quinta-feira, 15 de março de 2012

As terríveis angústias da burguesia... (0)

Sinto como se hoje fosse meu primeiro dia de vida...
Putz, quantas vezes é possível nascer em apenas uma vida?
2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011, 2012...
8 vezes, até agora! Talvez mais!
Sendo assim, acho que eu completo aniversário toda semana!
Que merda! Deve ser por isso que me sinto tão velho...
E ao mesmo tempo tão novo...
Completando ano toda semana
Morrendo e nascendo a cada estação...
Estações maiores,
Estações menores...
Trens indo e voltando...
Por que não tem trens para ir a todos os lugares nesta cidade?
Lembro daquela blusa vermelho vivo decotado naquele trem do sul...
Daquele olhar dentro de mim, bem dentro de mim...
Sul...
É preciso migrar...
Mas agora a perspectiva é ficar mais um pouco...
Algo como testar a fortaleça de nossas convicções
Construir uma fundação mais firme
Só para ver se será possível destruí-la
E partir.

Ontem encontrei com um velho amigo
Que nunca chegou a ser um amigo...
Ele está de saída... está aprendendo a levantar circos, a arrumar o mastro ou seja lá como se chama, de forma adequada, para que ninguém morra, em especial ele...
Ser itinerante, nômade, todo mês em uma cidade diferente...
Será difícil viver assim? Será impossível?...
Será que terei a oportunidade de conversar mais demoradamente com ele?...
Ele também faz cara de quem me conhece,
Mas não conhece...

Depois da religião do sagrado domingo de milk-shake,
É preciso aderir à religião da torta de chocolate-com-menta...
E um bom copo de água gelada, para tirar o gosto enjoado...

Hoje passei o dia fazendo o que há de melhor...
Reunir todos os frutos de esforço, entrevistas, conversas, pesquisas, fotos
Gravações, textos, memórias, intuições...
E deixá-los loucamente se organizarem de forma anárquica no papel eletrônico
E de algum modo organizar de modo ainda mais anárquico, ou seja,
Suave, agradável, criativo, sarcástico ou sei lá o quê...
(todos os adjetivos que damos às coisas, são aqueles que justamente sabemos estarem errados)
Ou não...

Enfim! Um dia estranho, extático, emocionante e... estranho.
É como se eu estivesse aprendendo a andar novamente...
Como é passar uma quarta-feira de chuva em casa fazendo aquilo que você realmente gostaria de fazer?
Passei 21 anos sem saber. Apenas sonhando, inventando, divagando, raivosamente me culpando por não estar fazendo...
Logo, me soa terrivelmente estranho de fato estar vivendo isso...
O dia de amanhã não é mais previsível... apesar da agenda estar cheia...
O dia de amanhã não é mais o mesmo, não é "como era antigamente"...
O dia de amanhã tem sempre cara nova, uma possibilidade verdadeira
Ao invés daqueles mesmos problemas sempre diversos, interessantes, mas desgraçados...
Ainda estou me acostumando...
Preciso me acostumar a não estar acostumado...
Me habituar a estar com as pessoas plenamente, conhecê-las,
Ao invés de simplesmente fazer "meu trabalho", enquanto tenho relances de cada pessoa...
A existência quase plena de um recém-liberto em um mundo de escravos...
...
"E que seja eterno enquanto dure"...

2 comentários:

Samis disse...

a relação com os outros eu nem diria..

Achei que este texto seria bem diferente, achei que trataria de outros.

Rodrigo Nazca disse...

Os próximos, sim...