quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Arquipélago


O vulcão jamais adormecia. A cada dia, borbulhante, lançava braços de calor e criação por sobre as praias, criando novas colinas, litorais, margens escarpadas ou tênues baias. Aquela pequena ilha, aos poucos, muito lentamente, mas também com lapsos de explosões e grandes crescimentos, foi se expandindo, elevando-se montanha acima, debruçando-se para todo lado, tornando-se mais habitada, acolhendo seres vários, multiplicando climas, diversificando espaços, erodindo cavernas, transmutando rochas. E navegando. Singrando o oceano, conectando-se com as águas profundas, abissais e com as ilhas que ora se aproximavam, ora se distanciavam. Mas às vezes chegava-se mais do que se partia. E algumas ilhas foram de fato permanecendo. E um arquipélago foi surgindo. E bancos de areia, corais, quebra-mares, parrachos passaram a criar caminhos entre elas, permitindo à vegetação e aos demais seres percorrem-lhes todas, compartilhando sementes e histórias, abrindo caminhos e conexões, levando os limites de cada uma mais longe, tornando-as mais amplas e infinitas.

El Sagrado Feminino - mixtape #5

Imagem do Atol das Rocas/RN

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