sexta-feira, 31 de julho de 2009

Flor de vidro


Amanheceu (e tudo está bem)

Incompreensível, lógico que é
Irreparável, por tudo, espero que não
Que se torne inquebrável
o teu coração
depois de selado
com lágrimas no chão

Cheio de cicatrizes, todos nós somos
O amor é impossível, é além
Não importam as possibilidades
Estamos bem
Aprendendo com a dor
Não é loucura
Não perca sua doçura, por favor
Mais um instante de sofrer
E depois muito mais nós vamos ver
Não, nossa vida não acabou
Deixe-me saber quem sou.




"Veja você, onde é que o barco foi desaguar
A gente só queria um amor
Deus parece às vezes se esquecer
Ai, não fala isso, por favor
Esse é só o começo do fim da nossa vida
Deixa chegar o sonho, prepara uma avenida
Que a gente vai passar"

40 minutos de choro, silêncio, desculpas e telefone...


"Sexo verbal não faz meu estilo,
Palavras são erros e os erros são (meus)

Não quero lembrar que eu erro
......................................também

Um dia aprendemos - tentar descobrir
porque é mais forte quem sabe mentir (?)

não quero lembrar
.......................que eu minto também (não!)"


(não, sem mentiras... - é preciso verdade, mesmo que escondida em poesia e dor...)

quinta-feira, 30 de julho de 2009

"Da mútua dor mútua cota de dano..."

Uma vitrola de uma canção só
Que se repete, repete, repete...
Até se rachar.

Vamos mudar
Com esse furacão a passar
Andei sobre vidro rachado
Um passo de qualquer lado
E doia em alguém.

Eu também tentei odiar
Não consegui.
Tentei dizer adeus,
Não consegui.

Está feito.
Não se pode preservar
A vida como uma fotografia
Deixemos o inverno passar
Ver o que sobreviverá.

Acabou. (?) O que pode acabar?...


Ah,
Essa sua perfeição
Que sofre sem ter erro
Sofre por outro coração

Sua doçura que não acaba
Mas que está triste,
Uma tristeza intraduzível
Em palavras feias

Esse trem descarrilhado
Trilhos unidos
que se afastaram
e desabaram...

Muitas coisas perderam
o sentido, eu sei.
Eu quase que não acredito mais
em sentido.

Estou assim insentido
Mas, enfim.

O fim não tem fim.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Pensamentos...


-Amor- (in)condicional?


Soa como o ideal
O maior, o infinito

O que é?

Como amar incondicionalmente?
Sem condições?

E o que significa?...
Independentemente?
De quê?...

Uma só vez na vida
Passei por algo assim
Ruína de referenciais, idéias, conceitos...
Viraram pedras miúdas espalhadas pelo chão
Por onde eu caminho arrastando os pés...

Mas naquela época foi uma
Indescritível desilusão
Que despedaçou o que eu era...
Não sobrou nem porta, nem janela
Nem parede ou clarabóia de mim...

Agora, quando as paredes desapareceram
novamente
Deixando-me ao ar livre de mim
ou sem mim
o efeito foi muito
mais profundo...
Onde está o farol
que guia ante as pedras?...

Sinto-me de tal forma
diante da séria possibilidade (ou fato)
de enfrentar toda e qualquer pedra
sem proteção... (de coração)

De fato, já enfrentei rochedos
Rasguei-me neles,
Rasguei-me nas risadas cortantes de arenito,
Nas brincadeiras asquerosas de pedra vulcânica
Na solidão gélida de quartzo...

Sim, descobri...
Não sou infalível...
(sério?)
É, parece difícil de acreditar
Mas eu acreditava demasiado em mim...
O que resta, então?...

E o que é o amor?...
Antes acreditava demais,
Eu exigia demais...
E assim, apegava-me e sofria...
por outrem... (dependência)

De duas formas isso mudou
Primeiro que perdi o direito
de exigir... se eu mesmo não consigo.
Se eu tenho fraquezas, como exigir fortalezas?...

Depois que senti como as escolhas de alguém
Podem doer em mim, dilacerar-me, quebrar-me...
Naquela noite e antes disso
Eu cauterizei... tantos sentimentos

Primeiro por sentir ir embora
Quando ia ter com aquelas pessoas
suas amigas...
Me doia tanto...
Mas depois eu tentei resolver
Passei uma madrugada a conversar
Na época pensei - pronto!
Mas nada mudou...
E pouco depois, eu parei de me importar...

E agora essa madrugada, em que fiquei...
só ouvindo, só... sozinho... buscando dores para abafar
E eu pensava "por quê?"...
E eu sabia, eu sabia...
Mas doia e doia...
E eu não queria
E pedia
"páre"...
E não, e cada segundo arrastado...
Até acabar.
E depois, na alvorada
Fiquei lá, a derramar-me
E revivendo e pensando
E transbordando e esfriando...
Até que parei de me importar...

Sim, sim...
Voltei.
Voltei porque ela estava lá...
E não conseguia não sentir
Tão perto.

Mas depois, senti-me estranho
Porque sumiram minhas entranhas de sensações
E me senti de certa forma
Tão bem... sozinho
Sem precisar
Estar (com ninguém?)

Foi assim...
Uma mistura de vazio
Com meu eu inteiro
Lógico que eu tentei me sentir mal
Porque queria sentir, queria
...
Bem, volto a sentir
Graças!
...
Caminhando sobre o sol
Pensava...
Não sentia calor
Só pensava...

Refletia...

Bem,
O que é o amor?...
E a confiança, tão fundamental?...
Amor incondicional é amor
Que não se importa, apenas ama?
Não exatamente...
É um importar-se sem julgamentos
Sim, existem escolhas e pedidos
Mas, a compreensão
é maior, maior...

É um importar-se sem condições...
Importa-se indefinidamente, sem imposições
E para não impor, não pode sofrer das coisas não impostas
É preciso estar maior

E mais, é reconhecer, verdadeiramente
Que não é possível impor...
Que as transformações se façam
Através do amor...

Dói, dói muito
E nem mesmo cheguei lá...
Simplesmente minha alma
Sabe que não tem mais direito
Ah, sentia-me tanto no direito
Mas eu ainda sinto tanto
Por fazer sofrer quem eu amo

E a razão, para onde vai?...
Bem... pobre razão...
Há anos que em mim
tento diminuir
tal direção
Deixar afogar
Tudo que há
em emoção...

Eu sei, eu sei...
Não faz, não precisa fazer sentido...
É o que é...
Ela sempre estará comigo
Mas eu preciso ir...
Nem mesmo sei dizer
Por quê...

Vou sentir tanta falta
Vou chamar-me saudade
Vai doer-me a alma
Vou sofrer até tarde
Mas vou...

Não sei, não sei
Que amor terei
Quem serei...
Para onde irei...
E os planos cristalinos?
Ficarão aguardando
O momento de serem
vividos os danos...

Aprendendo, aprendendo
Não sei o que aprender
Só sei que a cada dor
Será maior o amor...

E não tem fim
Esse poema
Poderia a noite inteira escrever...
Mas vou-me, termino
Para que possas ler.

(cicatrizes)

Branco...


Estados de ser
Quantos, nem tantos
Experimento há horas demais
Uma insensibilidade
Que chega a incomodar

Ouço algo
e não estou sentindo
O êxtase que sentia.

Me desconectei do mundo
Tão concentrado em algo.
Onde estou?

A cicatriz que eu já esqueci
Ainda está doendo
sem que eu possa sentir?

O resultado que eu já ignorava
Está escondido, existindo?

Não sei, não sei...
Quero voltar a mergulhar nos sentimentos
Quero te ver, quero te ver.


"Eu ando sempre pra sentir vontade"...

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Vidro...


The Hardest Part
(A Parte Mais Difícil) Coldplay


E a parte mais difícil
Foi deixar ir, não participar
Foi a parte mais difícil
E a coisa mais estranha
Foi esperar aquela campainha tocar
Esse foi o início mais estranho

Eu podia sentir isso desmoronar
Doce amargo, eu podia sentir na minha boca
Contornando de prata as nuvens
Oh, e eu,
Eu queria que eu pudesse resolver isso

E a parte mais difícil
Foi deixar ir, não participar
Você realmente partiu meu coração

E eu tentei cantar
Mas eu não consegui pensar em nada
Essa foi a parte mais difícil

Eu podia sentir isso desmoronar
Você deixou o gosto mais doce na minha boca
Seu prateado contornando as nuvens
Oh e eu
Oh e eu
Me pergunto sobre o que é tudo isso
Me pergunto sobre o que é tudo isso

Tudo o que eu sei está errado
Tudo que eu faço simplesmente se desfaz
E tudo está despedaçado
Oh e é a parte mais difícil
Essa é a parte mais difícil
Sim, essa é a parte mais difícil
É a parte mais difícil...


(The hardest part - Coldplay)


Também na mesma manhã desgraçada, depois, depois de rachar-me, derramar-me ao vento frio, transbordar lágrimas, tristezas, compreensões, resignações, sofrimentos, ouvi essa música... e também fez sentido...

E, não, você nunca partiu meu coração, ele é que se partiu por machucar tanto o seu, ele se apertou, se aperta, se despedaça, desmorona...

Amore, sempre serás a pessoa mais importante do mundo pra mim, minha alma-irmã, ainda que tenham mudado tantas coisas, com tanto contragosto e tormento... e dor e lágrimas...

Teu sofrimento é terrível... (pra mim)...

E tudo que eu sofri (terrivelmente) naquela madrugada que passou, eu mereci... foi uma injeção instantânea de grande quantidade de sofrimento que você sofreu ao longo desse tempo... eu precisava sentir na pele, no frio, na solidão, na tristeza e na mágoa tudo que sofres... eu senti... a noite mais triste de minha vida...

E agora, eu não sei... não quero imaginar... não sei...
Meu amor por ti é infinito de alguma forma, está no sangue e na alma...
Nunca poderei me separar de ti.

Durante a alvorada...


X & Y
(Coldplay)


Tentando muito falar e
Lutando com a minha mão fraca
Levado à distração
É tudo parte do plano.

Quando algo está quebrado
E você tenta consertar
Tentando reparar
De qualquer forma que conseguir

Eu mergulho no fim profundo
Você se torna minha melhor amiga
Eu quero te amar, mas não sei se consigo.
Lá em cima e gritando do topo de uma montanha
Fica claro que é tudo parte de um plano

Eu e você estamos boiando num maremoto juntos
Eu e você estamos sendo levados para o espaço sideral e
Cantando
Ooh ooh
Eu e você estamos boiando num maremoto juntos
Eu e você estamos sendo levados para o espaço sideral e
Cantando


- Música que caiu do céu na pior madrugada de minha vida...

Own, Amore, essa música é subliminar...


(X&Y - Coldplay)

Own


Janta
(Marcelo Camelo)


Eu quis te conhecer mas tenho que aceitar
Caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá
Pode ser cruel a eternidade
Eu ando em frente por sentir vontade

Eu quis te convencer mas chega de insistir
Caberá ao nosso amor o que há de vir
Pode ser a eternidade má
Caminho em frente pra sentir saudade

Paper clips and crayons in my bed
Everybody thinks that i'm sad
I'll take a ride in melodies and bees and birds
Will hear my words
Will be both us and you and them together

Cause i can forget about myself, trying to be everybody else
I feel allright that we can go away
And please my day
I let you stay with me if you surrender

Eu quis te conhecer mas tenho que aceitar
(I can forget about myself trying to be everybody else)
Caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá
(I feel all right that we can go away)
Pode ser a eternidade má
(And please my Day)
Eu ando sempre pra sentir vontade.
(I’ll let you stay with me if you surrender)

(Janta - Marcelo Camelo, participação de Mallu Magalhães)


E essa música não sai de minha boca, ouvidos, coração...

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Areias... de ampulheta...


Estou cansado demais para escrever
Agosto se aproxima...
Uma voz triste ao telefone...
Uma vontade de dormir cedo
Uma sexta feira de sol quente
Olhos ardendo, "grande novidade"...
O canto baixinho da saudade

Não tenho nenhum segredo especial...
Nada que tenha escondido...
Se há, são sentimentos
Não traduzíveis...
E se escondo algo, escondo de mim mesmo
Logo, torna-se impossível contar...

Posso dizer-lhe, ao menos
Que lembro-me de um momento passado
De muitas ruínas e cinzas...
Algo no presente me lembra aqueles dias...
Seu cheiro ainda está em minha mão
Meus conceitos são como pedras
Que ante a intempérie
Viram areia
De uma praia qualquer...
De uma ampulheta...

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Lithium...


Sinto-me estranho
Céu de estanho
As imagens quebradas
Na minha lembrança
me desconcertam
Não sei o que lembrar...
.
Como você é?
Eu não sei, eu não sei!
E agora, o que eu posso
fazer?
O chão tremeu,
Estou em choque
Meus cabelos soltos
Ainda são os mesmos...
.
E as palavras metálicas
Que faiscam e brilham
Brincam comigo
E vou dedilhando
Nas minhas entranhas
Mas que façanhas
Ainda restam?...
.
Pela primeira vez
em tempos, em tempos
sinto-me bem
sozinho...
.
olhar uma história
minha conhecida...
guardar o retrato
da janela vermelha
esquecer as maiúsculas
.
Malditos!
Levaram minhas imagens
Voltaram só as que não gostava
Não precisava disso agora
não, não precisava
estava bem! estava!
.
Subiu agora uma raiva!
Vou lá buscar!
Onde estiver...
Malditos!
.
oO
Que diabos?
Montanha russa?
Subi lá em cima, veio adrenalina...
A raiva instantânea
Fiz uma busca... será?
Nossa, encontrei.
Passou o motivo. Uma emoção relâmpago.
.
Ainda posso sentir
a emoção se dispersando no peito
diluindo-se nas veias, em teias
...
estranho...
um poço de substâncias químicas
que jorram e brincam e burilam
trepidam, espirram...
Sou eu...
.
E meus cabelos
Agitam-se sem medo.
E só essa sensação
justifica tê-los...
.
Ah, cabelos...
Choque...
Choque...
Paralisado...
a impossibilidade de ver
voltou...
Como posso imaginar-te?
Como?...
.
Uma noite minha...
Não estás comigo...
nesse momento não a sinto, porque não a vejo
Preciso de amanhã
que chegue logo!
.
Estou só...
Ai, como é bom!
nostalgia...
nostalgia...
.
risadas de ironia...
lembranças hilárias...
depois que passa, é fácil rir...
tudo tem graça
.
Tá, ver o futuro não é o meu forte.
Eu o estruturo, construo passos
Mas contigo ou sentigo, não sei como é
como será...
Contudo, conada, como será o mundo?
Como estará tudo? Voltarei ao início da estrada?
Em que parte estou?
.
Ai, eu não sei...
Sinto-me só e bem...
Por esse instante milimétrico a saudade se foi.
Não leve a mal, seja lá quem for
Choque, surpresa, medo, raiva, nostalgia, estado de ser
Tudo isso me deixou assim
Não sinto... estou aqui sem sentir...
Nada além de sensações corporais
Como meu peito que ainda tem um aperto
da surpresa...
.
Drogas, já as tenho dentro de mim...
emoções... ácidas...
sentimentos... entorpecentes...
saudades... surreais...
tudo... em mim...
.
Não tente entender...
Nem mesmo leia, se puder.
Mas dizer isso no fim é trapacear
... hA.
.
Bem, termino
A sessão fantasia de circo e magia
Estou em estado de surrealizamento
Desatento
Eu.

esperas...

Saudade de quem está longe
Lá no céu de limão
Volte ainda nesta estação
Que estou aqui a contar
As cartas de cada dia
Até o dia chegar...



(escrevi mais esse mês que no ano inteiro)

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Lillás... de asas embora...


Sinta vontade de ficar...


As asas são frágeis, as quedas são dolorosas, mas estamos vivos... respirando... -nos
E quando você for embora...
Sempre vou te procurar....

descores...

Borboletas renascendo...

estavam mortas...

mas o fim não tem fim...

terça-feira, 21 de julho de 2009

Preto...


Não queria me despedir de ninguém...




precisamos conversar...

...antes de termos uma overdose
de emoções...

Deitado...


E até minha saudade por ti
Que está longe, há 11 horas daqui
11 dias - pedaços de ausência
11 dias preenchidos por um desejo incontrolável
11 dias de 11 mil abraçados não seus
11 dias de destinos impossíveis
11 dias...

até esta minha saudade eu não sei o que é...

Agora o que quero é agosto.

Não sei como viver
Só vivo...

Não sei pra onde andar,
Só ando
Sempre nesta direção...
Esse cheiro,
Essa sensação...

Os teus sonhos nebulosos chegam em mim
E eu não sei como sair deles...

Como olhar pra´queles olhos
Sem estremecer
Ou sentir aquele corpo
Ou esse sorriso...
Como?

Tempo, tempo que se arrasta
Levante e venha até mim
E aponte com esses dedos ágeis
Tempo que desconhece a dor
A trilha, a pista, o fio da meada
Para encontrar
o que for...
(Nada)

Agosto
no teu rosto.

desconhecido...

Sou um poço de silêncio
Um castelo de areia
Uma folha de outono
Uma maçã cortada
Uma angústia violenta
Uma violência da alma
Uma calma sem paz
Um desejo incapaz
Um presente descompassado
Um caminho estraviado
Uma ruela inundada
Um livro sem as últimas páginas
Um tempo sem si mesmo
Um ser perdido
Um estar demasiado.

escuros


"Fique a vontade meu bem
Sinta vontade de ficar
Não tenha pressa
Quem sabe aqui é seu lugar
Mas se tiver de ida
Vê se não vai assim sem mim
Deixa a dor pra depois
Vamos nos aventurar nesse nosso tempo
Após prantos sem chorar"


Tenho vontade
De partir-me em dois
E morrer nesse processo
Duas emoções inconciliáveis...

Uma fuga, ah, maldita fuga...
eu queria...
Mas não terei,
eu sei.


O que é justo?
A justiça se desmanchou
Como um vela acesa por tempo demais
Mas justo seria
Nem uma nem outra...

E essa música me martela o coração
Uma voz de tal forma atraente
Canção perfurante, cortante...
Na Terra do Nunca

E é quase impossível resistir
Um milímetro entre nós
Uma respiração só

Minha alma à noite fica agosto
Entre tudo eu vejo o teu rosto...
Na escuridão do quarto de luz acesa
No silêncio das palavras ditas...

E lembro dos milhões de dias antes
Dias sabor limão espumante
Um roxo sabor doce com banana
Sabores de morango e de tudo

Lembro de tudo
Me esmurro
...
Uma agonia que não cabe
Um grito que não sai
Um destino incompreensível
Me atormentam...
O desejo me atormenta,
Uma tortura...

Estar, estar, estar...
Só o que eu quero
E não quero
E não consigo
não querer...

domingo, 19 de julho de 2009

O mais próximo do paraíso...


"E eu desisto de tudo para tocar-lhe
Pois eu sei que de alguma forma podes me sentir
Você é o mais próximo do paraíso que já estive
E não quero ir pra casa agora...
.
Quando tudo parece como um filme
Eu só quero que você saiba quem eu sou..."
.
.
.
.
(Íris - Goo Goo Dolls)

O Brilho Eterno...

"Eu preciso do seu amor
Como do pôr-do-sol"...
.
.
.
.

(Everybody´s gotta learn sometime - Beck)

Chuva sem frio...


Brincar de sentir, a melhor coisa da vida!
A magia de humano ser
É a multidão de sentimentos
E sensações e toques
E prazeres e alegrias

E estar com você, como for estar
É tão bom (estar)...

Ah, chega de perguntar...
Palavras já disseram muito
Em outros lugares vamos procurar

Depois voltamos a falar
Agora não, é bom estar
Em silêncio de olhar
De perto, de qualquer lugar

Aqui comigo, onde estiver
Fique o céu lá em cima frio
Que aqui conosco é calor
Jorrando cor, cheiro de flor
Na tela nublada da janela
Sentindo o que ninguém sentiu...

Ah, estar buscando a companhia
Cálida, mágica, rápida...
Faz o tempo mais surreal
Eu olho então, brilhando, passar
As nuvens no céu... o sol...
.
.
.
-----------------------------------------------------------------
(Sinta Vontade de Ficar - Canto dos Malditos na Terra do Nunca)

Brincadeiras...

Mágico Cinza

Dois ou três correndo e rindo através daquela paisagem cinza. As rachaduras nas paredes úmidas pareciam tão divertidas quando estavam juntos, naquele grupo, naquela folia, naquela festa sem balões ou bolos ou serpentinas, simples festa por estarem ali juntos. Os prédios abandonados que flanqueavam o caminho eram agradáveis aos espíritos jovens e despreocupados, corações de amigos. Seguravam-se as mãos, rodapiavam, pulavam, subindo sobre caixas, jogando-se nos ombros uns dos outros, perseguindo-se, gritando, gargalhando, caindo no chão, abraçados, piadas e pedrinhas arremessadas para ver quem conseguia atirar mais longe, desenhos nas paredes com gravetos molhados e apodrecidos, brincando de olhar os reflexos nas pocinhas de água nas irregularidades do chão, jogando os casacos para o alto para ver quem pegava, pega-pega, ciranda, adivinhação! Nossa, era bom. Uma entrou pela entrada do galpão à esquerda. Atravessou, passando pela porta do outro lado, chegando no limite do cais, onde as águas cinzas e paradas esperavam serem despertadas por qualquer alegria inesperada. Pulavam! Estavam vivos! Ê^^! Um pegou uma flautinha, a outra uma pandeirola, começaram a cantar umas musiquetas e dançar como carrosséis. E magicamente a canção de vitrola de cavalos e carruagens circundando um eixo fez-se soar e eles viram logo a frente um parque perdido naquele espaço. Correram pra lá, vendo quem chegava primeiro, mas os braços uns dos outros se encontravam e se impulsionavam. Estava totalmente vazio, mas as luzes se acenderam sozinhas! Devia ser obra de fadas e duendes daquelas paisagens misteriosas. Correndo através dos brinquedos, ouvindo as músicas, pulando sobre as muretas, os portõezinhos, eles aceleraram o ritmo do carrossel encantado e sorriam sorrisos maiores que o céu! Os corações eram caixinhas de música enlouquecidas que brincavam feito crianças hiperativas. Estavam felizes, estavam eufóricos. Não faziam perguntas, apenas apontavam outros brinquedos, outras formas de brincar. Dois ou três jovens dentro de espíritos de aventura. Não se cansavam, não viam o tempo passar, se chovia ou esfriava, não havia nada que os fizesse parar!
.
.
.
.
.
(Nur ein Wort da banda alemã Wir Sind Helden)

Deitado olhando o universo... de mim...

Um lago espelhando o céu

Acho que o cansaço em mim não seja o sono em falta
A prova contrária são as suaves noites passadas
É, talvez, um estado natural de espera em minha alma
Uma espera pela companhia acalmada...
E que hoje não sabe mais ser

Desaprendi a estar comigo,
Sempre buscando o outro...?
Não mais como antes,
Tardes e mais tardes eu e o vento...

Não sei, não sei... estou assim, sem respostas...
Mas há também menos perguntas, felizmente
Os quebramares se amaciaram em praias
E as borboletas se transformaram em flores
Nos campos verdes-cinza dos interiores
Nos pôr-do-sóis nublados e acolchoados...
Uma paz de saudade e sorriso.
.
Se não sei estar comigo, escrevo.
Ouço uma canção em equilíbrio comigo
Um canto de passarinho em meu assovio
Buscando uma sintonia com o bater dos minutos

A janela enquadrava um pequeno céu nublado ontem
E o seu colo estava tão repleto de presença
Eu esperava notícias com uma saudade imensa
Mas ainda assim estava bem, estava...

Ainda não ouvi a voz tão esperada
E escrevo os meus dias enquanto está calada
Mas tenho a certeza desta doçura em meus ouvidos
Breve me chegarão palavras feito aves...

Encontrei-me um tanto ao longo desses versos
Posso agora ter comigo as horas
Ler enquanto a noite está lá fora
Ser e estar junto ao universo.
.
.
.
.
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(Adeus - Madredeus) - neste momento...

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Amizade e Amor?


Os ventos passarão, as janelas passarinho


Olhando naquele espelho fantasmagórico do passado
Posso lembrar quando de tudo que havia eu me afastava
De tudo, de tudo... naquele mês de meio de ano, ou naquele lá no final
Os afazeres se iam e com eles ia-se tudo...
Nenhuma voz eu ouvia, nenhum telefonema,
nenhuma notícia, nada... eu, eu mesmo e a varanda e o céu

Eu era uma criança que brincava consigo...
E a piscina lá em baixo tinha barulho de outras crianças
(que nunca conheci)

Não havia papel de carta, eram aviões para longe, que rodopiavam e caiam
E passei por tudo construindo mundos com mil cores e fundos de histórias
Voando em aviões dobrados para irem para longe...

E vez por outra eu olhava no espelho
Algumas lágrimas pelas ausências ou pelos traumas
Dos quais hoje tenho vagas lembranças e alguns resquícios...

Na chegada, recebia todas as novas,
Para onde todos tinham ido, entre eles, amigos...
Eu ouvia e queria ir, mas não fui...
Passaram... passaram...
E depois eu que passei...
E eles ficaram... pra trás...

Sem passado, sem nada, sem memórias...
Recordar é esquecer...


E qual, então, será o segredo?
(pra mim, ao menos...)
Como, como, como?
Se a época de raízes se foi
Com a terra exposta ao sol e ao vento?

Anos de décadas eu caminhei...
Caminhei por ruas, caminhei por mim...
E praias e pôr-do-sóis e ondas e madrugadas
E poemas guardados em páginas viradas...

E o encontro da luz que ilumina...
E os raios percorrendo tudo...
E novos cantos... escuros...
A luz continua perfeita, sim
Mas há espaços despreparados...
É preciso preencher vales de lágrimas
Com novas imagens mágicas
Algo que se nunca foi...

Aquela forçosa independência precisando se concretizar
Ser real, ser algo mais... e não a simples resistência ao vazio...
Um turbilhão de aprendizados... haveria dependência?...
Estar para ser pleno e não dependente...
Como querer exigir? Por quê? Se sabia que existem outros jardins...
Sim, outras vozes, ela as tem... e é tão bom que seja assim...
Mas não serve pra mim...
Sou outro... é dela e só dela...
Algo errado? Jamais, claro e natural...
Demorei pra entender, mas agora entendo...
Quando for coexistir, que bom, quando não... bem...


E eu... então...?
Eu e eu...
Eu ela e eu...
Eu ela e elas...
Eu e eu...

E agora... eu... achei também...
Talvez, assim...
Mas como não perder?
Como não passar?
Se cheguei bem depois... se já há tantos?
E eu não estava antes... se não estive em tantos lugares...
Qual a resposta?... que laços?...

Carinho.
Não pude ser parte do passado...
Mas posso estar.
Estar.
Sempre...
Respirar...Sentir...Olhar...Abraçar...Conhecer...Estar.

Para onde?
Apenas aqui... ali... agora.
Não precisa ir... basta ficar.
Uma nova luz?... Uma nova cor?
Bem... diferente... ultravioleta... infravermelho...
Estar.

E o que É?
Não se divide, se expande.
Não diminui, pois é infinito.
Não se afasta, é Um.
Pra sempre.

Ela vai entender.

Por que ter medo?
Tudo acontece
Você sabe como.
Estamos caminhando...
Não vamos parar...
Voltar? Jamais.
Arrependimentos? Só dos não feitos...

Eu sou, você é.
Amar é tudo o que importa.
É preciso amor - em tudo.
É preciso, é preciso.
E as perguntas? Terão suas respostas...
De muitas formas... palavras não respondem tudo.
E as sementes brotam
Em todos os poros...
Não há porque duvidar...

Esteja comigo.
Não se vá.
Não se vão.
Não me vou.

Ficar enquanto o caminho vai
Estar.

Amar é tudo o que importa.

Suspiro...


Meu Deus,
Paz!

Queria eu passar 13 dias fora, longe de tudo, fora de órbita

Dar um pouco de tempo ao tempo...

Cansado, exausto...

Queria estar sozinho só por um instante para descansar

Por Deus, entenda, faz parte das pessoas ou ao menos de mim...

Um pouco de solidão para encontrar os pensamentos

Não te cobro mais que esteja comigo fisicamente cada instante de sol à lua

Que não vá com suas amigas quando estou aqui (agora entendo quando quiseres ir)

Estás comigo infinitamente no coração e no espírito

E isso basta, isso é sublime e pleno.

Entenda, entenda, esteja comigo, compreenda, eu te peço

Se sou diferente, nossa, existem milhões de Eus diferentes por ai

E talvez cada mão que abra uma janela veja uma paisagem diferente

Dependendo da maneira de olhar...

Deixe-me ser e estar... estou... somos, és e sou... tudo parte de tudo

Você jamais estará longe de mim, nenhuma dúvida poderá te afastar

Por Deus, por tudo, por nós e pelo tempo, não se vá, não vá embora,

que suas lágrimas sejam somente

de alegria...

Terei eternas saudades quando estiveres longe...

E eu nem mesmo preciso pensar em ter saudade, está no sangue, está na alma, como respirar, como o bater do coração, como o piscar dos olhos...

Pelo amor e pela luz e pela imensidão de tudo,

Não me espere, pois já estou aqui

Não tenhas medo, pois estou aqui

Não duvides, pois estou aqui

Não se entristeça, pois sou todo seu...

Venha, venha, venha... escreva-me, pergunte-me, queira saber quem eu sou

(ao menos naquele momento)...

Mas aguarde as respostas, as ouça, não as arranque

Não pode os galhos das árvores ou das flores, deixe-os sentir a brisa

Não arranque os males, deixe-os fazer as fibras mais fortes

Deixe-me estar contigo...

Deixe-me estar onde estiver...

Porque o amor é maior que tudo...



Para Amore

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Não se vá...

-PRETO-

Se pra cada amor que houver, também vier dores e lágrimas
Se ao me aproximar, transparecendo sentimentos e lástimas
Deixando escapar as minhas palavras drásticas, tolas ou mágicas
For causar maior solidão que a minha que eu pensava ser a maior
Se assim for, por que diabos então há o amor?

Na imensidão do oceano os cardumes se afastam dos ciganos
E as ondas espumam milhões de enganos
As tempestades agitam corações em chuvas insones
Escondendo o brilho, nos deixando com fome
Da luz escassa do crepúsculo da vida
Levando embora a caravela de minha preciosa
.....................................................amiga
Derrubando os coqueiros e os quentes abrigos
Esfriando as pontas dos dedos e das feridas
Até o retorno cruel
Ao ponto de partida

No romper da costura daquelas peles rasgadas
Sangrará uma solidão demasiado antiga
Ai, tudo porque sinto ir embora esta minha amiga
Que comigo ouvia a canção do silêncio
Ecoando em mim as ventanias do tempo
Encantando em mim os contos de fadas

E uma tristeza serena e taciturna se esconde
Nos cantos escuros das palavras do horizonte
A perdurar nos corredores muitos e desconhecidos
Da minha alma que sofre a perda da sua
Esta perda demasiado seca, continentalmente crua...
Uivando mil noites diante da lua...

Não, não, não se vá...
Engane o destino que a todas levam
Rompa as correntes que terrivelmente encerram
As noites e as cartas e o olhar ardente
E aguarde comigo as respostas indecentes
Que desabrocharão das veias em ondas do mar

Alegria, esteja conosco...

Defesa da alegria

Defender a alegria como uma trincheira
defendê-la do escândalo e da rotina

da miséria e dos miseráveis
das ausências transitórias

e das definitivas


defender a alegria como um princípio

defendê-la do assombro e da opressão

dos neutros e dos nêutrons

das doces infâmias

e dos graves diagnósticos


defender a alegria como uma bandeira

defendê-la do raio e da melancolia

dos ingênuos e dos canalhas

da retórica e das paradas cardíacas

das endemias e das academias


defender a alegria como um destino
defendê-la do fogo e dos bombeiros

dos suicidas e dos homicidas
das férias e da angústia

da obrigação de estar alegre


defender a alegria como uma certeza

defendê-la do óxido e da farsa
da famosa pátina do tempo
do relento e do oportunismo

dos proxenetas do riso

defender a alegria como um direito
defendê-la de deus e do inverno

das maiúsculas e da morte

dos apelidos e das lástimas

do azar

.........................e também da alegria.


Mario Benedetti

Lillás


Pulos e uivos...

Estou assim, um tanto sem palavras
Imaginando que podes estar indo embora
Sei que pode ser insuportável
Sonhar um sonho incompleto
Sei que o carinho pode ferir
O coração quando é incerto

Mas eu não queria, não queria nunca
Perder você para a escuridão
Ou que esquecesses as cores nossas
Que se deixasse ficar n´uma prisão...

Não bastam as noites mal-dormidas
Ou as cartas treze mil dobradas
E as unhas e as praias e os livros
Ou telegramas pela madrugada?

É uma pergunta retórica, eu sei
Lógico que não basta, mas...
Eu não queria perder sua companhia
Eu queria te ver feliz, em paz
Queria ver cores em tudo que você faz
Queria te ver mais...

Quando nos vermos
E as palavras foram lidas e ditas (ou não)
O destino dirá através dos olhos
O que não conseguirmos dizer

Não vá embora... não...

sábado, 11 de julho de 2009

Sinos e nuvens

Para a lua que canta no escuro... meia lua, meia noite, meia tarde que se esvai... meia luz nos sinos de vento de lua de prata de sombra e de folhas... Uma saudade de contraste entre o fim da tarde e o que se parte...

O Velho e o Moço


Não sei que idade eu tenho nem sei que horas são. Não tenho medo do escuro, só não gosto da solidão. Eu não tenho nenhum destino ainda que não duvide da ilusão que é esperar chegar onde não há como chegar. Se a rua está vazia e qualquer presença parecer uma ameaça, bem, não adianta se esconder, basta caminhar e viver. Se os passos correm o risco de ser uma queda, não irei ter medo, não irei parar. "Eu gosto é do estrago". Que seja, que doa, que chova, que molhe, que esfrie, que escureça. Há de ser bom enfrentar tudo e sobreviver. Há de ser bom sangrar para rir da cicatriz. Contar a história como se fosse um conto de fadas ou uma aventura imaginada. E os medos e erros que eu cometer? Ah, cometi tantos já. Só posso dizer que tudo foi para o melhor. Sofrer foi bom, aprendi pacas. Chorar e achar que a vida não merecia passar dos vinte e um, olhar o reflexo na parede e pensar na tristeza de existir. Amores para realizar? Por muito tempo eu corri atrás como um saxofone em busca da madrugada, um chorinho na esquina do beco escuro, um sedento procurando o último gole. E aquela secura na minha garganta diante do mirante do mar, das árvores levadas pelo vento, da imensidão maior que eu muito, lembrava-me que a procura continuava. Encontrar é realmente o inusitado, o sentimento estranho, o grão de areia na ostra solitária que esperava o amor e encontrou a pérola. O que fazer após o exagero da madrugada, a ressaca dos sentimentos? Trezentos e sessenta e cinco dias parecem imensos, mas voam leves como bolhas de sabão sopradas por um mímico na festa de um circo intinerante cheio de mágicas e maravilhas. O domador de feras imaginárias no centro do picadeiro surpreende pelo número incomum de risos e sedas. Mas fora da minha mente o mundo é uma praça e um banco, um tronco morto caído no meio do caminho com cogumelos fantásticos brotando das veias. Talvez eu seja aquele passarinho cinza com penas vermelhas na cauda que pousa sobre a madeira oca em busca de alimento e companhia. Ou ainda posso ser o vira lata de manchas roxas e orelhas caídas que caminha pelas ruelas esperando amanhecer. Meu eu antigo e meu recente conversam e brincam, como se trocassem de papéis. Eu me sento no banquinho de madeira cinza e "converso com os séculos a história do universo".
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"Clareia minha vida, amor, no olhar..."


"Pois é"


Os sininhos se dobravam enquanto a brisa esbarrava neles, com gotinhas de água caindo do céu, naquela varanda friinha, aquele piso branco e as paredes lavadas pelo tempo. A grama suspirava saudade de pés fofinhos para pisá-la, acariciá-la. Queria corpos deitados, olhando o céu azul e branco, queria cabelos emaramanhados, jogados entre as finas folhas de verde claro. A sombra da mangueira também queria alguém para proteger e o balanço esperava duas pernas ágeis para nele voar. Os passarinhos ansiavam por ela, para que saisse de baixo do cobertor e então cantar pra ela. Não ousavam recitar nenhuma nota antes daqueles dois sóis disfarçados de olhos levantarem-se para o mundo e lavarem o céu e as nuvens. Eles aguardavam quietos, pesinhos unidos no galho mais próximo da janela, olhando-a. Invejando o rapaz que a abraçava, ah, como os pássaros o invejavam. Eles invejavam o amante daquela beleza que a natureza criara, aquele corpo e rosto e pele e lábios exageradamente belos. A única canção era a dos sininhos na varanda vazia. Uma sensação de conforto no ar, uma vontade de ser eterno, uma sensação de plenitude e cumplicidade envolvia os dois. Não, não tinham vontade de se levantar. A cama estava branca e brilhante com a luz da aurora que passeava pela janela. As paredes cor de orvalho e cidreira quase exalavam o perfume da tranquilidade e a mesinha de madeira simples e delicada se espriguiçava ao lado da cama, enquanto aqueles dois deslizavam um sobre o outro. Uma maçã e um copo de água resfriado pelo vento frio bastava àquelas almas plenas em si mesmas, unidas, acaricidadas, porém insaciáveis. Precisavam estar e ser... Olhar o céu, os pássaros, o horizonte lá fora. "Só mais 5, 10 minutinhos e eu me levanto", ele sussurou, mentindo. Não levantaria nem nas próximas horas, mas isso a fazia rir. Ela conhecia todas as brincadeirinhas da voz suave dele. Ela entendia cada mínimo movimento de suas sobrancelhas negras e ele já sabia o que ela ia dizer ou fazer (um maravilhoso e angelical suspiro). Eternamente podiam estar ali. "Vamos ficar assim pra sempre?", ele disse, abraçando-a. Ela riu e concordou. Iriam, jamais se separariam enquanto o vento soprasse, a música tocasse em suas almas, a luz iluminasse todos os cantos.
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(Pois é - Los Hermanos)

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Ciranda


Tudo, tudo acontece
(mesmo quando não parece)
Da melhor maneira
(enquanto pensamos besteira)
Possível!
(Viva!)


O acorde ecoa pelo quarto frio
De meus ouvidos fascinados pela canção
Frio está porque lá fora cantam as nuvens
Na harpa angelical das gotas de chuva

Duas vidas me encontram em mim
Um sentimento novo acabou de me chegar
Como uma carta que me fez um grande bem
Nas confusões de tudo a paz se fez encontrar

Abraços não podem se subtrair
Eles crescem e aumentam e confortam tanto
Eles são maiores até, talvez, que os encontros úmidos
De lábios vermelhos, desejosos, túmidos.

E nossa brincadeira, já deve acabar?
Brincando de tentação, de não aguentar
De sentir, de cheirar, de tocar, de olhar
Com as mãos dadas na ciranda de roda
Onde cantar e sentir é tudo o que importa

Mas, o que pensar agora?
Se a simplicidade pelos dedos escapa
As complicações de sentimentos
Sondam as intenções de ser
Deixando-nos tontos sem entender

Oh, meu bem,
Será como for
Foi como era para ser
É, porque a vida é assim

Não se pode esconder
Que vamos enfrentar
Desrazões pelo caminho.

Mas tudo acontece
Você sabe como.

;*