quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Contos Femininos (I)

Estava encostado na mureta do ginásio observando o ensaio quando ela simplesmente apareceu me perguntando o nome e qualquer coisa sobre mim. Aguardava minha vez de entrar em cena entre aquelas pedras e árvores e outros elementos de cenário. Postou-se ao meu lado e ficou perguntando-me, quis saber seu nome, disse-me de onde vinha. Mudara-se fazia pouco do sudeste para cá com a mãe, estava agora ali, do meu lado. Aquele dia foi assim, primeiro contato intrigante pela espontaneidade, pela simplicidade, aproximar-se e conhecer alguém. Quis conversar mais e eu também. Dali em diante passamos inúmeros intervalos sentados na gelada biblioteca, eu ouvindo toda sua vida, histórias colegiais incontáveis, de professores e amigos, amores e perigos, tudo que ela tivesse para contar. Dei-te também para ler meus cadernos onde eu escrevia versos, sabe-se lá porque. Estava gostando daquela atenção, sentia que havia atração. Passou-se um tempo, tivemos bons momentos, uma manhã na praia, sentados nas pedras, derramando tudo nas areias de veludo. Ela é assim, bonita, cabelos negros e lisos, longos, rosto arredondado, voz alegre, energética, cativante. Seu aniversário caiu n´um domingo e lembro-me do esforço que fiz para encontrar-lhe na porta de casa. Dois poemas escrevi de presente, ficou tão contente! À medida que passava, o que ouvia mais se aproximava, intimidades que me impressionei em me contar. Era uma tarde de semana, terça ou quinta, na sala de som do teatro escolar, estávamos sentados no chão eu e ela, eu com um violão, mostrando-lhe canções, hesitante. Era engraçado como ela me confiava tantos detalhes e a naturalidade com que falava. Eu me emocionava. Tínhamos uma brincadeira, quando nos víamos de longe, ela corria e pulava nos meus braços, eu rodopiava - graça. Pensei por um bom tempo em beijá-la, mas não sabia se devia - talvez. Não lembro mais se naquele tempo outro amor eu tinha, talvez. Foi sim uma amizade especial que impressiona-me como ainda existe. Não precisamos ter contato, no encontro o mesmo afeto resiste. Ocasionalmente a rua nos encontra e é tão feliz, é sim. Outro dia senti o impulso de convesar com ela e acho que é minha vez de tudo contar, acho que posso, acho que devo. Há nela essa sensação de confiança - incrível. Sabe, algo em mim está mudando, quero estar agora com aquelas com quem, estranhamente, eu me sinto bem. - Melancolia, espere o fim do dia para me visitar.

4 comentários:

diana disse...

Estou me encantando com as prosas...
:)

Clara disse...

lisa :P

Rodrigo Nazca disse...

hehehehhe

não era pra entregar ¬¬'

Clara disse...

sorry :P
é só apagar