domingo, 22 de setembro de 2013
Foi...
Um fantasma, uma sombra... nada do que seria se fosse... Melhor nem estar, se de fato não está... não há relação, há preenchimento de vazios, que não significam nada a não ser um mal estar pela estranheza do fato... Afinal, nada há para fazer... cada dia mais enraíza-me a consciência de não poder, não ir, não ser pra mim... você não quer... não quer... e eu prefiro assim sair... agora afirmo sua ausência... confirmo...
Chuvarada - Leo Cavalcanti - a música
sábado, 21 de setembro de 2013
Sonho de uma noite de inverno...
Chegou naquela casa não sabe bem como. Quando deu por conta, estava deitado na rede ao lado da cama em que ela se deitava. Era tarde. A casa estava vazia. Talvez ela precisasse de companhia, uma do tipo psicólogo-massagista que cura "todos os males"... Ele não precisou dizer muitas palavras. Psicólogo que se garante abre os karmas e os chakras com a simples presença verdadeira e algumas interrogações estratégicas. É bom ouvir histórias, principalmente as mais difíceis... Dá a sensação de que é parte da vida do outro, que ao partilhar aqueles segredos, cria-se um pacto de confiança e reciprocidade... É louco ser calmante de alma, ser aquele que aguenta as dores mais profundas que precisam ser ditas para aliviar. Dói, mas é bom. A ironia é que há meses ele é doido por ela. Não sabe como, mas um dia vê-la mudou tudo. Subitamente percebeu uma energia, uma beleza, um ser que o mudou. Mas, diante das circunstâncias, nada aconteceu e assim passou o tempo. Uma ligação naquela noite e estava ali. Ela contava as angústias de não se sentir bem consigo, de estar no lugar errado, de sentir que precisa lutar contra tudo, da distância dos mais próximos, da vontade de morrer ou de fugir. Após duas horas de profundezas reveladas de forma tão sincera e íntima, ele segura sua mão... e os segundos se arrastam naquele toque... Ela olha pra ele e aquele olhar carrega dez mil emoções... - Vem pra cá - sentencia. Sai da rede e a envolve com os braços... ou é envolvido por ela, ou os dois... Faz parte da cura (de ambos)... Enquanto ouvia em silêncio ele percorreu muito de si naquelas palavras dela... e foi uma energia tão forte que o fez lembrar/sentir o que significa estar junto... Sentaram-se, um diante do outro... e a medida que o tempo existia, a distância entre eles desistia... e o encontro que faltava se deu naquele instante - um beijo como um mar, como um orgasmo, como uma história sem fim, que percorre todas as eras, todas as veias, todas as camadas da pele, da alma, do sentir, do ser mais...
É - Tulipa Ruiz - uma música
novo
É hora!
Se concentrar ainda é difícil...
de manhã eu alcanço o nirvana....
Limpando dentro e fora
Jogando fora o que já não cabe
Reerguendo a vida ao nível do mar
Desinundando os calabouços
Florescendo do medo
Não declarado pela consciência
De existir tão somente em si
Sem alcançar nada mais
Navegar de fato
No mar tão só
Tão sem
limites, companhias, fim
Música - Chasing Paviments - Adele
Anotações de uma noite sem dormir
Pensamento I - Se eu morasse numa casa com cama, comida e roupa lavada, talvez eu facilmente me entregasse à depressão em momentos como esse ou dos últimos tempos. Me deixaria dominar pelas cobertas, pelo tempo passando ligeiro sem nada acontecer, pelo friozinho do ventilador que convida a permanecer quieto... Eu acabaria dando muito mais atenção aos meus espíritos interiores pessimistas, com seus poderosos argumentos soprados no ouvido de que não vale a pena levantar, de que eu posso vegetar mais um pouquinho/muito, de que tudo que tenho pra fazer seria melhor esquecer...
Mas ter que viver por conta própria, saber que ninguém fará nada por você nem as coisas se farão sozinhas, coisas como varrer o quarto, lavar o banheiro, cozinhar, cuidar de si, impulsionar-se a conseguir sair desses redemoinhos cinzentos que por vezes nos toma... fazem com que se imponha a necessidade da autonomia, da autogestão, da prática da liberdade de ser responsável pela própria existência...
Não só isso... Ter caminhos a trilhar, vislumbrar sonhos e saber que aquilo que sonhos e começamos a construir morrerá se os abandonarmos fortalece nossa coragem e determinação e ajuda a se levantar... Existem motivos para levantar... vale a pena...
Pensamento II - Olhando para as pessoas ao redor, vez por outra me admira como a maioria nada me desperta, não me animam, não me inspiram nada... Como se elas não propusessem nada de significativo com suas presenças, nenhuma emoção, ideia ou sonho... Nem dá vontade de conhecê-las, pois elas não encantam, parece que só passam pela vida, sem marcá-la... Mas então pensei como seria um mundo em que todas as pessoas nos despertassem fortes emoções, nos apaixonassem com seus espíritos e corpos vivos e contagiantes, nos incendiassem com a simples presença.... E senti que esse seria um mundo louco e exaustivo (ou extasiante!), em que viveríamos até nos esgotarmos com tantas presenças e vontades e potências... Será? Se todo ser humano tivesse libertado seu infinito potencial transformador e criativo, como seria a nossa convivência?
29/08/13
Two Doors Cinema Club - What You Know - uma música pra animar...
Último olhar (?)
Te via, de longe, andando, gesticulando, balançando, dançando ao falar, ao brincar de política, de mundo libertar, de cabeça pirar, de fogo inspirar, vida respirar. Te olhava, lá longe, alguém... que eu não sabia o nome, a história, os sonhos. Sendo assim, te inventava, dava nome, profissão, ideais, dava manias, histórias de viagens, gostos e sabores, como um personagem que me encanta, mas quase ficção, não está aqui. E agora, alegre ironia, tu chegou quase de lugar nenhum e pendurou tua rede entre meu sorriso de te ver assim tão perto, tão comigo, tão em mim.
Música - Sem (des) Esperar - Leo Cavalcanti
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
afago
Chega, deita no ombro... os dedos dela/e logo sobem aos cabelos para um passeio... poder depositar o peso de sua vida naquele instante de cuidado de amor cura todas as pedras do dia. Caminha, encontra outra pessoa de amor sincero que, desta vez, deita em seu colo num banquinho de praça bendita para chorar, sem fôlego para explicações, apenas a companhia derradeira... horas de lágrimas e carícias nas sobrancelhas, na testa, no nariz, seguem, reconfortando-a/o profundamente pelo afeto profundo, dispensando demasiadas palavras, apenas silêncio e respiração encontrando calma... Levanta-se, abraça-o/a longamente, beija-o/a longamente e se vai... Voltando pra casa, deitada/o na rede balança-se a/o companheira/o de tantas partilhas sorridas e sofridas... acomoda-se ao seu lado e perde-se em seu pescoço de beijos suaves e leves e livres... e sente que amor existe...
Música - Canto d´alma - Daíra Saboia
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
vô-lar
Céu azul cianeto, folhas caindo feito sorte, tempo de penumbra de olhos... um embrulho no estômago... de ausência-s... ausência de todos, de toda espécie, tipo, forma... Pela calçada descaminha - Por que incomoda que quem se ama ame mais além de nós? - Passa por baixo da árvore de frutinhas pretas sem nome que pintam o chão de estrelas negras sob fundo acinzentado. Tenta repetir aquele mantra para realinhar descarrilhadamente os ânimos... pensa nas drogas que precisa para d´espairecer, no sabor-sensação daquela empada doce despedaçando-se com a mordida, na autoalienação de si e do lugar que habita provocada para transpassar momentos em que não dá para aguentar o caos em que nos deixamos ficar... Fixar na imagem por trás da janela da alma que teima em olhar pra frente a ideia de que naquele dia marcado poderá resolver tudo e voltar a respirar feito gente... - Tanto que fazemos para compartilhar e quantas vezes ninguém se incomoda de estar, de presenciar... O impacto da presença do outro o inquieta, como uma tempestade de gotas tão pesadas que cega... Anda como o clima da cidade natal, que do azul aberto de repente não mais que de repente derrama-se em cinzaréu que varre a alegria do espaço e se vai, como se nunca tivesse existido... Deita no banco azul de esconderijo para ouvir o sonho acordar...
Música - Fuga Nº 3 da Rua Nestor - Cícero
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
Estalo
Não preciso antes saber para fazer... fazendo, descubro como é, qual a melhor maneira. Só tem um jeito de descobrir, vivendo... ficar conjecturando não adianta de nada... Estarei preparado quando for testado... e se precisar, tento de novo... A mudança se revela no ato, não na ideia... esperar só adianta para descansar... e descansar uma hora cansa... Arriscando para valer a vida, prefiro a dor da perda do que a ausência de presente...
Script - Tulipa Ruiz - uma música
Vago
"Ela jurou 'talvez' voltar"...
E verdade não existe, né... tudo é mentira, até que se prove o contrário. Eu não "só acredito vendo", mas só acredito no que quero... e, "pensando no que é melhor pra mim", eu prefiro não acreditar em nada, a menos que me divirta... e diversão não tem sido a palavra da vez...
Continuo desbravando o indivíduo, apostando os dias e as conversas, transcendendo coletivos... Ando com uma saúde boa... saudáveis tosses reincidentes, vigorosos espirros e garganta arranhada, falta de ar de pulmão e espírito, que é pra não exceder ânimos... Um estado limiar de amor/dor entre tudo e nada.
Te encontrar uma angústia de um toque antigo que não sei pra que é. Não me parece carinho, me parece um resquício. E ante qualquer movimento, some como o reflexo na água agitada...
Agora eu quero que acabe (o ano). Virar por fim a página, começar tudo novo de novo. Agora eu sei que a vida não é tão imersiva como pareceu um dia. Cada vez o indivíduo se lapida e fica menos e mínimo... Até desaparecer...
A experiência do desaparecimento é atordoante, atordoente, atordoendo... mas o nada reconfigura e prepara para mais... no nada sempre cabe tudo e assim vai...
Uma música - A Escalada das Montanhas de Mim Mesmo - Vanguart
terça-feira, 27 de agosto de 2013
Jogo Poético II - Corpo
Lembrete: O jogo é assim: escolhe-se um tema simples, cotidiano, qualquer, e escreve-se de forma espontânea-criativa-louca sobre ele, deixando fluir as imagens-palavras-insanidades que transpassarem os dedos-sentidos... além de um jogo, é também uma técnica psico-analítica-pós-interior de desvendar submundos...
Tema: Corpo
Abre o chuveiro, deixa a água correr, molhar os dedos, os pés, os cabelos, os ombros, os seios, os joelhos, deixa ela caminhar, gota ante gota, pelos anseios, espelhos, medos... deixa as mãos dele cuidarem de ti, massagearem os sentidos com aromas de flores, de frutas, de sonhos contidos n´um pedaço colorido de espuma em êxtase... Deixa o corpo ser corpo, estar corpo, querer corpo, viver corpo, festejar corpo, purificar e inundar... envolver-se nas pernas braços carícias quadris roçando assim como o riacho no cascalho, faiscando, elétrico, cristalino estado de desejo... e paz fria na nuca da água derramada do céu... e ali, doidamente, sexo com cheirinho de banho...
O chão de madeira descobre a dança dos pés intuitivos, das mãos vibrantes que comandam orquestralmente movimentos musicados sem música... Contemporânea expressão atemporal da razão do corpo em existir - mover-se realizando-se em seu estado de puro corpo... Ao dançar os olhos se fecham, deixa-se guiar pelo desequilíbrio da loucura abandonada de mente - agora sente e só e basta...
Pula e cai... e rola e grama e terra e cheiro de verde e areia e cheiro de lagoa e água e delícia e cheiro de riso e brincadeira roda puxa agarra molha e cheiro de gozo de vida de essência de instante destilado no alambique suado exausto do corpo... exausto vibra suas últimas forças largadas na lâmina d´água flutua olha o céu navegando nas nuvens azuis roxas e laranjas que escondem-se atrás dos olhos de algodão... lambe os lábios de água doce de corpo d´água e sacia sede de ser mais...
E voa no balanço da árvore dos poros da casca e da seiva... e ganha os ventos da copa alta de mangueira escalada na infância de hoje... engole a vida com boca redemoinho de gestos sutis de sorriso suave que chama pro beijo na cama de folhas sem roupas sem outras preocupações senão expor o sentimento da carne que arde na alma sem calma e abre caminhos sem pedras macios e carinhos que descobrem o que ninguém nunca viu pressentiu que está pr´a nascer o que é que vai além do ser - corpo sublime mostra sua forma de ser...
Uma música - No name #2 - Elliott Smith
Outra - Lithium - Nirvana
Outros temas: Foto, Arte, Roupa, Sono, Faxina, Música, Água, Praia, Viagem, Livro, Sentidos, Solidão, Criação, Escrita, Sonho, Morte, etc...
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
Bom para ir...
Rua após rua, as rodas ganham o espaço, o tempo, a distância entre a alma e a calma... Pedalar pode ser uma forma de acabar... lidar com a sensação pelo caminho percorrido... enquanto ouve canções, procura o melhor trajeto, mais verde e sombreado, para chegar ao parque, ao destino, ao início... Naquele dia foi ao encontro de uma tarde de conversas com quem gosta de conversar... a única menina de cabelo claro com quem gosta de conversar... (até agora) e que tem uma energia resistente e fugaz que anima... Qual a natureza da cor dos cabelos e como a ondulação dos fios participa das aproximações e das partilhas? O que importa é que, sentados diante do lago, enquanto patos ensaiam voos e o sol se deita em ritmo lento, estabeleceu-se no diálogo um momento de limpidez, de translucidez, de vivacidade... na volta, só, consigo, repercorreu as mesmas ruas de uma cidade distante de casa, achando museus e fotos e filmes pelo caminho e um friozinho de casaco azul listrado e calçadas alegrias...
Good to go - Elliot Smith - uma música
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
Queime depois de ler
Manifesto de fundação da Pró-associação dos (A)tingidos pela Pós-modernidade
A pós-modernidade não é uma teoria, não é uma novidade, não é uma abstração. A pós-modernidade é apenas um resultado ou o ápice do sistema capitalista em sua forma globalizada, especulativa, financeirizada, onde tudo é imagem e mercadoria, onde tudo é desagregação falsamente agregada, fragmentação ilusoriamente conectada, corpos partidos, espíritos rachados, emoções trincadas, sonhos plastificados... Os seres humanos são máquinas-animais nesse sistema de consumo, de consumo de vidas... nos esgotamos correndo n´uma roda de ambições, vontades comerciais, esperanças moldadas, para manter em funcionamento esse corpo de relações sociais de dominação e exploração, frustração e compensação, violência e entretenimento.
Correndo, com pressa, endividados, dispersos, sozinhos, isolados, em multidão... sujeitos dóceis ou tornados inofensivos, seres incapazes de perceber-se coletivamente, de integrar-se, de harmonizar-se com uma construção coletiva, uma relação social coletiva que busque sua libertação, ao invés de sua escravidão. Esse é o resultado de cerca de 10 mil anos de sociedade de classes, de dominadores e dominados, de senhores e escravos, hoje em seu grau mais avançado, complexo, destruidor e sanguinário. Torrentes de sangue de nossas veias são bombeadas por cartões de crédito e bancos de empréstimos consignados. Quanto tempo trabalhamos para pagar nossas dívidas? Nascer é uma dívida, nesse sistema. Muito foi pago para nos fazer nascer e nos cobram desde o primeiro momento. Morrer também é uma dívida. Viver é uma dívida. Quanto de nossas vidas são dadas para comprar coisas, ou, pior, minimamente para poder continuar vivendo, trabalhando mais, para viver um pouco mais, em um ciclo cujo fim é a morte vã? O que isso diz sobre nós, senão que continuamente nos fazemos coisas (coisificados), substituindo a vida que existe em nós por coisas que nos alentarão pelo fato de não vivermos...
Diante disso, cria-se aqui, agora, a cada ato de leitura deste texto, a todo instante e intermitentemente, a Pró-associação dos (A)tingidos pela Pós-Modernidade. Nada mais é do que um espaço, um tempo, uma brecha, uma rachadura na opressão que nos cerca e que vomitamos continuamente. Esta Pró-associação não é uma organização, uma entidade, uma instituição, uma coisa. É um impulso de relações em busca de libertações mínimas e máximas dentro do sistema de relações destrutivas pós-modernas. Sendo assim, na Pró-associação os sujeitos que se sentem profundamente atingidos pela pós-modernidade encontram outros para assim apoiarem-se na emancipação comum. Pelas nossas dores e feridas nos unimos em laços de afetividade e solidariedade para superarmos as relações envenedadas pela insegurança psicológica que nos é incutida, pela vaidade individualista que nos é engolida, pela dispersão e fragmentação corpo´mental e espiritual que nos é propagada, pelo desespero pela sobrevivência que a todos empurra à escravidão "voluntária".
Transformar esta realidade e relação social caracterizada pelo ápice capitalista aqui denomidado pós-modernidade é o foco da Pró-associação, mas isto não faz dela substituto dos movimentos socias e demais espaços de transformação. Contudo, a maioria das iniciativas de transformação é realizado por sujeitos atingidos em sua íntima estrutura psíquica, espiritual, corpo-mental pela pós-modernidade, fazendo deles sujeitos fragmentados e dilacerados.
Exemplo disso é quando cada um de nós precisamos percorrer diariamente dezenas de quilômetros para chegar a qualquer lugar, desde uma reunião do movimento, ou ao local de trabalho (escolhido-compulsório) que nos dará sustento, ou ao lugar que vende lazer, saúde ou qualquer necessidade humana básica feita mercadoria. Este urbanismo ultradistanciado nos dilacera cortando nosso tempo e nosso espaço por distâncias psicológicas e concreto-armadas. Sempre de passagem, sempre indo para algum lugar que não o nosso próprio lugar para resolver ou fazer algo, ou simplesmente estar. Assim, a Pró-associação atua na reorganização urbanística dos seres, transformando os paradigmas de moradia, convivência, atuação e deslocamento em um único paradigma que afirma que precisamos existir, coexistir e transformar a realidade e as relações preferencialmente e prioritariamente no território que nossas pernas podem percorrer no espaço de minutos e sem se cansar. O que significa que a comunidade e a vivência comunitária, consideradas em sua raiz existencial, é um dos caminhos de superação da pós-modernidade. Ao invés de viverem em casas separadas, em estruturas sociais baseadas no núcleo familiar (ou na família nuclear), estrutura ancestral da sociedade de classes ou então fortemente apropriada por ela, ao invés de cada um viver em lugares distantes, sendo preciso que todos desloquem-se para pontos de intermédio para realizarem suas ações pessoais e sociais, busca-se o rompimento com este urbanismo desagregador, em busca de outro agregador, solidário, participativo, de laços afetivos transsociais, ou seja, amplos e irrestritos entre todos os viventes do lugar.
Outro exemplo dos resultados nos sujeitos da pós-modernidade é a formatação dita educacional que recebemos desde nossos primeiros contatos com o conhecimento. Recebemos tudo em pacotes, separados, disassociados, descontextualizados, o conhecimento fechado em disciplinas, em "ciências", como se o conhecimento não fosse sempre interrelacionado e complexo. O conhecimento foi partido, triturado e distroçado, sendo assim injetado (e vendido) em mentes amolecidas por uma disciplina que nega-lhes a pergunta, a curiosidade e a criatividade. Ao contrário, atuamos aqui um conhecimento integral, enriquecido com fibras, laços, multiplicidades, sabores, emoções, conexão de todas as dimensões da existência humana.
Pró-associação porque o ato de associar-se precisa ser proposto permanentemente, não imposto. É uma escolha diária e necessariamente consciente e voluntária associar-se, estar com o outro, construindo com o outro, para favorecer a si mesmo no benefício de todos. Como a pós-modernidade é o ápice de uma sociedade em que as relações sociais estão profundamente permeados por uma lógica comercial, de dominação, de competição e isolamento, precisamos (re)criar a prática associativa em nós individual e coletivamente.
Ao ler este texto, eu, leitor-escritor que percebe e transforma o mundo, abro a possibilidade da pró-associação, estando livre para associar-me ou esquecer.
60 revolutions - Gogo Bordello - uma música
Da Servidão Moderna e Surplus - dois documentários
Pró-associação porque o ato de associar-se precisa ser proposto permanentemente, não imposto. É uma escolha diária e necessariamente consciente e voluntária associar-se, estar com o outro, construindo com o outro, para favorecer a si mesmo no benefício de todos. Como a pós-modernidade é o ápice de uma sociedade em que as relações sociais estão profundamente permeados por uma lógica comercial, de dominação, de competição e isolamento, precisamos (re)criar a prática associativa em nós individual e coletivamente.
Ao ler este texto, eu, leitor-escritor que percebe e transforma o mundo, abro a possibilidade da pró-associação, estando livre para associar-me ou esquecer.
60 revolutions - Gogo Bordello - uma música
Da Servidão Moderna e Surplus - dois documentários
Marear...
Mecanismos. Em minha permanente relação comigo em minhas múltiplas dimensões, deparo-me com desafios - sentimentos, lembranças, ideias e emoções que correm, se agitam, fazem barulho em meu corp´alma, perturbam, desequilibram, desorientam, pois nos agarram e não nos deixam ir adiante, caminhar o caminho livre... Nestes momentos decisivos é preciso brincar de arte-pensamento e deslizar para outros deslugares mais chamegantes...
"Pare de pensar nisso!" e viro os olhos do interior pra uma janela que acabo de criar na hora para concentrar o estar sendo no ser... Não é que eu não possa pensar nisso ou em tudo, que eu esteja me privando de sentir, ou tentando fugir ou desviar ou... - eu sei, tenho consciência, está claro. Pronto. A partir daí, é apenas repetição... o pensamento em loop vicioso retomando pontos finais... E eu tenho mais o que fazer do que ficar dando voltas no mesmo lugar... Sendo assim, saio da roda, deixo o giro, largo o círculo, e vou pr´outro lado criar um novo...
Mecanismos. Olho e minha mente antevê o real (ou o anti-real), imagina antes de ser, cria o que ainda não é... ou seja, julgadefinefechamata... "Pode ser que sim, pode ser que não", "Deve ser justo o oposto", "Ou sou eu que sou assim"... Sub´inverto a morte que impus ao outro para me reviver na abertura da possibilidade... Se acho que foi o outro, imagino que talvez tenha sido eu... se acho que o outro pode ser isso, imagino que ele pode ser qualquer outra coisa... e liberto-me na liberdade do outro...
Abrir. Sair. Entrar no que há fora... Deslimitar, desfronteiriçar, abririzar... Quebrando os vícios corpo-mente-espirituais, superamos ao menos aqui e agora a restrição que deixou de existir... E o vazio se tornou a infinita possibilidade de tudo ser...
On the Sea - Beach House - uma música
sábado, 17 de agosto de 2013
Balão
Gosta de dançar. Quando dança, sente que ela dança com ele, que dança como ela. A sente no corpo, na intuição do gesto, no pressentimento dos pés, dos joelhos, dos quadris e ombros... sente que os pulsos fazem a mesma brincadeira de ritmo, que os olhos se fecham na mesma penumbra. Ele põe aquela música mágica, que transpassa quilômetros e abismos e a traz pra perto, ao lado, junto, rostos cerrados no espírito melódico, na vibração cardíaca, na latência da pele...
Tem noites que apenas a música segura na mão, envolve o corpo, desmantela a ausência... brincando de ficar só, ou aceitando as solitudes, ele sorrateiramente descobre a gravidade do sentido... do sentir... a fragilidade do partir, do partido... e a desacralidade do porvir...
Quando toca esta música, a luz amarela do banheiro, a água morna do chuveiro, as gotículas no vidro do box, o sabonete de romã ou de erva doce, tudo o leva para lá... para onde não há, não está... Não importa, enquanto a música tocar...
Cecília e os balões - Cícero - uma música
Tem noites que apenas a música segura na mão, envolve o corpo, desmantela a ausência... brincando de ficar só, ou aceitando as solitudes, ele sorrateiramente descobre a gravidade do sentido... do sentir... a fragilidade do partir, do partido... e a desacralidade do porvir...
Quando toca esta música, a luz amarela do banheiro, a água morna do chuveiro, as gotículas no vidro do box, o sabonete de romã ou de erva doce, tudo o leva para lá... para onde não há, não está... Não importa, enquanto a música tocar...
Cecília e os balões - Cícero - uma música
domingo, 11 de agosto de 2013
Líquido...
Um dia haveria um encontro. O universo não é tão grande assim que pudesse evitar. Subiu a ladeirinha de alternativas matos e terra. Estava com fome. Aquele dia fora suave, levando cada atividade como quem atravessa o vento, sem fazer resistência... ainda teria uma aula naquela noite e precisava alimentar-se no cantinho familiar antes de partir. Foi. No caminho, rostos conhecidos acenando oi, balcão e luz amarela e uma blusa verde. Aquela blusa verde, aquela bolsa de couro, um relance de rosto que esgueira-se para trás do expositor de salgadinhos. Coração repercute percussão. Dá um passo, outro passo, até desfazer a distância da fuga, da temeridade, do tempo... Um diante do outro, depois de um abismo de afastamentos, não dá para evitar... sem palavras, apenas um abraço eterno enquanto durou... abraço úmido de olhos, apertado de braços, caloroso de espírito e saudade e bem muito querer bem...
Uma música - Christian Brothers - Elliot Smith
Imagem: Rogério Fernandes
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Jogo Poético I - Sabor
O jogo é assim: escolhe-se um tema simples, cotidiano, qualquer, e escreve-se de forma espontânea-criativa-louca sobre ele, deixando fluir as imagens-palavras-insanidades que transpassarem os dedos-sentidos... além de um jogo, é também uma técnica psico-analítica-pós-interior de desvendar submundos...
Tema: Sabor
Caminhando por gramados de asas pré-moldadas por sonhos de mundos de razão natureza-morta, encontram cantinho de janelas enferrujadas e cortinas e mesinhas e cardápio-arte belo... folheando folhas de outono descobrindo os sabores do lugar, uma intuição: um certo creme de manga que está ali como quem não quer nada além de refrescar a tarde fria... pairava no ar um mau-humor de pouco sono ou resistência de quietude que diante do manjar amarelo desfez-se... encontrou-se livre para sorrir...
Sabores mais que línguas também cores odores memórias sensações associações com mundos de antes e depois... cada alimento repleto de corpo e alma e paz e treva e chama pra perto a vida ressurgindo no interior transparente da papila gustativa...
Na ponta da ponte entre a boca e o sabor o doce lisérgico que acalma e entorpece e transporta daqui pra onde se quer chegar... naquela hora preciso da droga negra, orgânica, forte, fronteiriça entre o doce e o amargo... amargo de chá com pouco açúcar, tudo com pouco açúcar - o que é isso senão um registro do que vivi e aprendi? O azedo de limão maracujá gengibre morango chega de lado, cercando a cintura, com jeitinho, suave, sensual... arrepia porque alegria... intenso porque penetrante... anuncia a acidez fantasia que revira mentes sentes que é mais que real e chega a descobrir qual a essência do gozo... quando chega o instante que o sal acorda do sonho e nos faz realizá-lo sem medo, com temperos e segredos e labaredas... salgado é o mar suor e a massa de pão que sovada pela energia vital transforma a matéria em sabor... Sabor é a vida que cheira a pele querida que amor perfuma até quando não está... e tudo que é sentido é poesia é beleza é arte que nos faz existir...
Música-sabor - Selvage - Curumim
Outros temas: Foto, Arte, Roupa, Corpo, Sono, Faxina, Música, Água, Praia, Viagem, Livro, Sentidos, etc...
calçadas...
Tenho pensado muito sobre memória. Sobre lembrar. Sobre viver o que é dentro de nós nas salas cinematográficas cerebrocardíacas... Mas, olhava como quem queria, como quem não tinha, como quem perdia... e não... no ônibus, chegando no ponto em que ele entra na rua da feirinha de artesanato, pegando o labirinto de ruas de pontas negras e asfaltos pandeiros que tremem cada metro percorrido, passando por esquinas de dez anos de minha vida, praças de dias passados e placas antepassadas, decidi então que tudo que lembro é, está, vale cada centímetro de alma gravada na história de si. Como perder o que vivemos da forma mais vivida possível? Como querer o que já somos nós? Clara, cristalina, límpida compreensão que sempre esteve diante do(s) olhos/ser... mas às vezes esquecemos quando lembramos...
E a medida que vivemos, transformando cada memória vivida em mais e muitas e umas sobre outras, vamos pintando o mundo ao redor de cor´instantes que ficam, impregnam-se na paredes, nas pedras, no verde, no gosto dos espaços... e cada pedacinho de si/tu/do espalhados por aí encantam pela beleza da partilha, da dádiva...
Ponto Cego - Cícero - uma música
Quando
O Ser bruto
Expresso sem querer
Sem motivar uma imagem
Inevitável, por não deixar
de imagem´nar-se
A matéria viva e sensível
em sua máscara dérmica
desprotegida, vulnerável
O olhar cru, a expressão nua
mais do que qualquer
produção da arte-ficialidade
arte-facialidade
saídas fáceis para fora de si
descaminhos de pós e pincéis
Ah, a alvorada do corpo que desperta do sono profundo
e carrega nas pálpebras os mistérios do dia anterior
e de vidas passadas
O fluxo do corpo trêmulo lavado pela chuva
desmanchando formas de cabelos e espíritos
Revelando pelas gotas poros
chaves de segredos... aquilo
que as aparências guardam de subterrâneo...
Paixões de corpo, superfícies, víceras
emaranhadas como múltiplos caminhos que conectam
e alegram os seres que entre´são...
Uma música - Interfone - Cícero
Arte - Jana Joana e Vitche
quarta-feira, 31 de julho de 2013
Servido/a?
Ah, gente louca... a loucura é o estado mais lúcido do ser... porque não aceita nada que esta doentia gente chama de normal... nem aceita nem pratica, porque adora preferir morrer à se submeter... e prefere mais a própria loucura de ser quem é do que ficar mal com a sanidade alheia olhando-lhe torto... Ah, gente louca pra conversar sobre a eterna liberdade eufórica de desbravar o inimaginável... de realizar o impossível... de viver o perigo que atemoriza a maioria, tolinhos... Vamos, tá marcado qualquer hora na esquina de baixo de uma neblina num dia qualquer em que os comuns estejam em seus empregos martirizantes e nós, loucos, estejamos caminhando com música fluindo de nossas mentes e ideias pingando dos dentes... Se você faltar, não tem problema, esbarramos com becos imaginativos que inspiram artes e assim nos alegramos com a louca solidão dos que estão em tudo...
Uma música - Mi Vida Eres Tu - Vanguart
segunda-feira, 29 de julho de 2013
perdido
"Nada se perde, tudo se transforma"... essa frase não é de ninguém, porque ela antecede qualquer autoria... não é uma ideia, um ponto de vista ou opinião... simplesmente é... tudo se transforma... nada está parado, fixo... nem a memória... a lembrança... o passado... o que passou, segue passando, segue existindo, reexistindo, sendo reexistido em nosso espírito/mente/fluxo que vê e revê tudo de uma forma diferente da última vez...
Como folhas caídas de outono ou de velhice ou de gravidade, olhamos pro mundo e ele insiste em nos remeter a outros tempos existidos noutros mundos que pra nós já foi... E aí escrevemos com imagens invisíveis e sons inaudíveis e palavras ininteligíveis histórias, contos, curtas e longas mágicosinúteis, quadros desimpressionistas, sonetos inexistencialistas...
Somos matéria prima argila fresca de universo inteiro: Tudo que foi será tudo que é mudou ontem chega logo amanhã esqueci de mim... O silêncio conversa comigo sobre quem me nega a voz. O ânimo esquenta na chaleira com hortelã e erva doce e açúcar demerara, que é bom para dormir. Dormir é bom para acordar, caminhar naquele caminho que intuitivamente está diante de nós... Existindo a expressão de nós... expressando a existência de si/tu...
Não precisa ter sentido pra ser bonito... mas ao soltar a direção deixamos a vida escolher...
Uma música - O menino - Pélico
E para contradizer proparadoxalmente - Não vou te deixar - Pélico - outra música
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