terça-feira, 10 de agosto de 2010

Ainda lá

.
Cai uma gota... outra respinga... estoura aquelas moléculas minúsculas de água contra a superfície lisa da pedra no leito do rio... fina garoa... só para umidecer a folha das árvores e a tez... granular o cabelo de gotículas brilhantes... salpicar os óculos de espelhos circulares... esfriar a brisa e a alma... o cascalho molhado estala a cada passo... a água corrente do rio vaporiza o ar, cria pequenos arco-íris... Após bom tempo de caminhada, despe-se da camisa, dos sapatos, dos anéis... tira a amarra do cabelo e coloca-a no pulso (para não perdê-la) e entra... Sente a pele tremer de súbito... os ossos se espriguiçarem de susto... a respiração acelerar n´um pulo... dá braçadas, gira... mergulha, sente a água fria no rosto... sente as pedras no fundo... as ondas nos cabelos, a umidade na boca... nublado, a luz é amena... pernadas fortes para manter-se na superfície... energia... o frio desperta o corpo... vitalidade... Nada em direção a ela... se olham... se aproximam... suas peles se encontram... os narizes se encostam... não piscam... o máximo possível... olhos nos olhos... castanhos escurecidos... como uma madeira antiga mas alegre... as sobrancelhas pingam... os narizes gelam... as bocas respiram... os ouvidos confundem o murmurar da água com o do peito... mãos dadas, flutuam... chegam ao céu com a vista... desfazem as nuvens como algodão... bebem a água sem querer... matam a sede das mãos... navegam até uma pequena ilha... colhem dela uma maçã fria... mordem o mesmo pedaço... escondem-se na semente...
e deitam no chão...
.
.

2 comentários:

Samis disse...

seu encontro com esquistossomose!?

uahsuahisuhaoh

=X

(desculpa, eu tinha que fazer a piada)


brincadeiras à parte, ficou muito lindo o texto
lindo mesmo

Rodrigo Nazca disse...

xP