundo nos atrai com sua força subtérrea para voltar a ser alimento da terra... antes: uma guerrilha entre o frio de ausências e distâncias e chuvas e vazios que nos quer quietos, escondidos, em baixo das cobertas, e o ímpeto do movimento que nos chama a realizar o que sonhamos ou ousamos querer... anteriormente: um balão subindo e descendo com calores em combustão em rodopios por ventos e céus que escrevem palavras atmosféricas que respiramos para não perder o ar... durante: o difícil mútuo aprendizado de viver e sentir e amar e cuidar uns dos outros sem sermos uns dos outros, mas, ao contrário, livremente com o outro, estando porque queremos estar, não porque precisamos... depois: sentindo que a falta que faz é também parte, é gosto, é sentido, é compreender, é descobrir novos caminhos para onde se vai... nossas faltas, saudadeantes, também nos definem... também nos impulsionam para o ser, para dentro, para fora... a fome que mastiga o interior do espírito... quero-te, saudade, não fujo de ti. És como o ar, entre tudo que está junto, mas se engana ao pensar que não... Respiro-te, inflando os laços que fazem desaparecer o "eu" e o "tu"...
Uma música - Olha pra mim - Arnaldo Antunes
segunda-feira, 10 de junho de 2013
(des)Frutar...
Preparam uma brincadeira culinária em íntima harmonia de sabores e gestos... ela corta de um lado cebolas em pedaços grandes para serem lindamente dourados na panela, corta também pedações de alho e gengibre para aquele sabor especial, enquanto ele reserva os outros ingredientes, preparando tudo. Os quitutes de bebericar já são adiantados, misturando-se inúmeras frutas-guloseimas tropicais. E aos poucos, vai surgindo outra invenção misturada de várias receitas desrespeitadas e cruzadas em orgias gastronômicas... Divertem-se nesses jogos de paladar, degustando cada sensação com uma pitadinha no lábio do outro. E riem-se da sujeira, do nariz pintado de molho, do beijo sabor laranja com mamão. Melhor ainda, é que depois de tudo, do banquete caseiro especial pelo carinho que tem, jogam-se n´uma cama fri´inha que logo se aquece nos dois corpos enrolados... e assim, repletos de alimento do corpo, as peles se deliciam de chamego que alumia a alma...
Uma música - Contravento - Céu
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