quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

A insustentável leveza do ser


 É poder-se, logo, desabar-se...

Uma música - Death in Vegas - Girls

Insônia


Por que não consigo dormir?
A iluminação para mim seria ter controle sobre meu sono...
Ou a iluminação para mim será abandonar qualquer pretensão de controle sobre meu sono...
A segunda opção parece mais luminescente... 

Uma música insone - For Air - John Frusciante - Trilha de Lost in Translation

Tropeçar...

 
Viver tão plenamente que não há medo da morte...
Por que não há arrependimentos do que não se viveu...

Viver o mais fluidamnte possível,
Na busca da harmonia com a existência
Com o curso dos dias e das noites
Para que minha energia corra livre
Concretizando-se naquilo que é, que está, que quer ser
E assim, realizo tanto quanto posso, 
O máximo possível
Da melhor maneira possível
Sem frustração,
Sem cobranças,
Culpas ou produtivismos quaisquer...
Por que o que é, é... se não foi, não foi...
E diante disso, sem imobilizar-me, 
Mas antes, motivando-me mais ainda a seguir,
Sigo o fluxo, porque o fluxo é mudança,
E tudo ruma para a transformação...
Só os "conservadores" não percebem
Ainda bem que inventaram o suco de caixinha 
"sem conservadores"...

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Foda-se o mundo...

Sentido...
Um dia eu procurei
Um dia me perdi na procura
Quase me perdi por completo
Não sei por que
Parei de procurar...
E não sei ainda qual é
Mas achei...
E justo por não saber
É que está achado
...
Sentido...
É difícil sentir?
Se jogar no corpo
Deixar o suor cair?
Viciar no cheiro
Enlouquecer no toque
Brincar inteiro
No corpo inteiro dela
Ficar exausto
Mas não conseguir parar
Pernas bambas
Mas vontade demais!
Entregar os pontos
Se deixar morrer
No sexo dela
Na chama do ser
Da cama pro banho
Da toalha prum canto
apertado da parede
de frente pro espelho
aquele desejo dobrado
pelo apertar o seio

Por que fazer
Qualquer outra coisa
Quando todo mundo
Deveria fuder...

Fuck and die

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Porque viver é destruir... e morrer é construir...

Que a puta que pariu abençoe fudidamente a todos os que tocam o foda-se...

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Quem sou você?

Quem sou você? Não sei, porque morri sem tempo e tu morreu também. Mortos, não estamos preocupados com rótulos. Mortos, não damos nenhuma importância para aparências. Mortos, nenhuma maquiagem ou roupa da moda "salva". Mortos, não adianta ter vaidade nem egocentrismo. Mortos, toda matéria é supérflua e só serve para diversão. Mortos, as distinções de gênero tornam-se repulsivas. Mortos, o sexo é propriamente carne dentro da carne. Mortos, não temos ambições idiotas por dinheiro. Mortos, não queremos nada a não ser a terra, a água, e diversão. Mortos, não temos medo da chuva nem do fogo, melhor dizendo, não temos medo de nada, nem da morte, nem de ti. Mortos, tudo é mais simples que a decomposição. Mortos, andamos nus, transamos com todo mundo, matamos quem dá vontade, estamos sempre com fome, nunca temos sono, atravessamos oceanos de um fôlego só, devoramos feras, cultivamos flores de cemitério e festejamos no altar a mais profana ceia de gozo, doce e azedo.

Música fúnebre: Postcards from Italy - Beirut
  

Estou decente agora?


Fetichismo é a atribuição de um feitiço, ou seja, uma construção simbólica inconsciente/ignorada que atribui um valor a algo que este objeto/elemento não tem. As representações de gênero são um fetiche, as fixações por carros são um fetiche, as representações de progresso econômico são um fetiche, nossa ânsia por dinheiro é um fetiche. 

A repressão sexual sexista moralista religiosa inculcada em cada um de nós pela cultura cristã transforma nossos próprios corpos em elementos de medo, fascinação artificial, culpa e proibição, o que nos leva a transformá-lo em imaginação doentia e exacerbada, simplesmente porque não temos a possibilidade de viver e desfrutar de nossos corpos de forma natural...

O socialista libertário Charles Fourier disse certa vez que se pudéssemos apenas conviver naturalmente, sem repressões (de todos os moralismos vis), sem super estímulos (de tantas indústrias interessadas em nossas doenças físicas e psíquicas, com toda a propaganda, explícita e subliminar, todas as pressões sociais, as induções e ilusões), sem as infinitas e artificiais significações que damos para nossos desejos, vontades, paixões, nós poderíamos simplismente expressá-las todas de forma saudável e harmônica, pois nenhuma seria superexacerbada por ter sido contida violentamente. 

Toda forma de "pecado" é uma brutal violência contra o ser humano e a humanidade. Toda forma de culpabilização artificial para gerar medo e obediência, alienação e subserviência é inaceitável. Libertemos-nos! Por corpos e almas livres! 

Já disse a famosa frase: O CORPO É UMA FESTA!

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Relação e comunicação

 
O que é se comunicar? O que é se encontrar? O que é se entregar? O que é se deixar? O que é se umidecer? O que é se aquecer? O que é se desproteger? O que é não precisar se proteger? O que é se querer? O que é se ser? O que é entre-ser? O que é inter-comunicar? O que é ir além de si? O que é ser o outro? Ou o que é não ser nem eu, nem você, mas tudo?...

O que eu busco (em dois)? O que eu provoco (para dois)? O que eu construo (com dois)? Que caminho sigo (rumo a dois)? Pelo que vivo, escrevo que... 

Um relacionamento que vivo quer entender-se, ser prazer, ser afeto, ser calor, ser aconchego, ser água, ser brisa, ser chama, ser folha, ser fruto, ser raiz, ser mar, ser sal, ser sol, ser ave... ser o que é... 

é preciso que cada um, estando juntos, estaja cada vez mais consigo, e assim, esteja com o outro. Que entendendo-se, entendam-se, que conhecendo-se, conheçam-se, que amando-se, amem-se, que estejam lado a lado, nunca um sobre o outro... e que não se temam, que não se enclausurem em proteções tais como a arrogância e o autoengano, mas, ao contrario, abram-se um para o outro para que possam também ver a si mesmos claramente, de uma maneira que só nesta relação poderiam perceber-se. Porque sozinhos, não podemos ser realmente quem somos, apenas juntos é que nos revelamos profundamente, em toda nossa treva e toda nossa luz. E que não temamos nem o claro nem o escuro, porque são dimensões infinitas de nossa infinitudade. Não são o bem nem o mau, mas apenas a existência que existe. Aqui e Agora.

Assim é. Aqui e Agora. Sem depois. A todo instante e nunca mais. "O caminho se faz ao caminhar" e amanhã podemos estar em outro lugar... Sinceramente, é preciso coragem para ser quem é, coragem de se aceitar completamente, aceitando assim todos os outros, tudo o mais, toda a existência, todo o existencial, todo o existente... E, nesse ponto, quando se alcançar esse ponto, realmente não haverá fim, pois não haverá separação, pois tudo será uno múltiplo, diferente, diverso e divertido. Aqui e Agora.

Uma música - Planes Like Vultures - Le Loup

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Bem isso...


Dez anos em um
Que tempo-espaço é esse, menina?
Um velhinho tão novinho nesse corpo aqui
O relógio doido que não respeita o querer
Quanta correria, calmaria, pernas e edredons
Nunca mais tinha parado pra escrever
Mas não dá não, pois tudo é poesia nesses olhos grandes
E preciso dizer...
Te dizer...
Dizer mais um pouco...

Descendo, subindo, maré espuma nos ombros nus
Luz, sol, cachoeirinha na piscina de mar e sal e azul
Fugindo praquela praia de goma molhadinha e coco
Que delícia se (nos) deixar e parar um pouco
É, brincar, rir, sair rolando pelo lençol,
Ser um pouco mais rouxinol
Arteiro, travesso, brinquedos
Viver... na melhor maneira
Simples assim, carinho
N´o Caminho
Da água...

Uma música - Conversas de botas - Cícero

sábado, 8 de setembro de 2012

Meu meio

Arrumar a casa?
Quero uma casa minimalista
Pouca coisa, muito espaço
Fluído, móvel,
Livre
Começo por mim
Me fazendo minimalista
Mínimo
´Minino´...

Muito nada...
Pra caber tudo
Poder tudo
Da dança de roda
À brincadeira de corda
Trança, tinta, madeira, giz
Gente linda de tanto sorrir
Aconchego, corpo,
Água gelada,
Rede, vela, palhaçada,
Nesse canto
sem jeito
certo
Só possibilidades
de ser sincero...

06/06/12

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Claro escuro



Compreendendo a criação de laços, o que me falta? Por que me é algo tão desconhecido essa multiplicidade de próximos? Por que não se aproximam? Assusto? O que pareço? Estaria eu ocupado demais comigo, que não consigo me dar? Tantos planos e ideias, sonhos demais, que custa-me parar e chegar? Ou seria porque caminho por fluxos e paisagens que doem caminhar e por isso não atraio caminhantes nessa trilha? O que digo quando não digo? O que ouvem de mim? O que significo? Incômodo, é a sensação que tenho, que causo... inquieto com meus próprios incômodos, levo-os, compartilho-os, afastando, assim... Então o que fazes ao meu lado? Contigo, quero cuidar, de um modo que não se pode cuidar de todos... Não dá para conhecer a todos como te conheço ou quero conhecer... por quê? Faltam ocasiões para de fato conhecer? Será isso? Não me conformo com as superfícies, n´uma mania desatinada de mergulhar... e, mergulhando, disturbo? Perturbo a limpidez da água? Intempestivo, balanço as raízes em volta? Cavo em busca de ar... Túneis em busca de lar... escureço para clarear... enlouqueço para salutar... enlouqueço para descarar... enlouqueço para desmandar... enlouqueço para acalmar...

Ramificado...


Agora
Sem mais
Antes, o quê?
Entre o isolamento
E um profundo encontro
Para onde mais?...

Movimenta-se por pura
Ansiedade...
Ou incontrolável
Impossibilidade
de permanecer
Segue, quando consegue
sair debaixo do cansaço
E queima o que tiver
para aquecer os laços
Ou ainda porque parado
Sente-se só...
Caminhando, é tudo que é

Incapaz de participar
Incapaz de não participar
Onde fica? Como se deixar?

E cria, desmedidamente, dolorosamente
Porque criar dói...
Dói, pois quer concreto
Quer tangível, quer muito
E quer junto e é difícil juntar

terça-feira, 3 de julho de 2012

Beijar-a-flor


Se viver não tem sentido,
Só me resta te sentir
Se viver é o vazio
Vou vadiar no teu sorrir
Se viver é um poço frio
Bora derreter logo esse pavio
Se viver é uma música sem fim
Minha agulha vai rasgar o teu vinil...

Redemoinho...



Música
Voz
Garganta...
Aqueles lábios no ouvido
Estalando o lóbulo,
arrepiando o sentido
Algo doce, algo amargo
Um descontrole suado
Essa melodia do afago
Do sussuro, do gemido
Os tons suaves e finos
Demorada canção
De noite adentro
Madrugada e novo sol
A delícia cantiga
De cangote e chamego
O ninar no seu pelo
No seu leito, no seu seio
As curvas melódicas
Da cintura vocal
As notas harmônicas
Dos compassos quadris
Essa música nossa
Essa canção una
Que vicia
Vicia...
E não faz mal...

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Pura contemplação... O espetáculo da vida e da morte...



Por que vivemos? Por que viver?

Por que nossos corpos nascem, consomem energia, crescem, se desenvolvem, sentem, refletem, transformam, criam, queimam, se consomem, se destroem, desfazem, desaparecem? Por quê? Para quê? Para quê esse ciclo sem fim e sem propósito?

Por que carregar esse corpo por instantes, dias, anos, vidas?... Para fazer coisas? Para sentir coisas? Conhecer coisas? Pra quê? E daí que sabemos algo... no final das contas, de que serviu? E daí que sentimos algo... de que serviu?... Pura contemplação, pura vivência... viver por viver... Viver só para continuar vivendo... viver para morrer... viver para ocupar o tempo até morrer...

Os animais vivem até morrer... Parte de seu tempo e energia eles gastam para conseguir o necessário para viver, sono, comida, abrigo, bebida. O resto do tempo e da energia eles gastam com qualquer coisa, brincadeira, violência, não fazer nada... Nascem e morrem assim, sem pensar nisso, só nascem e morrem, por gerações sem fim...

Nós fazemos o mesmo... Gastamos tempo e energia para nos mantermos vivos, conseguir comida, abrigo, calor. O resto do tempo, gastamos a toa. Sem propósito, só para ocupar esse tempo vazio. Vazio. Assim, inventamos brincadeiras, jogos, esportes, passa-tempos, mata-tempos, complicamos as coisas para nos tomarem mais tempo (pensem nos quebra-cabeças), enrolamos as coisas, para nos mantermos ocupados... só para ocupar o tempo que temos livre...

Mas existem dois problemas. Cada vez mais precisamos de menos tempo para nos manter vivos. A tecnologia, as invenções, a criatividade permitiriam que cada ser humano precisasse despender muito pouco de seu tempo para sobreviver e ainda assim teríamos incrível abundância. Assim, o que fazer com esse tempo?

Contudo, como vive-se de foram desigual, tudo que a humanidade criou para poupar tempo concentrou esse tempo nas mãos de alguns e esses precisam manter todos os demais ocupados, ocupados, ocupados, para que não percebam que eles poderiam ter todo o tempo livre para fazer o que quisessem. Desta forma, aqueles poucos preservam o tempo deles... (pra quê?)... E os outros muitos ficam muito ocupados para pensar no por que de estarem tão ocupados, de não poderem descansar, brincar, ficar sem fazer nada, fazer qualquer coisa que quisessem... Mas, que diferença... Afinal, vive-se só por viver...

E o outro problema é que pensamos. E formulamos perguntas. E podemos perguntar – pra que isso tudo? Pra que viver para morrer? Viver por viver? Viver no vazio? Viver para comer, transar, rir, odiar, sofrer, amar, deixar, perder, ganhar, fazer, construir, destruir, matar, cultivar, cuidar, machucar, nascer... Viver para fazer qualquer coisa... tanto faz... não existem melhores ou piores... todas são apenas formas de ocupar tempo... Por quê?...

Pura contemplação, pura ação, puro vazio... Anjos... Pura existência... Escravos... da vida... que nos quer para ela... que nos quer por querer... por nada, nenhuma razão especial... somente quer, nos quer fazer viver... viver, viver...

terça-feira, 5 de junho de 2012

Pernas cruzadas, a meditar...


Crise de abstinência...
Desejo...
Mordo o lábio, lembrança
Quero-a aqui,
Agora,
Apertada, apertados,
Desmedidos, devorados,
Rasgados, roupas pra todo lado,
Suados, arfantes,
Sentidos delirantes
Carinho, caralho
Entrando, gemendo
Sugando, descendo
Coxas, pelos, cheiros
Cama úmida e desarrumada...
Céu, sensação de mais
De tudo, de nada
Uma pausa e agora...
Tudo 
de novo!

Beso


Haveria algo que diga mais, sem precisar dizer nada?
Por que desperdiçar saliva em palavras...?
Antes, melhor, calar-se, atracar-se, sufocar-se em bocas
Despejar-se em lábios, destroçar-se em dentes
Amarrar-se em línguas, transbordar-se em mel
Inícios, carícias, primeiros caminhos
De delícias e malícias...

(Arte: Rogério Fernandes)

sexta-feira, 1 de junho de 2012



Silêncio... 
Que separa
Que une
Que nada...
Nadar... sob um céu multicolor
O limite entre céu, noite e mar
Pe-le-ar-sa-l-per-to-es-tar
Encontrando-te-me-nós-tu-do
Dizer o sentir, sentir sem dizer,
Quase partidos, um medo desnudo
Mas, não deixar...
Se deixar...
Marear... ir, voltar, encharcar
Areia que evapora fria
Espuma que brinca sumida
Ondinha refletindo o alto
Ventinho que de frio esquenta
Olhar que aperta o corpo
No sem fim assim

Ah, brincando
Olhar brilhando
Musiquinha de adivinha
Pezinhos molhados
Dançando aplausos
Luzinha bela beiramar
Lugares secretos de amar
Desabrochar...

Enamorado pela primeira vez
Toda vez
Que encontro, que olho, que ouço, 
Que chego, que beijo, que aconchego

Sabe, do nada faço-me orvalho
Refresco-me na nuvem
Caio na curva
Derramo-me na tua
Abro-me pra sua
Alma de açúcar
E limão

Uma Cena - Paris, eu te Amo 

Uma música - Time Flies - Lykke Li

(Arte - Rogério Fernandes)

terça-feira, 22 de maio de 2012

Tira

"Para desentristecer, leãozinho
O meu coração tão só
Basta eu encontrar você no caminho"

...

Não ficar só na vontade...
Morder cada mordida e não deixar nem o caroço
Morder cada ferida e sentir o gosto
Morder cada sentida e adentrar no poço
 Morder cada ida, cada osso
Cada fim, cada adeus, cada esforço
Morder o perder, o querer
O outro

Uma música - Leãozinho - Beirut

Ru-ela

 
Brincando de filme de suspense. Exorcisando, abrindo covas, dissolvendo fantasmas, limpando porões, arrancando teias, tudo. Quero este quarto claro, leve, iluminado. Quero este corpo solto, sem dor, disposto, elétrico, magnético, hiperestésico! Quero cortar todos os nervos velhos, sujos, frágeis... exponho minha fragilidade para que quebre... quero que tudo quebre, quero voltar à terra, fazer-me areia... fazer-me grão... até a menor parte... erodir-me, corroer-me, rasgar-me, despedaçar-me, até não sobrar nada... O que sobra? Assusto! Grito! Do pior de mim não tenho medo... enfrento-me... Desfazer tudo que fizeram de mim... tudo que se fez nessa vida, que não fui eu, fui eu, mas sem mim, apenas, eu nesse redemoinho de gentes que vivi sem entender, sem entender-me... montoeiras de poeira - estranho a mim mesmo... confundindo-me, escondendo-me, encarcerando-me em cantos inalcançáveis... quero desestranhar-me... um processo doloroso, um processo amedontrador... mas a única forma de destermer-se, é viver cada medo o mais intenso possível, vivê-lo, sofrê-lo, encará-lo, desafiá-lo, xingá-lo, convidá-lo, abraçá-lo, fuder com ele! Ah, morrer, para viver... Só quando perder todos os medos, posso respirar o ser... Só quando perder tudo... perder, perder, perder... e quando não sobrar mais nada?! Serei tudo! E o que é ser tudo? Todo jeito, todo tipo, todo impulso, todo gênero, todo fazer, todo querer, todo não querer, todo não-tudo, tudo e não-todo...

Uma música - Mobscene - Marilyn Manson

Outra - Medo - Pitty



segunda-feira, 21 de maio de 2012

Chá e cogumelos


- Desfaço-me... eu era alguém... toda vida penso que sei quem sou... e erro...
- Pois eu sei exatamente quem sou e tudo que quero mostrar
- Sempre me fechei... aprendi que não adiantava me mostrar aos outros, pois não é possível compreender... sempre termina pior... além do mais, tinha a forte sensação de que não fazia sentido perguntar aos outros o que eu deveria fazer... só quem poderia decidir tal sou eu...
- Expor-se aos outros é um desgaste... frustrações e traumas desnecessários... guardar-se, esconder-se, deixar-se no mistério, na bruma... isso sim dá o sabor... Fingir-se, inventar eus quaisquer, ser muito mais do que si mesmo... ir depois do que se imagina... Ser qualquer coisa, menos essa fragilidade de si...
- Não sei... sinto-me distante do que não conheço... quero conhecer, quero ouvir, quero sentir... como sentir sem conhecer? Sinto-me distante... como aproximar-se? 
- Ah, deixe o corpo mostrar esses caminhos... conheça as sensações, o prazer, o êxtase, o gozo! O resto... não significa nada mesmo...
- É?... O mistério... ele existe... ele é real... independente de querermos ou não... há mistério sempre, sempre há algo a desvendar...   E agora... surge novo mistério! Tudo que eu era perdeu-se... não sei mais... as seguranças que tinha, as certezas, desfizeram-se... quero saber o que é a inexistência de segurança sem insegurança... o nada... Ser nada... não é algo que eu esteja provocando... apenas estou me desmanchando... quebrando cada partezinha sem conseguir recompor... e me tornando nada... 
- E o que será você, afinal? O que significará estar com você, nada?
- Então! O silêncio? A presença? O olhar que desabre? O que é não ter nada a dizer? Ou não querer dizer nada? Qualquer coisa que se diz parece tão desnecessário... o que se diz não é o que realmente dissemos... o que queremos expressar... O corpo falaria melhor?
- Ah, sim, o corpo! Abandonar-se no corpo! Um templo, um altar! Sacrifique-o ao suor!
- Mas, preciso sentir... um outro querer também... minha dúvida é se também quer, ou se sou eu quem quer... não quero impor, não quero invadir... Lembrei-me (maldição) da minha primeira sensação de invasão... como sentir-me convidado?! Parece que apenas esperas eu fazer o que eu quero... ou quando fazes, fazes pensando no que eu estou querendo... o que quer?...
- Dúvidas eternas! O que o outro está sentindo?! Como podemos saber? Não adianta, chapa... você só faz se torturar! Só há uma coisa a fazer... ir em frente... fechar os olhos... e levar-se pelas mãos... pela boca... escute o que a boca diz sem dizer... 
- Doença!... quer saber? Não quero mais saber de nada... vou afogar-me no que for... na pele, no cabelo, no vazio, na voz, no olhar que não sei para onde olha... não saber é preciso... não ser é preciso... não nada é preciso! Prever é cegar-se... pensar é matar-se... sentir é viver-se... Sentir o que for para sentir, e não o que se quer sentir... não se pode querer o que não é, só o que é... se é, é... não querer! Não querer!
- Se a onda te esbofeteia, curta o sangue... se o sal te arde os olhos, curta a dor... se o corpo te deixa quieto, curta o contato ameno, sereno, pequeno... 
- Mas não seria isso uma forma de passividade?... Apenas deixar-se? Sem ir?
- Velho, pára de teorizar, vai... se a lagoa tá parada, o vento não reclama, tá!
- Contato... perto... colado... é real... vem... chega... 
- Tá vendo? Já está entrando em transe... é melhor transe-ar... Vai lá, pega ela... aperta bastante... derrete... ferve e toma bebericando...

Uma música - Crimewave - Crystal Castles

des-ser

Do que se pode ter medo?
Se não existe segurança, como existir a insegurança?

Segurar-se pra quê?
Privar-se pra quê?
Poupar-se pra quê?

Se só existe o viver em mudança
Dê vazão aos interiores
Vague...
Seja a folha boaiando de volta ao mar ou à terra...

Se teu impulso é criar, querer, cuidar
Faça...
Não se preocupe com os resultados
Cabe à vida as realizações
Nós somos atores na infinita realização
Atores no improviso,
Sem texto nem rubrica
Cuja direção está dentro
de tudo

Existem todas as direções
Sem certo ou errado
Toda escolha tem seus prazeres e aprendizados
Não se preocupe em escolher
Não se pode não-escolher
Se deixe escolher...
Se deixe...

(Escrevemos não o que somos, mas o que queremos ser)

20/05/12

Aiai



Não tem pra onde...
Vai com o vento...
Da perda nasce o tempo
Perdendo, nascemos...
A cada folha caída, descobrimos o firmamento
Olhar ao inverso é recriação do-ido
Essas migalhas de pão comido
De pássaros fugidos
De rios fluídos
De pesos despossuídos

A estação passou
Desabrocha a flor
Cheire, grogue...
Revire os-ói 
Tudo que é bom foi
Tudo que é melhor é
Assim, nós-dois
Sem depois
Vamolá
Cá-té tarde
Chega, vem
Dança que nem
Danada zen
Que ri sem
Motivo qualquer

Aiai, querida
Cócegas na memória
Cura da ferida
Transe na fornalha
Desta alma-carne viva
Dana no meu peito
Pulsação bendita
Sabe Jess que jeito
Ser tanto e sem medida
Porém, contudo
Equilíbrio - bebo
Guloso
Ditoso
Den-gozo

Uma música - You - Gold Panda

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Ao céu



Aiai, você... mulher´nina... teu nariz me sorri... teu sorriso me pinta de luz... teus olhos me encharcam de desejo e fantasia... sabe, fico doido só de sentir-pensar... O capim-santo-com-acerola-e-limão refresca o toque da pele... uma natureza terna nasce dos lençóis... naturalmente, estamos a sós... a luz apagada... o trem desenfreado, pois o maquinista foi dançar... os trilhos foram retirados da praia suada ... há apenas a líquido caminho do cheiro e do poro... A voz, a nuca, os dedos mordidos, a gravidade invertida, os recantos, os contos, os contatos... os imediatos espasmos... Entonteia-me... como um balão tão alto que falta ar nas pernas... nas forças... no passo... incendeia-me... como o ar quente que sobe... flutua... desnorteia-me, como ser guiado pelo vento, sem controle, sem direção, como a nuvem úmica, límpida, translúcida... Acompanha-me, acompanho-te... como aves que superam o atrito do vento juntas, unidas, conectadas... me puxas, te puxo... pra perto, pra junto... aperto... atento...

Síndrome de Nazcalina

Sem chão, sem raiz, sem referência, sem ponto de partida ou de parada, sem dó, sem ré, sem mi, sinto uma angústia partida, rachada, fumegante, como um chá bem quente transbordando nos dedos, na garganta, nos nervos... Parar! Só quero parar! Rápido, tão rápido! O tempo se desmancha ante meu olhar, meu sentir. Sinto uma implosão chegando, como uma grande erupção dentro do sangue... Perdido, desorientado, indo para todos os lados e lado nenhum... o que quero é demais, é tanto, me inunda, me derruba, me encharca... Soterrado por mim mesmo, tento respirar, encontrar ar, amar... a-mar... a espuma do (a)mar me desembaraça, me enlaça, me enleva, me desespera... mas, na manhã seguinte, a ânsia pelo caminho me faz correr... e correndo, tropeço nos próprios cadaços... mas como, se estou descalço?... E a cada queda, desanimo, mas com o vento no rosto reanimo! E subo e desço, como uma colina... quero e desquero, como a maré... a lua me ilumina um caminho qualquer... mas o escuro às vezes toma a vista, me perco... desoriento... desgarro... de novo e de novo... rodo... uma ciranda só no aberto do tempo... do espaço desperto... deserto fértil... o isolamento unido, repleto...

Nada sei... mas me custa aprender esse desaber...

Uma música - A Candle´s Fire - Beirut

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Desprendendo a vida...

Desmecanizando os mecanismos analíticos das sensações pós/neo-traumati(bi)zânticas...
São recursos intra-psíquicos anti-dolores comprovadamente válidos, mas eventualmente chatos, pois demasiado investigativos...
Prever o espírito meteoro-lógico das angústias cadentes, de modo a antecipar os erros e curá-los antes de existirem parece, sim, uma estratégia enxadrística conveniente, que, no entanto, pode ser dispensável nos tempos de ares livres, de modo a libertar os ventos frios até as regiões mais aquecidas do continente orgânico...
Demasiadas conjecturas contra-preocupantes, hipóteses micro-situacionais, desenvolvimento de cenários e movimentos altamente articulados por elaboradas definições psicanalíticas resulta em um plano de enlouquecimento precoce das eletrizantes sensações dérmicas e cerebrais, endorfínicas e energéticas, desestabilizando as possibilidades tranquilas de um passeio leve pela vida breve... 

Logo, hei de resetar o sistema operativo de observação multi-associativa relacional de lembranças e futuros, de modo a viver unicamente aqui, sem esperar nada, sem querer nada, apenas eu e tudo, nós e o mundo, o aqui e o agora, sem existir amanhãs nem ontens que elevem demasiadamente os níveis de desejo e percepção no tempo presente, como forma desregulada de evitar arrependimentos...

Sim, a totalidade se almeja, a ampla sensação se beija, a maior emoção emerge, a líquida razão prossegue, os ideias se quebram, pois só o nada é maleável o suficiente para cada instante que se cria.

A plenitudade não é a pura satisfação... é o libertar-se da insatisfação... respirar o ar, sentir a tez, ver o olhar, fazer o caminho caminhando... 

Uma música - Cena - Mallu Magalhães

terça-feira, 1 de maio de 2012

Whatever Works! (o que quer que funcione!)

Só me arrependo do que não faço...
E, felizmente, faz anos que não me arrependo de algo que deixei de fazer...
(consegui, sempre, compreender os porquês dos feitos...)

Tenho uma confiança calma nas decisões tomadas...
Não carrego culpas nem tormentos...
Não por um ego, como se não falhasse ou errasse, mas simplesmente porque aconteceram...
A vida foi do jeito que era para ser...
E eu, sofrendo e regozijando, vivi...
Errando, acertei, acertando, errei,
E sou o resultado inacabado dessa constante decisão
Que se toma a todo instante...

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Deixa ser como será...



És qualquer mágica
brincadeira de mãos
Ar que sobe
Turbilhão de emoção
Terra no corpo
Nascer e sorrir
A insônia linda
O não-querer dormir

És mais que pele
Raízes e frutos
És o morder da polpa
E o escorrer da boca

O suor de açúcar
O prazer de verão
A alegria da abelha
Tequila com limão
O vibrar doidamente
Arritmia, explosão

És viciante, delícia
A pura sensação
A perda de consciência
N'outra dimensão
O universo
em toda direção
a beleza de tudo
o coração...


Ganache


Um encontro de rios e mar...
Uma semente flutuando no oceano...
De infinitos lados, afetos sem fim...
O soltar, soltar, soltar...
Nas mãos dadas, doidas, sin dudas...
Ah, menos palavras, mais caramelos
O belo e o sublime daquele russo demorado
Indescritivelmente longos raios de luz
Refletidos no fundo dos olhos de lua negra cheia
Tudo que é, foi, será... o espaço-tempo desmanchado
Em ganache de micro-súplicas
Ânsias, unhas, prazeres desmedidos
O devagarinho conhecer do ínfimo
Linhas, tons de azul, matizes sutis
dando voltas e mais voltas no meu nariz
...
Saio do chão, não há chão...
É mais do que a gravidade pode suportar
A explicação embaralhou-se por entre as palavras
A mente eclipsou, deslumbrou o mundo
E o melhor, é que não assisto
Insisto, misto, mergulho
mergulho tão fundo no teu segundo
no teu centímetro, no teu mundo
como morrer, 
"morrer é como mergulhar n'um lago profundo n'um dia quente... Há o choque da mudança brusca e fria, a dor, por um segundo; e depois a aceitação é o nadar na realidade"... 

Pergunta-me se morreria... Respondo que não há mais diferença
Não posso morrer, nem que quisesse, pois a vida fundiu-se
em tudo que há... vivo e morto são palavras vazias... As palavras morreram,
Só restou o (a)mar...

Interlúdio

As palavras estão muito ditas
e o mundo muito pensado.
Fico ao teu lado.

Não me digas que há futuro
nem passado.
Deixa o presente - claro muro
sem coisas escritas.

Deixa o presente. Não fales,
Não me expliques o presente,
pois é tudo demasiado.

Em águas de eternamente,
o cometa dos meus males
afunda, desarvorado.

Fico ao teu lado.

Cecília Meireles

_____________________________________

Desta vez o frio na pele não doeu
porque o espírito ardia de afeto

Desta vez a dança foi de dois,
entrelaçados em uma sincronia leve e alegre,
ao invés daquele torpor que me acomete
de isolameneto, aquela introspecção fugidia
de olhos fechados que se bastam

As dúvidas angustiosas se curaram ali mesmo,
pelo cuidado da entrega...
Resolveu e conseguiu não se ator-doer
mas antes, abandonar-se na brincadeira dela...

A surpreendente cena
por um momeneto tornou-o platéia quase ausente,
mas em seguida, convidado, aceitou...
aceitou tão fortemente que cerrou os dentes
os dedos e a pulsação...

O toque chegou cada vez mais na pele,
os dedos sentiram mais, o calor subiu
estava lá, de fato... nem menos, mais...

A dança, a música, como uma substância
pulou do lugar dos julgamentos e pensamentos vãos...
levando-o/nos onde o que importa é sentir

Após suar todas as fraquezas
tóxicas, foram rumo ao amanhecer do aqui

N'uma madrugada se desconbriram mais do que 
jamais esperavam... 
Dizer coisas difíceis é libertador...
Guardar em si certas trevas não é nada bom
O partilhar ilumina a noite e as nuvens de baunilha
adocicam as horas úmidas do espírito

Um dia imendado n'outro
incontáveis momentos - êxtase... 

Noções


Entre mim e mim, há vastidões bastantes
para a navegação dos meus desejos afligidos.

Descem pela água minhas naves revestidas de espelhos.
Cada lâmina arrisca um olhar, e investiga o elemento que
a atinge.

Mas, nesta aventura do sonho exposto à correnteza,
só recolho o gosto infinito das respostas que não se
encontram.

Virei-me sobre a minha própria existência, e contemplei-a
Minha virtude era esta errância por mares contraditórios,
e este abandono para além da felicidade e da beleza.

Ó meu Deus, isto é a minha alma:
qualquer coisa que flutua sobre este corpo efêmero e
precário,
como o vento largo do oceano sobre a areia passiva e
inúmera...

Cecília Meireles 

Uma música - Mistério do Planeta - Novos Baianos

sexta-feira, 27 de abril de 2012

?

 "A tua consciência
 é a medida da sinceridade
 do teu egoísmo"

Richard Bach
no livro Ilusões - As Aventuras de um Messias Indeciso

Calcinhas no chuveiro...


Texto de João Aureliano e Ana Agra 
(gentilmente cedido, ou melhor, descartado)

Acordou-se e tentou lembrar do que havia acontecido na noite anterior, mas tudo ainda estava muito embaçado em sua cabeça. Aos poucos, os pedaços que conseguiu montar foram deixando-na mais e mais possessa. Andreza, era o seu nome, estava certa da traição de Antônio, e nada poderia prová-la do contrário. Estava lá! Ela viu! Viu o jeito que eles se olhavam e como nada daquilo parecia certo. Sentia-se como peão de xadrez, apenas ocupando espaço no jogo dos dois. Como pode? Como teve coragem? Carla não chegava aos seus pés! Todos os pensamentos foram vindo em turbilhão no imaginário de Andreza enquanto ela pensava que poderia MATAR Antônio e destroçar cada um dos seus ossos até chegar em seu coração de pedra. Debateu-se. 

Suspirou. Repensou. O que podia ter acontecido com eles dois? Seria culpa sua, Antônio ter voltado os olhos para outra mulher? Começou a refletir um pouco em como teria agido nos últimos dias. Andara mais fria. O trabalho tomava de conta de tudo em sua vida e pouco tempo sobrava para o noivo. Nossa... Mas que nova ruim ela podia estar sendo... Nem lembrara do aniversário de 5 anos de namoro que havia sido na semana passada. É, Andreza... nada bom...

Mas não é desculpa nenhuma! Se estava fria, ele já havia estado muito mais! E quantos aniversários de namoro ele já havia lembrado? Oras! Nenhum! Aquele escroto estava com ela só pela comodidade, sexo fácil! Fugia do assunto de casamento! FUGIA!

Acendeu um cigarro enquanto experimentava o gelado chão das 6 horas da manhã. 

1, 2, 3 tragos. Passou a mão pelos cabelos. Melhor assim, pensou, melhor assim. Não era como se Antônio tivesse sempre se importado com ela. É triste porque qualquer tipo de traição vem a ser triste, mas não é como se fosse o fim do mundo. Mais um trago. Levantou. Abriu a janela e o sol cegou seus olhos. Pensou em todas as possibilidades, em todas as coisas que já não fazia por causa dele e que agora podia faer. Pensou em Shopping, em poder atrasar a depilação e pendurar calcinha na válvula do chuveiro. Pensou felicidade, pensou alegria e pensou paz. "Sim, é possível ser feliz sozinha". Colocou saltos, vestiu a roupa de sair e sorriu.

FIM
_______________________________________________

Estranho. Não consigo. Não consigo me preocupar com isso, ser traído, ciúme, controle, o que o outro estará fazendo, pensando, sentindo agora... (?)... É como se eu não estivesse nem aí... penso que, ou sou a pessoa mais cega e ingênua da terra nesse sentido, totalmente desligado disso, ou simplesmente é algo impossível para mim... quem pode me trair senão eu mesmo? Quem está comigo, está... se não estiver, não está! Resolvido! O que mais se pode fazer? Onde está a brecha? A rachadura? E o que é alguém se trair? Se trair é não saber-se capaz de si, incapaz, fraco, que não pode ser, não consegue, que tenta, mas não é... não poder confiar em si, saber-se não confiável, falho diante de si mesmo, falho para si, falho para ser... é insuportável... É?... Enfim... Se "tudo acontece da melhor maneira possível" e se está com alguém que não está contribuindo para ti, qualquer fato que revele tal realidade é simplesmente uma dádiva... Libertar-se de algo que não te cresce... é impossível trair alguém, senão a si... nos traimos... É? Quando nos achamos em uma situação, acreditamos em algo, que de fato não é (o que é "não ser"?), é pura aparência, ilusão ou idealização... quem idealizou? Quem criou a aparência? Quem fingiu? Se estávamos entregues, se aproveitamos, vivemos, fomos felizes... alguém pode dizer que não era real? Que não aconteceu? Como saber se é "real"? O que é "real"? O que é "verdadeiro"? Por que duvidar se é "real" ou não? Se foi bom, se valeu a pena, o que importa?! Como desaproveitar retroativamente? Ah, eu fui muito feliz naquele tempo, mas como não era real, não fui feliz realmente, apenas uma ilusão, um engano... (?) Mas o que se viveu não foi vivido? Dá para desviver? Ou então há, de fato, uma cegueira, ou uma opressão mútua... se alguém não quer, mas não tem coragem de dizer, e a outra pessoa quer e não percebe o outro, o que significa? O que é vivido por cada um?... Eu, realmente, não me preocupo... ou, se me preocupo, me divirto... pois jamais poderei saber... se o outro está ou não está... se para mim está, está, se sinto que não está, não está e vou procurar outra coisa para fazer, ser ou estar... Ou melhor, pergunto: você está? Cadê você? Onde estás? Queres estar aqui? Queres ir para outro canto? Vá... ou fique, faça como quiser... apenas faça como quiser... se não quiser, não faça... é tão simples... por que parece tão difícil?! Qual a dificuldade de fazer simplesmente o que quisermos?! Sermos sinceros conosco?! O difícil não é ser sincero com o outro, o difícil é ser sincero consigo... a sinceridade com o outro é praticamente um mito, impossível, pois os canais de comunicação são todos imperfeitos... a sinceridade com o outro, só sendo-o, fundindo-se dois de alguma forma muito quente, como uma explosão solar... um apocalipse... ser sincero com o outro é morrer junto e nascer de novo... O que é ser sincero consigo?! O que é preciso para tal? Como fazê-lo? Tal sinceridade exige um conhecer-se tanto, mais tanto, tão profundamente, que nem sei... Mergulhar-se em si, derramar-se, esvaziar-se, evaporar-se, encircular-se... E, tão sincero consigo, tão si mesmo, como ser afetado por qualquer coisa ruim?! Como sentir-se mau senão por pura escolha, pelo simples prazer da sensação, porque não há mau nem bem, há apenas sensações de toda sorte, sabor, textura e matiz... Livre, sendo nada, nem de ninguém, logo, tudo e em todos...

Uma música - Adeus Você - Los Hermanos

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Enfeitar...


Segundo a segundo, é assim que o tempo passa com você. Vive-se tudo, tudo que há para viver em cada partícula, cada pedacinho de tempo, todo o olhar possível, todo o dizer e ouvir sua voz e a minha, todo o tocar e o chegar, tudo. 17 dias. 17 histórias/aventuras. 17 mil possibilidades reais, proibidas e permitidas, desobedecidas, mordidas, queridas. O difícil é dormir, o difícil é despedir, é trocar o corpo pela memória, a sensação presente, pela chama que fica na pele, a voz pela recordação, as imagens fotografadas nas correntes elétricas extáticas da mente...

Viver é conhecer... mentira, é sentir... conheço cada vez mais tuas/minhas sensações que te/me deleitam... sinto o conhecimento de ti se apoderando de mim... derramo-me em suor ameno nas tuas minúcias... desbravo os teus detalhes por debaixo de cílios do campo, perfumando meus sentidos com sincera entrega... Nos damos... nos doamos... sem compra nem venda, sem posse ou pertença... sem a ilusão da permanência, brincamos a todo momento de enganar o tempo... esticá-lo, torná-lo alto, enorme, correndo dele, se escondendo atrás da árvore, deixando-o nos procurar... Esquecendo que por mais que seja longo nosso tempo, sem nem perceber, já é madrugada... e a madrugada pede passagem e pede sono...

Mas vamos... ousamos não aceitar. E pernoitamos em sonhos que não lembramos, mas estávamos lá. E vamos! Vamos ir pra longe, onde o sinal não chega nem as portas batem... 

domingo, 22 de abril de 2012

Acelerada... ligeira... intensa... 
Vida, ela, nós...

O que é intensidade? 
Quantidade? Potência? Excesso? Transbordamento? Imensidão?
Como pode a vida ser uma montanha russa, que a cada curva, dá uma cambalhota, cai repentinamente e antes que a cabeça páre de girar, sobe novamente, passando por dentro de uma cachoeira, no alto de um penhasco de ideias e sonhos, atravessando as lembranças do ontem e do amanhã em uma velocidade que estica e conecta a percepção e o entendimento... louco... meus sentimentos vibram de forma incontrolável... meus nervos pipocam, estalam, saem faíscas... meus músculos gemem de desejo, o sangue parece um parque aguático de tão rápido que se bombeia, percorre as veias-tobogã, oxigena meu corpo, alterando-me a consciência...

E ao final do passeio/momento, só o que se sente é "de novo! de novo! de novo!" (risos!), como uma criança que se apaixona pelo brincar, pelo sentir, pelo estar, pela outra criança, pela infância, pela liberdade de fazer o que quiser sem julgamentos, moralismos, apenas amor, carinho e cuidado...

sexta-feira, 20 de abril de 2012

descobertas...

Desnuda, desmuda, despida...
Céu, azul, marinho...
Deitar-me na tua praia linda...
Encharcar-me no teu carinho...

(Imagem: Orlando Pedroso)

Aperto

Ai, menina... me sento na calçada e te quero.

Uma música -
A primeira vista - Dota e Chico César


(Imagem: Orlando Pedroso)

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Não sou o que contam de mim...


Não é tão fácil partir. Não é tão insensível deixar. Não é tão indolor quanto parece. Não há nada que não doa. A fome dói, a cama dói, o ar dói. Apagar da superfície, como aquelas pegadas na areia que somem, rápidas, fugazes... é simples. Mas guardar tudo, aquilo tudo, tudo aquilo, tanto e muito, nos devidos lugares, organizados, compreendidos, desprendidos, é um trabalho um pouco mais demorado.

Nos caminhos do mundo, passando na janela, na noite lá fora, de estrelas torcidas, das luzes pequenas, amarelas e velhas, das cidades perdidas, ruidas e desertas... Percorro-me inteiro, indo e vindo, vou e volto, abro e fecho... respiro... refresco... deixo arejar... Há muita sensação para desacostumar...

Vivo... e esta chama viva azula, avermelha, chamusca, bruxuleia...

Lembrei-me aquela noite, em que percebi uma muralha que se erguia: perdê-la seria para mim, naquele momento, o nunca mais entregar, nunca mais me dar, nunca mais dizer-me, nunca mais deixa-me, nunca mais cair-me... senti essas pedras no meu peito... Senti essa corrente me arrastando... senti esse abismo me abraçando... e transbordei... derramei... me derramei... me afastei... No balanço chorei essa perda... sofri o futuro... deslizei a parede abaixo... e fui embora.

Não quis. Não quero. Essas paredes, esses tijolos, esse concreto. Fui embora. Daquele dia em diante compreendi melhor... "o fim é inevitável"... E não o procurei. Vivi cada momento, dei-me a cada momento... cuidei de cada momento... estive em cada momento... Mas, aprendi a deixar ir...

Naquela manhã insone... de filme que percorreu eras... de desconsolo, de perda...

No dia seguinte... na minha praia... no meu lugar... onde sou mais que em qualquer outro... Nos separamos. Ela correu. Eu corri. Ela parou. Eu não. Ela não veio. Deitou. Eu fui. Entrei na água. Fria. Delícia. Plena. Imensa. Ao voltar, querendo abraçar... procuro. Não acho. Procuro. Não acho. Procuro. Não acho. Procuro. Não acho! Sumiu! Sumiu! Sem nada, pra onde?! Será que o pior aconteceu?! Desespero! Não vejo, meus olhos estão salinos, pergundo, procuro, enlouqueço... quando atravesso a rua em busca de ajuda, a vejo. Lá. Querendo matar-me parando o coração. Foste embora. Foste embora. Novamente. Ódio. Dor. Raiva. Como deixas-me assim, louco, sem saber, pensando ter acontecido o pior, eu que sempre penso o pior... Escondeu-se na esquina, mentiu dizendo ver-me, mentira. Sumiu. Fugiu. Morri, morreu. E naquele instante, nunca mais irias voltar ali. Nunca mais iria te levar... marcou-me a ferro a dor e o desespero...

Muitas quebras, muitas pedras, muitas eras...

Vivo... vivo mais. Liberto. Desperto. Aberto.

Uma música - Guaranteed - Eddi Vadder - Into the Wild

Réplica

Cariño,

Nada sei [,] contigo... e, contudo, sabemos tudo... debaixo da pele da alma existem todas as respostas... debaixo das unhas dos desejos temos todas as dúvidas... A verdade e a dúvida são uma mesma correnteza, fluindo, indo... límpida porque em movimento...

Então, o quê? Por quê? Se tudo, se nada, se mais e menos, se quente e frio, se mundo e vazio, se medo e destemor... verdade e mentira... Tudo que é, ao mesmo tempo não é...

Fico tonto... fico mudo... me perco. Comigo, contigo, penso, esqueço, desejo, desespero...

Seria eu inconstante? Já escrevi isso certa vez, há anos, muitos, n'uma época em que eu era ainda uma rocha, um quebra-mar... ondas e mais ondas, até virar-me praia... ou o contrário...

"Toda vez que penso me conhecer, percebo que não sei nada sobre mim"... Foi algo que pensei há algum pouco tempo atrás...

É isso... há um grande problema no saber... quando pensamos que sabemos, é esta a maior prova do inverso...

Não pense que sei de algo...
Faço perguntas justo por não saber...
Talvez...
..............Acho que só é possível
...................compartilhar... e fazermos nossas respostas, rascunhá-las, rasgá-las, trocá-las de tempos em tempos.

Se tenho uma inconstância, é nas certezas...

Não fuja... (?)
O que é fugir? (risos)
Sugiro fazer o que lhe convir, o que lhe der mais prazer ou o que for mais difícil...
Não, não sugiro nada.
Calo.

Apenas sinto...
..............(des)sinto
..............(Ab)sinto
..............(mentira)


O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

F.P.

Uma música - do amor - Tulipa Ruiz

Aprendi

Ninguém é insubstituível
Não se pode depender de ninguém
Mas ninguém é igual
Logo, não se pode querer repetir...

É preciso ir, continuar

Voar. Se parar, pesa...

Aprender com a inevitável possibilidade do sim ou do não.

Não tomar nada como
......................................certo
Não acreditar em nada,
Apenas no todo...
em nenhuma parte...

Ilusão...
...........Alguém pode nos fazer mal?
...........Alguém, além de nós, pode nos fazer sofrer?

É o sofrimento algo de fora? Que nos aflinge?
É o sofrimento real?

O que é a paz, senão qualquer caminho
de seda ou de espinho
.............em que simplesmente
.............se está... simples.

Por que complicar?

Qual a diferença entre o criativo e o complicado?

E aquele entrelaçado, manta, rede, trama...
Inesplicavelmente complexo e belo...?

E aquela folha e suas mil veias? E aquela teia que a aranha tece todo dia e ao final, desfaz?

Por quê?

Diversão?

.........................Só importa a diversão?

Aprender a
brincar
a rir
a sorrir
se entregar
a cair, chorar e achar graça?

Rir de si, sempre
Do ridículo de si, do falso, do fraco, do pouco de si?
E dessa forma ser nada e ser tudo?

Destruir-se e quebrar na maré?

Ser apenas luz? Onda?
Partícula de carinho
de cuidado, de amor?

Não pensar no que se é...
Apenas sentir tudo, a dor, o aperto, o fruto
Molhar a boca com o gozo dela?
Derreter no chão em pura ausência?

Esquecer o eu e o tu... superar...

Desaparecer as nuvens e flutuar? Atravessar paredes?

A matéria some diante de mim, e como sou o nada,
nem sumir pode, apenas fluir...


Uma música - Ensaio sobre Ela - Cícero

sábado, 14 de abril de 2012

Ser e estar com o mundo...

Em todo lugar há...
a possibilidade de viver... a imprevisibilidade do você... a indescritibilidade do estar... a imperiosidade do ser... a ingenuiade genuina do não-pensar... a leveza que vai longe do soltar... a despretenciosidade do não-se-preocupar... a inculpabilidade do morrer... a descredibilidade do crer... a infalibilidade do deixar... a indestrutibilidade do querer... a infantilidade do não querer... a juvenilidade do tocar... a melhoridade do sofrer... o melhor momento para se entregar... a versatilidade do não-resistir... a fluibilidade do desabrochar... a umidade do nascer... a sofregidão do chorar... a flutuabilidade do saborear... a imprescindibilidade do libertar...


Uma música - Preta - Cordel do Foto Encantado

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Cariño de no dormir...

Só preciso do que quero...
Só quero o que preciso...

Entender o que sentimos... por que nos sentimos assim? Por que essa angústia ou ânsia ou desejo que foje ao agrado? Essa vontade maior que a possibilidade, que de tanta chega a escapar? Por momentos o desconhecido de nós mesmos obscurece os sentidos e os pensamentos... Sentia-me apertado por mim mesmo, como se o tempo insuficiente faltasse o ar... Como se algo me faltasse, como se eu não bastasse... Um furor erosivo, como o vai e vem das ondas ante as rochas...

Agora a tempestade passa... Ficam os ventos fortes, que enchem os tecidos e levam adiante... O caminho permanece firme rumo aos braços do desconhecido e adorado... Entendo-me cada vez mais. Percebo-me. Olho para mim e observo... E ao mesmo tempo vivo... tento não evitar nada, sentir tudo, ver o que acontece... chegar a um ponto de beleza e êxtase... Sinto falta da explosão... quero uma explosão... de tudo que tenho em mim, tudo que quero, tudo que anseio... quero deitar-me exausto novamente... Sinto falta dessa exaustão, do ar quente e gostoso após o fogo, aquela neblina que sobe dos corpos comburidos... Tenho medo... um medo que delicia... o não-saber, o estar nas mãos do agora, que pode me deixar cair a qualquer momento... a possibilidade da dor causa um certo prazer... ou melhor, torna mais sôfrego o prazer alcançado... A presença torna-se não obrigatória... ter a opção e ao mesmo tempo não ter a opção é às vezes azedo, algo que arrepia o pensamento, que deixa-me em dúvida sobre o sentir... entrego-me ou contenho-me? Deixo-me ou levo-me? O desapego me intriga. Não sei o que pensar... sinto que meu pretenso ideal ainda é para mim uma icógnita... não compreendo... finjo, tento, mas sou o primeiro a trair-me nesse ideal... O que sentem aqueles olhos grandes e fugidios? O que sente aquele corpo? Aquela pele? Aquele sangue?... É claro que é impossível saber, mas essa incerteza me causa certa estranheza... como um cego andando a esmo... cujas mãos buscam aquelas de seu sonho e podem simplesmente não encontrar. E quando encontra, logo se vão, não duram, tão rápidas... passa tão rápido nosso tempo... queria-o tão mais demorado... queria sem ter que pensar no fim, na hora de deixar, de ir, de separar... E a cada instante aprendo algo em algum canto escondido de mim/de ti... Alguma ruela cuja lâmpada ainda está por se iluminar...

Aventura. Ah, ventura... venha e me seja...

Uma música - Aire - Mochachito Bombo Infierno