sexta-feira, 9 de julho de 2010

Desperdiça-chuva

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Se amo, o que amo?

Será o amor uma seleção do que é bom,

Se este fenece diante da dificuldade?
Que é o amor, se não o for inteiramente,

Em todos os cantos, em todas as partículas?

É amor se não o é no Todo?

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O que é amor?

É parcial?

É condicional?

É posse?
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Se digo amar a natureza,

Diante do sol e da brisa,

Da sombra e da graça...

Por que fujo da chuva
Por que impeço-a de abraçar-me?

E o frio do inverno,

Evito com a coberta

A fim de esquecer-me

Que ele é?

.
A árvore não foge à chuva ou ao sol

Permanece pois não se pode fugir à realidade

E sua retidão é dinâmica, dançando em seus galhos

À vontade do vento

E deixando-se partir

Ao desejo do temporal

Que mantém e renova

Revigora e fortalece

.
Querer o agradável e negar o desagradável

É partir a Vida indivizível

É enganar-se, ilusão vã
da fraqueza que não aceita

O Ser enquanto ele é

.
Igual é vangloriar-se das fortalezas

Esquecendo-se ou escondendo as fraquezas

Impedindo-se assim da humildade

Imperiosa daquele que É

Pois o orgulho e a prepotência

São simples ilusões que afastam

O Ser

.
E se aceito o Ser como É
O que perco e o que ganho?

O que aprendo e o que sofro?

O que avanço ou retrocedo?
O quê?

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Amar é

Ser

Amor

É

3 comentários:

Outono disse...

Resposta:
Amor é estar
no ser existencial da antítese.
Nunca é preto nem branco,
rosa ou azul.
Está claro, está escuro.
Nunca o é completamente,
mas está a procura
da outra parte que o complete.

Bєzєяяa Guimaŗãeร disse...

Desenlacemos as mãos....



Beijos,
Ry.

Rodrigo Nazca disse...

Quem está a procura de quem o complete, nunca encontrará nem estará completo,
pois procura fora
o que está dentro.